Ministério da Justiça pede à PF investigação sobre ameaças contra Ana Elisa
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou à Polícia Federal (PF), nesta sexta-feira (9), a abertura de um inquérito para investigar ameaças de morte e estupro contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG). A parlamentar denunciou uma sequência de ataques nas redes sociais e desativou seu perfil na plataforma X após relatar que recebia ameaças a cada dois minutos.
O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por meio de um ofício assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Santana de Carvalho. Além de solicitar a identificação dos responsáveis, o ministério pediu que a corporação cobre das plataformas X e Meta medidas para interromper os ataques.
As ameaças ocorreram após Ana Elisa passar a participar da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quarta-feira (7), a deputada eleita esteve em uma reunião com o mandatário e outras lideranças jovens da esquerda, convocadas para fortalecer a atuação digital da campanha no segundo turno.
Na quinta-feira (8), parlamentares bolsonaristas começaram a divulgar supostas publicações antigas atribuídas à petista. As mensagens foram compartilhadas, em alguns casos, acompanhadas de risadas e palavrões.
Ao comentar a divulgação das publicações, Ana Elisa afirmou que recorreria à Justiça Eleitoral. “Vou mandar pro TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porque fake news é crime eleitoral. Precisamos suspender sua diplomação e de todos que estão publicando esse tipo de conteúdo”, disse. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve entre os parlamentares que repercutiram os posts.
Ministério aponta possível crime de misoginia
No ofício enviado à Polícia Federal, o Ministério da Justiça relacionou as ameaças ao posicionamento político da deputada eleita e afirmou que os ataques podem configurar crimes previstos no Código Penal. A pasta também mencionou a competência federal para investigar crimes cometidos pela internet que envolvam conteúdo misógino.
“Solicito a Vossa Excelência que adote as providências cabíveis, dentre elas, a abertura de inquérito para investigar a prática desses crimes”, diz o documento assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça.
Ana Elisa foi eleita no domingo (4) com 524.216 votos, a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira. Com o resultado, tornou-se a mulher mais votada da história do estado para o cargo e a deputada federal mais jovem já eleita no país.
Fonte: Brasil 247