José Dirceu recebe alta e volta às ruas para reforçar campanhas de Lula e Haddad
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O ex-ministro José Dirceu recebeu alta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta sexta-feira (18), e prepara a retomada de sua agenda presencial na campanha eleitoral. Candidato a deputado federal pelo PT paulista, o ex-ministro da Casa Civil pretende ampliar sua participação na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
A informação foi publicada pelo Correio Braziliense. Aos 80 anos, Dirceu passou os últimos meses em tratamento contra um linfoma no duodeno e vinha concentrando suas atividades eleitorais em entrevistas, reuniões e manifestações pelas redes sociais. Ao deixar o hospital, comunicou a amigos: “Saindo do Sírio zerado para a labuta”.
O retorno às atividades presenciais ocorre depois de exames realizados no início de setembro indicarem a remissão do linfoma. Apesar do resultado, a orientação médica havia sido de que Dirceu permanecesse afastado de aglomerações durante algumas semanas, enquanto recuperava o sistema imunológico após as sessões de quimioterapia.
O câncer foi descoberto em maio, durante exames realizados no Sírio-Libanês. Segundo relato do próprio ex-ministro, o tumor no duodeno tinha aproximadamente 10 centímetros, era agressivo, mas curável. O tratamento exigiu meses de quimioterapia e limitou sua presença física na campanha.
Campanha de Lula como prioridade
Mesmo durante o tratamento, Dirceu decidiu manter sua candidatura à Câmara dos Deputados. Desde o diagnóstico, afirmou que a reeleição de Lula seria sua “batalha principal” e passou também a defender a eleição de Haddad para o Palácio dos Bandeirantes.
A retomada da agenda presencial deverá permitir que o ex-ministro participe diretamente de atos e articulações políticas em São Paulo, estado considerado estratégico tanto para a disputa presidencial quanto para a tentativa do PT de ampliar sua representação na Câmara.
A candidatura de Dirceu também recebeu apoio explícito de Lula. Segundo o Correio Braziliense, o presidente gravou nesta semana um vídeo pedindo votos para o antigo dirigente petista e classificou sua eleição como uma “reparação histórica”.
Para o PT, a candidatura tem também importância para a composição da bancada paulista na Câmara. Além da busca por um mandato próprio, Dirceu atua na defesa de uma articulação mais ampla das forças governistas no estado e no fortalecimento da candidatura de Haddad.
Retorno à disputa eleitoral
A eleição de 2026 marca a tentativa de José Dirceu de retornar à Câmara dos Deputados décadas depois de ocupar posição central na direção do PT e no primeiro governo Lula.
Dirceu presidiu nacionalmente o partido entre 1995 e 2002 e coordenou a campanha presidencial que levou Lula ao Planalto pela primeira vez, em 2002. Naquele mesmo ano, foi eleito deputado federal por São Paulo e, posteriormente, assumiu a Casa Civil, tornando-se um dos principais articuladores políticos do governo.
O ex-ministro deixou o Executivo em 2005 e depois teve o mandato parlamentar cassado. Foi condenado e preso no processo do mensalão e, anos mais tarde, voltou a ser preso em processos relacionados à Operação Lava Jato.
Em outubro de 2024, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, anulou os atos processuais produzidos pelo então juiz Sergio Moro em duas ações penais contra Dirceu. A decisão estendeu ao ex-ministro os efeitos do entendimento da Segunda Turma do STF que havia reconhecido a parcialidade de Moro nos processos contra Lula.
Segundo o STF, Gilmar Mendes considerou que diálogos revelados no âmbito da chamada Vaza Jato e outros elementos dos autos apontavam atuação coordenada entre Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato na condução dos processos contra Dirceu.
Da campanha virtual aos palanques
Durante o tratamento contra o linfoma, Dirceu manteve sua atividade política principalmente pela internet. A restrição médica às aglomerações reduziu sua participação em eventos públicos justamente durante o período eleitoral.
Agora, com a alta hospitalar, a expectativa é de que sua atuação volte a incluir compromissos presenciais e articulações diretamente ligadas às campanhas de Lula e Haddad.
Além da própria candidatura, Dirceu continua participando do debate interno do PT. Entre as posições defendidas pelo ex-ministro estão a necessidade de o partido dialogar com setores que se distanciaram da esquerda e formular respostas para mudanças no mercado de trabalho, especialmente entre jovens, trabalhadores informais e parcelas da classe média.
A retomada ocorre seis anos depois de Dirceu enfrentar outro diagnóstico de câncer. Em 2020, ele passou por cirurgia para a retirada de um pequeno tumor no rim esquerdo. Desta vez, o tratamento foi mais prolongado e exigiu quimioterapia, mas os exames realizados na fase final apontaram remissão do linfoma.
Fonte: Brasil 247