“Meu comportamento vai ser totalmente republicano”, diz Willian Veloso sobre atuação à frente da CCJ
Por João Reynol — Jornal Opção

O vereador Willian Veloso (PL) promete uma atuação “republicana” e “isonômica” como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Câmara Municipal de Goiânia no próximo biênio de 2027 e 2028. A posição ganha relevância diante da aproximação política entre o PL e os grupos do prefeito Sandro Mabel (UB) e do governador reeleito Daniel Vilela (MDB), após o apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições gerais de 2026.
William Veloso assume uma das principais comissões do Legislativo municipal após ocupar a vice-presidência da CCJ desde 2021. Atualmente, no primeiro biênio da 20ª Legislatura, o colegiado é presidido por Luan Alves (MDB), enquanto o parlamentar do PL permanece como vice-presidente.
Em entrevista ao Jornal Opção, o parlamentar afirmou que pretende utilizar a experiência acumulada nos últimos anos para dar celeridade à tramitação dos projetos e distribuir as relatorias de maneira equilibrada entre os integrantes da comissão.
“Eu recebo com muita alegria e responsabilidade, mas com muita tranquilidade até pela minha formação. Eu sou economista, sou advogado, sou pós-graduado em Direito Público e venho já desde 2020 ocupando a vice-presidência da CCJ”, afirmou.
Segundo o vereador, a intenção é evitar o represamento de matérias e manter um fluxo constante de projetos entre a comissão e o plenário. “A nossa função agora é cumprir o que o Regimento Interno determina, fazer com que os processos sejam distribuídos de forma justa para os outros vereadores relatarem, dar celeridade de acordo com as necessidades tanto da Casa quanto dos vereadores”, disse.
Uma das principais comissões da Câmara
A importância política da CCJ está diretamente relacionada à sua posição no processo legislativo. É no colegiado que os projetos submetidos à Câmara passam pela análise jurídica antes de avançarem na tramitação. Na prática, a comissão funciona como uma das principais portas de entrada das propostas que posteriormente podem chegar ao plenário.
William Veloso reconhece esse papel ao afirmar que a CCJ é responsável por alimentar parte significativa das pautas levadas às sessões plenárias. Segundo ele, com exceção das matérias cuja análise cabe exclusivamente à Comissão Mista, os projetos passam pelo colegiado.
A presidência também coloca o vereador em uma posição estratégica na organização dos trabalhos. Cabe ao comando conduzir as reuniões e o andamento das matérias, embora as decisões sobre aprovação, arquivamento ou pedidos de vista sejam tomadas pelo conjunto dos integrantes.
“Como presidente agora, a postura minha é de total isonomia, porque, independentemente das pautas, eu vou conduzir. Inclusive, o presidente só vota em caso de empate e a gente sabe que esse tipo de acontecimento raramente acontece”, afirmou.
O vereador ainda reforçou que não pretende utilizar a presidência para interferir na tramitação de matérias específicas. “Meu comportamento vai ser totalmente republicano, isonômico. Vou conduzir as pautas, independentemente de qual matéria que seja, se tem ou não a minha concordância, afeição, enfim, independentemente de sigla partidária, de assunto, de tema. O presidente tem que pautar e tem que colocar para que os pares façam as devidas análises”, declarou.
A declaração também sinaliza como William Veloso pretende lidar com projetos encaminhados pelo Paço Municipal. O PL manteve nos últimos anos uma postura independente em relação à Prefeitura, apoiando determinadas propostas e divergindo da administração em outras. Agora, porém, o cenário político passa por uma reconfiguração.
Aproximação entre PL, Mabel e governo estadual
A chegada de William Veloso ao comando da CCJ ocorre no momento em que o PL se aproxima dos grupos políticos de Sandro Mabel e Daniel Vilela.
Conforme mostrou o Jornal Opção, a declaração de apoio de Daniel a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial abriu uma negociação política que envolve os governos estadual e municipal e integrantes do PL. Entre as articulações discutidas estão uma eventual entrada da legenda na base governista estadual e entendimentos políticos voltados às eleições municipais de 2028.
