Misério na USP: Médica do HU se recusou a atestar óbito de oficial da Marinha
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Uma médica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) se recusou a emitir a declaração de óbito da segundo-tenente Beatriz Fickert Santoro, de 33 anos, após constatar que a oficial da Marinha já havia chegado sem vida à unidade. O caso ocorreu na noite de quinta-feira (24) e passou a ser investigado como morte suspeita, inclusive diante da possibilidade de o corpo ter sido retirado do local onde Beatriz foi encontrada antes da realização da perícia.
As informações foram divulgadas pelo Metrópoles nesta sexta-feira (25). Segundo a reportagem, Beatriz foi encontrada desfalecida em um alojamento do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, instalado dentro da Cidade Universitária, no Butantã, Zona Oeste da capital paulista.
A versão apresentada pela Marinha é de que uma equipe médica da própria unidade foi imediatamente ao alojamento e levou Beatriz ao Hospital Universitário, localizado a poucos metros do centro tecnológico. Segundo a instituição, a morte foi constatada no hospital.
O registro policial, contudo, aponta que a Polícia Militar foi acionada depois que a médica do HU se recusou a emitir a declaração de óbito. A profissional informou que Beatriz já estava morta quando deu entrada na unidade hospitalar.
O Hospital Universitário afirmou ao Metrópoles que a decisão seguiu as normas do Conselho Federal de Medicina. Em nota, a instituição declarou que, “em cumprimento à Resolução CFM nº 1779/2005, a equipe médica hospitalar não tem competência legal para a emissão da declaração de óbito nos casos em que o falecimento ocorre em ambiente extra-hospitalar. Conforme determina a referida norma, é obrigatório o encaminhamento do corpo ao órgão oficial competente.”
De acordo com as informações registradas pelas autoridades, uma médica da Marinha teria feito o transporte da oficial até o hospital. Os policiais que atenderam a ocorrência também indicaram que Beatriz poderia estar morta havia algum tempo quando chegou ao HU.
A retirada do corpo do alojamento antes de uma análise pericial no local chamou a atenção dos investigadores. O documento policial cita a possibilidade, ainda em apuração, de eventual fraude processual, caso seja comprovado que houve alteração da cena antes dos procedimentos técnicos necessários para esclarecer as circunstâncias da morte.
A ocorrência foi registrada no 7º Distrito Policial, na Lapa, como morte suspeita. Como o caso ocorreu dentro de uma instalação militar federal, a investigação deverá envolver a Polícia Federal e a própria Marinha, além das autoridades periciais competentes.
Beatriz Fickert Santoro tinha 33 anos, era segundo-tenente da Marinha e atuava como engenheira mecânica no centro de pesquisas da instituição dentro da USP. Ela morava na região do Alto Tietê, na Grande São Paulo, e havia se casado em março deste ano, segundo registros publicados em suas redes sociais.
Em nota, a Marinha informou que as causas e as circunstâncias da morte permanecem sob investigação.
“A Marinha presta assistência social, psicológica e religiosa aos familiares e manifesta suas sinceras condolências a familiares e amigos”.
A instituição também divulgou um comunicado mais detalhado sobre o atendimento prestado à oficial:
“A Marinha do Brasil informa, com pesar, que a Segundo-Tenente (RM2-EN) Beatriz Fickert Santoro foi encontrada desfalecida em seu alojamento no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, em 24 de setembro. A equipe médica da unidade foi imediatamente ao local e a militar foi encaminhada ao Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, onde foi constatada sua morte, disse a instituição.
As causas e circunstâncias da morte estão sendo apuradas pela Marinha e pelas autoridades periciais competentes. A Marinha presta assistência social, psicológica e religiosa aos familiares e manifesta suas sinceras condolências a familiares e amigos.”
A apuração deverá esclarecer a causa da morte, o momento em que ela ocorreu e se os procedimentos adotados entre o alojamento e o hospital interferiram na preservação do local para os exames periciais.
Fonte: Brasil 247