Médica investe mais de R$ 2 milhões na Viela 36, em Goiânia, e revela projeto para transformar gerações

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Por Raunner Vinícius SoaresJornal Opção

Médica investe mais de R$ 2 milhões na Viela 36, em Goiânia, e revela projeto para transformar gerações

A revitalização da Viela 36, no Setor Marista, inaugurada pela Prefeitura de Goiânia, por meio do programa “Adote Uma Praça”, transformou uma área antes marcada por abandono em um espaço de convivência com áreas verdes, arte, cultura, gastronomia, serviços e lazer.

O projeto foi apresentado pela médica e empresária Larissa Oliveira Rodrigues Fernandes, moradora da região e representante da empresa LO Assistência Médica Ltda. Ao Jornal Opção, ela afirmou que a iniciativa nasceu da intenção de promover uma transformação social e educativa no território.

Larissa Oliveira Rodrigues Fernandes, moradora da região | Foto: Acervo Pessoal

Segundo Larissa Oliveira, o investimento milionário teve uma motivação que vai além da recuperação física do espaço urbano. “Eu não investi mais de R$ 2 milhões apenas na transformação de uma rua. Eu investi na transformação de gerações”, afirmou.

Foto: Acervo Pessoal

Ela relatou que acompanhava diariamente, da janela de sua clínica, a degradação da área. “Eu via um espaço abandonado, tomado por sujeira, esgoto, estacionamento irregular e até pelo tráfico de drogas envolvendo adolescentes. O mais doloroso era perceber que todos passavam por ali como se aquilo fosse normal ou como se o problema não lhes pertencesse”, disse.

A empresária contou que a situação também despertou reflexões dentro de casa. “Ao mesmo tempo, dentro da minha casa, eu via meus próprios filhos cada vez mais absorvidos pelas telas. Então compreendi que não bastava criticar a cidade, a juventude ou a falta de oportunidades. Era preciso assumir responsabilidade e agir”, apontou.

Foto: Acervo Pessoal

Desenvolvimento urbano

De acordo com ela, a criação da Viela 36 surgiu da intenção de transformar um local de abandono em um ambiente voltado à convivência e ao desenvolvimento humano. “A Viela 36 nasceu dessa inquietação e de um chamado muito profundo de Deus: transformar um lugar de abandono em um espaço de pertencimento, educação, convivência e propósito. Não se tratava de valorizar um imóvel. Tratava-se de valorizar vidas”, declarou.

Ao falar sobre os objetivos do projeto, Larissa Oliveira afirmou que espera fortalecer entre moradores e frequentadores do Setor Marista o sentimento de pertencimento e responsabilidade coletiva. “O maior impacto que espero é devolver às pessoas o sentido de pertencimento e responsabilidade coletiva”, afirmou.

Foto: Acervo Pessoal

Ela explicou que o espaço foi concebido para atender públicos de diferentes faixas etárias e estimular o desenvolvimento de talentos e habilidades. “Quero que uma criança entre na Viela 36 e descubra um talento. Que um adolescente enxergue novas possibilidades profissionais. Que uma família volte a permanecer junta em um espaço público. Que um idoso se sinta acolhido. E que cada empresário compreenda que sua empresa também pode ser uma escola capaz de transmitir conhecimento, valores e experiências.”

Segundo a empresária, a proposta não se limita à requalificação urbana. “A Viela não foi criada apenas para ser bonita ou movimentada. Ela precisa ser útil. Quero que as pessoas saiam dali diferentes de como entraram, mais conscientes dos seus dons, da importância da disciplina, da convivência, do trabalho, do cuidado com a cidade e, principalmente, daquilo que podem entregar ao mundo”, disse.

Fatores que transformam uma sociedade

A idealizadora também explicou por que decidiu reunir arte, educação, natureza, gastronomia e comércio em um mesmo projeto. Para ela, esses elementos fazem parte de uma experiência integrada de cidade. “Porque a vida não acontece em compartimentos separados. Uma cidade verdadeiramente humana precisa reunir beleza, conhecimento, natureza, trabalho, convivência e oportunidade”, afirmou.

