Em reação aos ‘deputados influencers’, Câmara discute voto distrital misto

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tratou da adoção do voto distrital misto em reunião realizada na quinta-feira (15) com o deputado federal eleito Paulo Serra (PSDB) em Brasília, informa Vinicius Passarelli, do Metrópoles. Desde a divulgação do resultado das eleições, o assunto ganhou força entre partidos, parlamentares e empresários como uma saída articulada para combater o fenômeno dos deputados “influencers”, eleitos pelo chamado voto de internet. Entre os casos apontados como mais emblemáticos estão os vereadores do PL Lucas Pavanato, eleito deputado federal com 3 milhões de votos, e Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual com 2 milhões de votos, ambos no estado de São Paulo.

A movimentação nos bastidores indica que caciques políticos, a exemplo de Gilberto Kassab (PSD), têm promovido uma forte ofensiva para acelerar as discussões sobre um projeto de lei que prevê a implantação do modelo do voto distrital misto. A proposta já foi aprovada no Senado Federal e conta com a relatoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE) na Câmara dos Deputados. Neste ano, Hugo Motta chegou a sinalizar publicamente ser a favor do texto. No âmbito do Centrão, existe a expectativa de tentar avançar com a votação da matéria ainda neste ano, antes do início da nova legislatura.

Partidos de centro articulam a construção de um texto para ser votado em plenário ainda em novembro, antes da posse dos novos deputados, marcada para fevereiro de 2027. A principal preocupação dessa ala gira em torno do desempenho de candidatos como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanatto, que concentraram milhões de votos individuais e ajudaram a eleger dezenas de outros candidatos do mesmo partido.

A discussão ganhou tração após o avanço do PL nas eleições de 2026, quando Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato receberam mais de 3 milhões de votos cada um, contribuindo para ampliar a representação da legenda na Câmara. O PL chegará à próxima legislatura com uma bancada de 121 deputados federais, o seu maior número desde 1990. Em contrapartida, a federação União Brasil-PP sofrerá uma queda, passando de 97 para 87 parlamentares.

Para os partidos do centrão, o atual sistema permite que candidatos muito populares ampliem desproporcionalmente a bancada de suas legendas. Dessa forma, a alteração das regras eleitorais tem impacto direto na disputa por espaço e poder dentro da Câmara dos Deputados.

Os defensores da proposta argumentam que o voto distrital misto aproxima o Congresso Nacional da população e fortalece a representação político-partidária em diferentes regiões. O modelo combina dois formatos: metade da Câmara dos Deputados seria composta pelos candidatos mais votados em seus respectivos distritos eleitorais — áreas geográficas delimitadas que escolhem seus próprios representantes —, enquanto a outra metade das vagas seria definida proporcionalmente de acordo com os votos recebidos pelos partidos, como funciona atualmente.

A aplicação do formato pode aproximar os deputados de suas regiões, mas também pode favorecer candidatos com bases eleitorais concentradas. O efeito prático sobre os chamados puxadores de votos dependerá das regras finais e da proporção de cadeiras destinadas a cada modalidade.

A articulação política também foi debatida nesta semana com partidos de centro que fecharam apoio à reeleição de Hugo Motta para a presidência da Câmara dos Deputados no próximo ano. O grupo reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, além da representação da federação Solidariedade-PRD. O acordo fortalece a candidatura de Motta, mas ainda exige a transformação do compromisso firmado pelas lideranças em votos efetivos dos deputados no plenário.

“Foi uma conversa muito produtiva. Queremos chegar a Brasília com planejamento, propostas e disposição para contribuir com as reformas de que o Brasil precisa”, afirmou Paulo Serra, eleito no último dia 4 com cerca de 133 mil votos.

Atualmente, o projeto de lei que estabelece o voto distrital misto já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O relator da proposta, deputado federal Domingos Neto, participou do almoço promovido com Motta e os dirigentes partidários. A tramitação por Projeto de Lei é vista por articuladores como uma alternativa viável, ao contrário do “distritão” — modelo no qual apenas os candidatos individualmente mais votados ficam com as vagas —, que exigiria a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com quórum de pelo menos 308 deputados em dois turnos.

Paralelamente, o debate contrapõe o sistema de lista aberta — aplicado hoje no Brasil, no qual o eleitor escolhe diretamente um candidato e as vagas conquistadas pelo partido ficam com os mais votados — ao modelo de lista fechada. Na lista fechada, o eleitor vota diretamente no partido, que define previamente a ordem dos candidatos que assumirão as vagas, fortalecendo as legendas e ampliando o poder das direções partidárias na escolha dos eleitos.

Fonte: Brasil 247

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