Milton Leite se entrega à polícia após operação sobre infiltração do PCC em ônibus
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, apresentou-se à polícia nesta sexta-feira (18), um dia após ser alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público paulista e aponta suspeitas sobre a atuação do ex-parlamentar em empresas do setor.
Segundo informações de O Globo, Milton Leite compareceu a uma delegacia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, acompanhado de um delegado. Ele não havia sido localizado na quinta-feira (17), quando agentes cumpriram as ordens judiciais, e chegou a ser considerado foragido. Nesta sexta, informou às autoridades que estava viajando e que retornaria para se apresentar.
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que autorizou a operação inclui Milton Leite entre 13 investigados que tiveram a prisão temporária decretada. De acordo com o documento, o ex-vereador é mencionado diversas vezes na investigação como responsável pela operação de empresas de ônibus que, segundo os investigadores, estariam sob controle ou influência do PCC.
O despacho também registra declarações prestadas por policiais militares em procedimento na Justiça Militar segundo as quais Milton seria o proprietário de fato da Transwolff, uma das empresas investigadas. A decisão, entretanto, não detalha todos os elementos que sustentariam eventual participação formal do ex-parlamentar no quadro societário da companhia.
Investigação mira contratos e licitações
A Operação Vectura Corrupta investiga possíveis interferências em processos licitatórios, contratos públicos e negociações empresariais envolvendo o transporte coletivo em São Paulo e em outros municípios.
Entre as companhias citadas na apuração estão Transwolff, A2 Transportes, Translider, Transbellaflor e Alfa Rodobus.
A Alfa passou a operar, em fevereiro, linhas anteriormente concedidas à UPBus. A prefeitura havia rescindido a concessão da empresa depois que a Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024, identificou indícios de que a companhia teria sido utilizada em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao PCC.
Segundo a decisão judicial, investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e movimentações financeiras. O material teria revelado indícios de relações entre investigados e integrantes ou colaboradores da organização criminosa.
Além das prisões temporárias, a Justiça autorizou buscas e apreensões e o acesso a dados armazenados nos equipamentos recolhidos durante a operação.
Polícia apura possível vazamento da operação
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo também investigam se alvos da operação receberam informações antecipadas sobre a ofensiva.
A suspeita surgiu depois que Milton Leite e Paulo Sirqueira Korek Farias, proprietário da A2 Transportes, não foram encontrados nos endereços visitados pelas equipes. Em alguns dos imóveis, segundo a investigação, apenas funcionários aguardavam a chegada dos agentes.
O delegado Fabrício Intelizano afirmou, porém, que ainda não há elementos para confirmar a ocorrência de vazamento.
“A gente vai apurar isso (vazamentos) no curso da investigação. Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrado. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve esse tipo de situação”, disse.
Agentes apreendem dinheiro em imóvel ligado ao ex-vereador
Durante as buscas pelo ex-parlamentar, policiais chegaram a um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, pertencente a um assessor de Milton Leite.
No local, os agentes encontraram um acesso camuflado que levava a uma residência vizinha, vazia, atribuída ao ex-vereador.
As equipes também localizaram malas contendo R$ 280 mil e US$ 89 mil. O dinheiro foi apreendido.
A Polícia Civil ainda apura a procedência dos valores e se eles pertencem efetivamente a Milton Leite. Até o momento, segundo as informações disponíveis, não houve conclusão sobre a origem do montante.
Sete mandatos e influência no transporte paulistano
Milton Leite exerceu sete mandatos como vereador na capital paulista e presidiu a Câmara Municipal em quatro ocasiões. Deixou o Legislativo em 2025, mas permaneceu em cargos de comando partidário.
Atualmente, preside o União Brasil na cidade de São Paulo e o diretório estadual da Federação União Progressista.
A investigação busca esclarecer se a influência política acumulada ao longo de sua trajetória teve alguma relação com a atuação de empresas de transporte que passaram a ser investigadas por supostos vínculos com o PCC.
Fonte: Brasil 247