Na esfera municipal, a movimentação coincidiu com as negociações pela sucessão da Mesa Diretora da Câmara. Até o início da semana, Ronilson Reis (SD) e Thialu Guiotti (Avante) concentravam a disputa pelo comando da Casa, com os vereadores articulando os 19 votos necessários para formar maioria.
Posteriormente, Mabel e integrantes do grupo governista passaram a trabalhar pelo nome de Thialu. A articulação contou também com vereadores do PL, entre eles o próprio Willian Veloso. A apuração do Jornal Opção apontou que a aproximação incluía o apoio da maior parte da bancada do partido a Thialu.
As conversas ultrapassam a eleição interna da Câmara. No plano municipal, uma das possibilidades colocadas na mesa é uma composição eleitoral para 2028, quando Mabel deve buscar a reeleição, com Marcelo Baiocchi representando o PL como eventual candidato a vice. No âmbito federal, as negociações também envolvem a possibilidade de Ronaldo Caiado assumir o Ministério da Segurança Pública em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro. As duas hipóteses foram apuradas pelo Jornal Opção e ainda dependem do desenvolvimento das articulações políticas e, no caso do ministério, do resultado da eleição presidencial.
Nesse contexto, a presidência da CCJ ocupada por um parlamentar do PL coloca Veloso em posição relevante para a relação entre Legislativo e Executivo, uma vez que projetos de interesse da administração Mabel terão de passar pelo colegiado.
O vereador, entretanto, nega que a escolha para a presidência da comissão tenha sido consequência da aproximação entre os grupos “Não houve nenhum tipo de associação, vamos dizer assim, ao fato do grupo político do Caiado, o próprio governador reeleito Daniel Vilela”, afirmou.
Segundo Veloso, sua indicação foi construída anteriormente e está relacionada à experiência acumulada na própria comissão, à formação jurídica e ao período em que ocupou a vice-presidência. “Essa construção foi feita com os outros apoiadores do novo presidente. Esse peso aí não existiu”, declarou.
Veloso quer imprimir perfil de gestor
Além da promessa de isonomia, Veloso afirma que pretende deixar como principal marca na CCJ um modelo voltado à produtividade e à redução do número de matérias represadas.
“Eu pretendo deixar aí o legado de uma pessoa gestora. Eu sou gestor, além de advogado, sou economista, sou ex-empresário, pratico gestão nos meus dois mandatos”, disse.
Para o parlamentar, a prioridade será organizar o funcionamento do colegiado de forma que os projetos não permaneçam parados e possam avançar para as demais etapas da tramitação.
“Gerir da melhor forma possível para que a produtividade reine ali na CCJ e que possamos não deixar projetos represados e que contribuamos da melhor forma possível para que a Câmara Municipal continue produzindo da forma que ela produz”, completou.
Apesar de já projetar o funcionamento do colegiado no próximo biênio, Veloso evitou antecipar quais matérias estarão entre as primeiras a serem analisadas sob seu comando. O vereador lembrou que a atual composição segue em funcionamento até 31 de dezembro e que Luan Alves continua responsável pela presidência da comissão até o fim do biênio.
“Vamos seguir o rito normal e com o presidente, que é o Luan. Quem tem condição de responder essa pergunta é o atual presidente”, afirmou.
Veloso também continuará à frente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Segundo o vereador, a intenção é manter o trabalho de orientação a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida sobre os órgãos aos quais podem recorrer para garantir seus direitos, como Ministério Público, Defensoria Pública e Judiciário.
Ao assumir a nova função, o parlamentar considera a presidência da CCJ um avanço dentro do segundo mandato e afirma que a responsabilidade será conduzir uma comissão central para o funcionamento do Legislativo justamente em um período no qual as relações políticas entre Prefeitura, Câmara e PL passam por mudanças.
“É o crescimento do parlamentar, eu que já estou partindo para a segunda metade do segundo mandato. Isso me deixa muito feliz”, concluiu.
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Fonte: Jornal Opção