Lula explica escolha pelo Flow em vez de debate da Globo

0

Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou, em entrevista ao podcast Flow, por que havia decidido participar do programa em vez de comparecer ao debate entre candidatos à Presidência da República que estava previsto para a noite desta quinta-feira (1º) na TV Globo. A emissora acabou cancelando o encontro, alegando que decisões judiciais alteraram a composição inicialmente prevista para o debate.

Lula afirmou que há tempos questiona o formato adotado pela emissora e considera que os encontros não permitem uma discussão contínua. “Há tempos tenho questionado os debates da Globo. Não produzem nada, não dá sequência”, disse.

O presidente também fez uma referência ao histórico dos debates presidenciais no Brasil para explicar sua avaliação sobre os diferentes formatos adotados ao longo das eleições. Lula lembrou que não houve debate em 1994 e que encontros foram realizados em 1998 e 2002.

Na sequência, Lula citou a eleição de 2002 e a participação de José Serra como exemplo de um modelo que, segundo ele, permite uma discussão mais direta entre os concorrentes. “O Serra já foi um bom debate, porque é o debate bom do segundo turno, que é o candidato tête-à-tête, cada um falando contra um pro outro”, declarou.

Crítica ao formato com muitos candidatos

Para Lula, a quantidade de participantes interfere diretamente na dinâmica dos debates. Ele afirmou que, quando há cinco ou seis candidatos, o tempo de fala de cada um é interrompido por longos períodos de espera, o que dificulta a continuidade dos argumentos.

“Quando você tem cinco ou seis candidatos, que você fala um minuto e espera dez minutos, fala dois minutos e espera dez minutos, não tem sequência”, disse o presidente.

Lula comparou essa dinâmica ao funcionamento de uma partida esportiva, em que o jogador precisaria interromper constantemente sua atuação. “É como se o jogador desse um pique e voltasse pra descansar. Não, o cara tem que jogar o jogo”, afirmou.

O presidente também criticou o espaço dado a provocações durante os debates. Na avaliação apresentada por ele, esse tipo de dinâmica desvia a discussão dos temas que considera centrais em uma eleição presidencial.

“Então eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência. E aí o pessoal começa a fazer gracinha, sabe? Qual é a piada, qual é a pegadinha”, declarou Lula.

Lula defende discussão sobre o país

Ao explicar por que não gosta desse formato, Lula afirmou que uma disputa pela Presidência da República deveria concentrar a discussão em questões relacionadas ao país e à população brasileira.

“Quando você está numa disputa para a presidência da República, é uma coisa mais séria. Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira”, afirmou.

Lula também criticou a transformação dos debates em uma disputa para definir quem consegue ser mais engraçado ou obter maior repercussão com uma provocação. “Você não está discutindo merreca, quem é mais engraçado, quem vai lacrar mais daquela piadinha. Sabe? Não é assim!”, disse o presidente.

Ao final, Lula voltou a afirmar que não gosta do formato atual dos debates e apresentou uma alternativa baseada na comparação direta das respostas dos candidatos. Para ele, uma emissora poderia formular as mesmas perguntas para os concorrentes.

“Sinceramente, não gosto desse tipo de debate. Eu preferia que fosse feito um debate em que uma televisão ou você mesmo fizesse a mesma pergunta para vários candidatos”, afirmou. Segundo Lula, esse modelo exigiria uma seleção prévia dos participantes e das perguntas. “Então o que você precisa é ter um processo seletivo, sabe?”, concluiu o presidente.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *