Menina já havia relatado toques do pai e foi orientada pela mãe a gravar; vídeo levou à prisão em Goiás

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Por Giovanna CamposJornal Opção

Menina já havia relatado toques do pai e foi orientada pela mãe a gravar; vídeo levou à prisão em Goiás

Um homem de 34 anos, preso em flagrante suspeito de estuprar a própria filha, de 13 anos, pode ter planejado o momento em que ficaria sozinho com a adolescente. A suspeita de premeditação surgiu durante a investigação conduzida pela Polícia Civil em Corumbá de Goiás, na região central do Estado. Segundo a delegada Aline Cardoso, responsável pelo caso, o homem não tinha o hábito de levar a filha para a escola, mas insistiu em fazer isso na segunda-feira, 14, quando teria cometido o abuso dentro do carro.

A adolescente conseguiu registrar em vídeo o momento em que o pai toca seu corpo, inclusive nas partes íntimas, mesmo depois de ela pedir que ele parasse. De acordo com a delegada, a gravação foi possível porque a menina já havia relatado à mãe, em outra ocasião, que se sentia desconfortável com toques do pai em suas pernas. “Ela realmente se sentiu desconfortável, mas não era algo caracterizador do abuso naquele momento. Ela só não gostou e pediu para ele parar. Só que dessa vez ele não só tocou nas coxas, como avançou para as partes íntimas”, explicou Aline Cardoso em entrevista ao Jornal Opção.

A mãe, segundo a investigação, orientou a filha a registrar a situação caso o comportamento voltasse a ocorrer. A recomendação acabou sendo fundamental para documentar o episódio investigado agora pela Polícia Civil. O suspeito foi localizado após diligências e preso em flagrante pelo crime de estupro de vulnerável. Ele foi encaminhado para uma unidade prisional e permanece à disposição da Justiça. A audiência de custódia está prevista para ocorrer nesta terça-feira, 15, às 17 horas.

Suspeita de premeditação

Para a delegada, o comportamento do suspeito antes do crime chamou atenção. Ele não costumava levar a filha à escola e, naquele dia, teria insistido para assumir a tarefa.

“Com certeza, a mãe estranhou o fato de ele não só ter oferecido, mas como insistido para levar a filha à escola naquele dia. Então, o que aparenta se tratar de uma premeditação”, afirmou a delegada ao Jornal Opção.

Apesar da suspeita, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não encontrou indícios de que o homem tenha feito outras vítimas.

A investigação também não identificou falhas na atuação da família ou da rede de proteção. Para a delegada, o episódio anterior relatado pela adolescente não apresentava, naquele momento, elementos suficientes para caracterizar uma situação de abuso.

“O toque a deixou desconfortável e acendeu um alerta. E ela ficou tão alerta que conseguiu registrar o momento que de fato aconteceu”, disse Cardoso.

Pai nega abuso

Durante o interrogatório, o suspeito negou ter tocado as partes íntimas da filha. Segundo a delegada, ele admitiu apenas ter passado a mão pelas pernas da adolescente.

O homem também apresentou uma justificativa para os R$ 200 que teria oferecido à filha após o episódio. Segundo ele, o dinheiro seria apenas uma quantia que queria dar à adolescente.

Questionado sobre o motivo de ter pedido que ela não contasse à mãe, o suspeito afirmou que queria evitar que a mãe “pensasse algo errado”. A versão, entretanto, não coincide com os elementos reunidos pela polícia durante a prisão em flagrante.

“São afirmações que vão de encontro ao que foi produzido nos autos de prisão em flagrante”, afirmou Aline Cardoso.

Segundo a investigação, a adolescente relatou que pediu para o pai parar, mas ele teria continuado e afirmado que poderia tocar nela daquela maneira por ser seu pai.

Adolescente foi acolhida na escola

Após chegar à escola, a menina foi percebida pela equipe da unidade em estado de abalo emocional e chorando. A direção acionou a mãe, que compareceu à delegacia e relatou o episódio à Polícia Civil.

A Polícia Civil informou que a divulgação das imagens registradas pela adolescente foi autorizada por ela, por meio da responsável, com finalidade educativa e de conscientização sobre a importância da denúncia em casos de violência sexual.

A investigação segue para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

Como denunciar

Casos de violência sexual podem ser denunciados imediatamente às autoridades. Em situações de flagrante ou quando houver risco à vítima, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

O Disque 180 também recebe denúncias e oferece atendimento 24 horas, inclusive para pessoas que estejam fora do Brasil. O serviço orienta vítimas e familiares e pode encaminhar os casos para a rede de proteção. Também é possível buscar atendimento pelo WhatsApp, pelo número (61) 99656-5008.

Pessoas vítimas de estupro também podem procurar hospitais que ofereçam atendimento de ginecologia e obstetrícia. Nessas unidades, podem receber cuidados médicos, prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis, atendimento psicológico e, quando houver previsão legal, orientação e atendimento para interrupção da gestação.

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Fonte: Jornal Opção

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