Mineiro desmente Flávio Bolsonaro sobre Dark Horse, cita ex-ministro de Jair e revela as rotas do Vorcaroduto
Por Aquiles Lins — Brasil 247
A delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, homologada nesta quarta-feira (9) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acrescenta uma peça de grande potencial ao escândalo do Banco Master, o maior crime financeiro da história do Brasil, com um rombo estimado até o momento em R$ 57 bilhões.
O operador financeiro de Daniel Vorcaro descreveu para a Procuradoria Geral da República (PGR) um circuito que passa por dinheiro vivo transportado em malas, operações que classificou como não convencionais, remessas ao exterior e pagamentos relacionados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que contradiz a versão do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL.
Como sabemos, a colaboração não prova, por si só, os crimes atribuídos aos personagens mencionados. As declarações precisam ser corroboradas. Mas Mineiro afirma ter apresentado elementos capazes de permitir justamente esse trabalho: documentos e registros das operações que diz ter executado a mando de Daniel Vorcaro. Segundo reportagens, ele declarou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025.
A dimensão política da delação é evidente. Uma de suas ramificações chega ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Outra alcança um ex-ministro ainda não identificado do governo Jair Bolsonaro. E o conjunto oferece aos investigadores uma oportunidade de reconstruir os caminhos percorridos pelo dinheiro de Vorcaro. E, principalmente, como ele conseguiu operar e crescer em progressão geométrica durante o governo de Jair Bolsonaro.
Dark Horse e a versão de Flávio Bolsonaro
O primeiro problema para Flávio Bolsonaro está na cronologia dos pagamentos relacionados ao Dark Horse.
Mineiro declarou ter realizado sete transferências, que somaram US$ 12,3 milhões, para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. Segundo seu relato, Vorcaro o procurou para operacionalizar o envio dos recursos ao exterior. O fundo esteve envolvido no financiamento da produção sobre Jair Bolsonaro.
A delação reforça uma divergência já identificada por documentos do Coaf. Um aporte de aproximadamente US$ 1,66 milhão ocorreu em setembro de 2025, quatro meses depois da data que Flávio apontara como a do último pagamento de Vorcaro ao projeto. Ou seja, mais uma mentira de Flávio Bolsonaro desmascarada.
Não se trata de detalhe secundário. Flávio participou da negociação do financiamento da cinebiografia de seu pai com Vorcaro. Mineiro agora oferece aos investigadores informações sobre a execução financeira desses pagamentos.
Isso aumenta a necessidade de esclarecer a operação: quanto Vorcaro efetivamente desembolsou, quando pagou, de onde saiu o dinheiro e quem foram seus beneficiários finais.
Um ex-ministro de Bolsonaro no caminho das malas
Mineiro afirmou à PGR ter realizado entregas de dinheiro vivo a destinatários determinados por Vorcaro. Entre os receptores mencionados pelo colaborador estaria um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, segundo Igor Gadelha, do Metrópoles, cuja identidade ainda não foi revelada. O empresário também afirmou possuir vídeos relacionados às entregas.
Há diversos ex-integrantes do governo Bolsonaro que tiveram relações conhecidas com personagens do caso Master, O maior deles é Ciro Nogueira. Mas, até agora, nenhuma fonte confiável identificou publicamente quem seria o ex-ministro mencionado por Mineiro.
A questão central é outra: se os registros prometidos pelo colaborador confirmarem seu relato, a investigação poderá sair da declaração de um delator para uma prova material sobre a circulação de dinheiro vivo entre o núcleo financeiro de Vorcaro e um personagem que ocupou o primeiro escalão do governo Bolsonaro.
Descobrir quem recebeu, quanto recebeu, por que recebeu e a mando de quem passa a ser uma das perguntas centrais abertas pela colaboração.
Para Flávio Bolsonaro, a delação cria um problema eleitoral concreto: mantém o caso Master no centro da campanha e acrescenta uma versão que contraria sua cronologia sobre os pagamentos do Dark Horse. Mineiro afirma ter operacionalizado mais de US$ 12 milhões em repasses de Vorcaro para o fundo ligado ao filme, enquanto a investigação ainda busca esclarecer o destino final desses recursos. A homologação permite que as informações sejam aprofundadas e confrontadas com outras provas. Politicamente, cada novo documento que confirme a rota do dinheiro tende a obrigar o candidato a responder sobre sua própria relação com Vorcaro justamente quando tenta transformar o escândalo do Master em arma contra seus adversários.
Fonte: Brasil 247