Larissa Oliveira defendeu que cada componente da Viela 36 desempenha um papel formativo. “A arte desperta sensibilidade e preserva a memória. A educação transforma informação em possibilidade. A natureza ensina cuidado, tempo e permanência. A gastronomia aproxima as pessoas. E o comércio mostra, na prática, como uma ideia, um processo e um trabalho podem gerar valor, renda e desenvolvimento”, explicou.

Ela acrescentou que a combinação desses fatores transforma o local em um ambiente de aprendizagem. “Quando esses elementos se encontram, o espaço deixa de ser apenas uma área revitalizada e se transforma em um organismo vivo. A Viela 36 foi pensada como uma escola ao ar livre, onde cada árvore, painel, empresa, oficina e encontro tem uma função educativa”, apontou.

Um dos pilares do projeto é o percurso educativo voltado a crianças e adolescentes. Segundo Larissa Oliveira, a proposta foi estruturada a partir da realidade do entorno, que concentra cinco escolas e cerca de seis mil estudantes. “A Viela está cercada por cinco escolas, com aproximadamente seis mil alunos. Portanto, seria um desperdício criar ali apenas um espaço bonito para fotografias. Precisávamos oferecer uma experiência capaz de participar da formação dessas crianças e adolescentes”, explicou.

A partir dessa constatação, surgiu um itinerário educacional voltado ao desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens. “O percurso educativo nasceu da pergunta: ‘De que conhecimento uma criança precisa para encontrar seu lugar no mundo?’”, questionou.

Conforme a empresária, a proposta foi construída sobre quatro dimensões. “Descobrir os próprios dons, desenvolver capacidades, aprender a conviver e compreender que toda formação precisa culminar em entrega e serviço”, disse.

Universo produtivo

A iniciativa também pretende aproximar estudantes do universo produtivo por meio do contato direto com empresas e profissionais. “Queremos que as crianças conheçam histórias reais de empresas e profissionais, entendam como as coisas são produzidas e tenham contato com experiências práticas”, afirmou.

Ela citou como exemplo a participação da Casa do Marceneiro, primeira empresa a aderir ao conceito de Empresa Escola Educadora. “A Casa do Marceneiro foi a primeira empresa a dizer ‘sim’ ao conceito de Empresa Escola Educadora. Pais e filhos poderão conhecer a história da empresa e, junto com a Carpintaria Chapéu, aprender todo o processo de construção de uma casa de passarinho”, comentou.

Segundo Larissa Oliveira, o envolvimento prático integra a metodologia adotada no espaço. “A criança não estará apenas ouvindo. Ela estará vendo, tocando, construindo e compreendendo que todo resultado nasce de um processo”, disse.

Que sirva de referência

Ao ser questionada sobre a possibilidade de a iniciativa inspirar outros projetos semelhantes em Goiânia, a médica afirmou que a proposta pode servir como referência, desde que sejam preservados os princípios que orientaram sua criação. “Sim, mas a Viela 36 não deve ser simplesmente copiada. O que precisa ser reproduzido é o princípio”, apontou.

Ela argumentou que a existência de espaços degradados está ligada à ausência de corresponsabilidade da sociedade. “Toda cidade possui espaços abandonados porque, em algum momento, todos decidiram que o problema pertencia a outra pessoa. A Viela demonstra que poder público, iniciativa privada, escolas, artistas, profissionais e comunidade podem assumir responsabilidades complementares e transformar um território”, afirmou.

Larissa Oliveira ressaltou que a transformação urbana exige mais do que intervenções estruturais. “Revitalização verdadeira não é apenas trocar o piso, instalar iluminação ou plantar árvores. Isso é infraestrutura. Transformação exige função, programação permanente, segurança, educação, manutenção e participação da comunidade”, alertou.

Por fim, ela afirmou que espera que a Viela 36 seja reconhecida como uma experiência de convivência e formação cidadã. “Se a Viela 36 conseguir demonstrar que um espaço degradado pode se tornar uma escola ao ar livre, um lugar de convivência e uma ponte entre gerações, então ela poderá inspirar muitos outros territórios de Goiânia”, disse.

A idealizadora concluiu deixando uma reflexão sobre o papel dos cidadãos na construção dos espaços urbanos. “A pergunta que a Viela deixa para cada cidadão é simples e incômoda: ‘Agora que você viu que é possível, o que vai fazer pela sua cidade e pelas próximas gerações’”, finalizou.

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Fonte: Jornal Opção

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