Maduro e Cilia negam acusação de tortura em audiência em Nova York
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes da acusação de conspiração para cometer tortura durante audiência no tribunal federal de Manhattan, em Nova York, na quinta-feira (15). Segundo as agências Reuters e EFE, o juiz Alvin Hellerstein também transferiu o início do julgamento para 14 de junho de 2027, após a ampliação da denúncia apresentada pela promotoria dos Estados Unidos.
Ao responder ao magistrado, Maduro rejeitou o documento e afirmou que as alegações eram falsas. “Rejeito este documento na íntegra”, declarou, conforme a tradução publicada pela Reuters. Hellerstein interrompeu sua manifestação e informou que registraria uma declaração de inocência em seu nome. Cilia também negou os crimes: “Sou totalmente inocente. Não sou culpada.”
A nova acusação, apresentada em 8 de outubro, acrescentou ao processo a suspeita de que o casal participou de uma estrutura de repressão destinada a preservar seu poder na Venezuela. A denúncia atribui aos dois responsabilidade por ordenar e coordenar abusos contra opositores e pessoas consideradas adversárias do governo.
Segundo o documento da Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, essa estrutura utilizava agentes militares e outros grupos para realizar detenções ilegais e torturas. Os promotores sustentam que a violência física e psicológica era empregada para intimidar a população e silenciar dissidentes, sobretudo em períodos de instabilidade política. Essas alegações são contestadas pelos réus.
A acusação também afirma que Flores ajudou a desenvolver o sistema repressivo e determinou a tortura de pessoas para proteger atividades ilegais de familiares. O documento não atribui ao casal a execução pessoal dos atos, mas sua suposta participação nas ordens e na organização dos crimes.
Durante a audiência, Maduro e Flores confirmaram que haviam recebido uma versão da denúncia em espanhol e conversado com seus advogados sobre as novas imputações. A defesa solicitou prazo adicional para preparar a resposta, de acordo com a EFE. O julgamento estava marcado anteriormente para 1º de junho de 2027.
A reformulação da denúncia também estendeu a Flores a acusação de conspiração para cometer narcoterrorismo, que antes recaía sobre Maduro. O processo reúne ainda imputações relacionadas à importação de cocaína para os Estados Unidos e à posse de armas. O casal já havia negado as acusações anteriores.
Maduro e Flores estão presos nos Estados Unidos desde 3 de janeiro, quando foram capturados por militares americanos em Caracas e levados para Nova York. Ambos permanecem no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn enquanto aguardam o julgamento.
Fonte: Brasil 247