Manifesto de mais de 300 artistas apoia Lula e cobra mudanças na política cultural do país
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – Um manifesto assinado por mais de 300 artistas e intelectuais declara apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e cobra mudanças na condução das políticas culturais. Divulgado na quinta-feira (17), o documento reúne entre os signatários Gloria Pires, Caio Blat e Chico César.
Intitulado “A cultura está com Lula e pede mudanças”, o texto manifesta apoio eleitoral ao presidente e, ao mesmo tempo, faz críticas aos resultados da política cultural durante o terceiro mandato.
“O setor cultural e artístico brasileiro apoia enfaticamente a reeleição do presidente Lula e soma forças na defesa da democracia e dos direitos sociais que estão em jogo neste pleito presidencial”, afirma o manifesto.
Os signatários defendem aumento dos recursos destinados à cultura, mas afirmam que as mudanças também devem atingir a formulação e a gestão das políticas para o setor.
“Queremos um salto não apenas quantitativo, de orçamento, mas sobretudo qualitativo na visão, compreensão e gestão da cultura e das artes por parte do próximo governo Lula”, diz o documento.
Além de Gloria Pires, Caio Blat e Chico César, o manifesto tem assinaturas das cineastas Anna Muylaert, de “Que Horas Ela Volta?”, Laís Bodanzky, de “Bicho de Sete Cabeças”, e Gabriel Mascaro, de “O Último Azul”. Os escritores Mario Prata e Xico Sá também aparecem entre os apoiadores.
O grupo avalia positivamente a recriação do Ministério da Cultura (MinC), determinada por Lula no início do terceiro mandato, em janeiro de 2023. A pasta havia sido extinta em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, e suas atribuições foram incorporadas a outra estrutura administrativa.
Apesar de reconhecer a retomada do ministério, o manifesto critica o desempenho da política cultural desde então. O documento não cita nominalmente a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
“Os resultados do terceiro mandato estão aquém do potencial da cultura como força transformadora da sociedade. Estão aquém das necessidades e das enormes potencialidades do nosso setor”, afirma o texto.
Outra reivindicação é a inclusão de segmentos culturais nas políticas de desenvolvimento econômico e industrial. O documento menciona especificamente o audiovisual, a música e o mercado editorial.
“É preciso que o próximo governo compreenda que o audiovisual, a música e o mercado editorial são indústrias estratégicas geradoras de divisas, e que não podem continuar ausentes do projeto de reindustrialização do Brasil”, afirma o manifesto.
O documento permanece aberto para novas assinaturas por meio de um formulário disponibilizado na internet.
Fonte: Brasil 247