Lula e Flávio Bolsonaro disputam votos da terceira via e de eleitores ausentes

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegam ao segundo turno com dois públicos centrais para conquistar: os mais de 9,3 milhões de brasileiros que escolheram candidatos derrotados e os eleitores que não compareceram às urnas, incluindo 8 milhões no Nordeste.

Segundo a Folha de S.Paulo, as campanhas buscam ampliar suas bases após uma votação marcada pela menor diferença percentual entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno desde a redemocratização.

Na eleição de domingo (4), Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma distância de 1,87 ponto percentual. Os demais presidenciáveis reuniram 7,81%. A abstenção alcançou o recorde de 33,4 milhões de pessoas, equivalente a 21,08% do eleitorado.

Os caminhos para conquistar esses votos são diferentes. O candidato do PL tenta aproveitar a proximidade política com os concorrentes de direita que ficaram pelo caminho. Lula busca mobilizar eleitores ausentes, sobretudo em regiões onde mantém vantagem, diante da falta de aliados de maior peso entre os adversários eliminados.

Nordeste concentra esforço de mobilização de Lula

Os 8 milhões de eleitores que não votaram no Nordeste representam uma oportunidade para a campanha petista ampliar sua votação em uma região historicamente favorável ao presidente. Mesmo com taxas inferiores à média nacional, estados onde Lula venceu registraram contingentes expressivos de ausentes.

Na Bahia, 2,2 milhões de pessoas deixaram de votar, uma abstenção de 19,97%. Em Pernambuco, foram 1,3 milhão, ou 18,17% dos eleitores aptos. Ceará e Maranhão também tiveram, cada um, mais de 1 milhão de ausentes.

Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que o não comparecimento pode afetar mais o desempenho de Lula. A análise considera a maior incidência histórica de abstenção entre pessoas de menor renda e escolaridade, segmentos nos quais o petista tradicionalmente encontra apoio.

“A abstenção vai prejudicar Lula porque ele tem menos votos entre os menos escolarizados do que tinha em 2022. Há uma insatisfação com a economia e a percepção de que ela não melhorará”, afirma o cientista político Antônio Lavareda, presidente da Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais (Abrapel).íveis os dados detalhados sobre o perfil dos ausentes neste primeiro turno. Em 2022, predominavam nesse grupo homens, pessoas com menor escolaridade e eleitores entre 21 e 29 anos ou acima de 70 anos, faixa em que o voto é facultativo.

Naquela eleição, a abstenção entre analfabetos chegou a 52% no primeiro turno e a 49,3% no segundo. Entre eleitores com ensino superior completo, a taxa de ausência na primeira votação foi de 12,4%.

Na segunda-feira (5), Lula apontou a mobilização dos ausentes como uma tarefa da campanha. Em sua declaração, o presidente mencionou 30 milhões de pessoas, abaixo do total registrado.

“Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu”, questionou.

Apoiadores do presidente também desenvolveram uma ferramenta chamada “Onde dá para conversar”. A iniciativa identifica seções eleitorais a partir dos registros de abstenção e da votação em candidatos que não chegaram ao segundo turno.

Flávio busca eleitores dos candidatos de direita

Para ampliar a vantagem obtida na primeira votação, Flávio tenta atrair os eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Caiado e Zema já declararam preferência pelo senador do PL. Cury e Renan, os mais votados entre os candidatos eliminados, não endossaram nenhum dos finalistas.

Uma parcela expressiva dos votos nesses concorrentes está nos maiores colégios eleitorais. São Paulo concentrou 2,5 milhões, equivalentes a 9,86% dos votos válidos no estado. Minas Gerais registrou 1 milhão, ou 8,41%, e o Rio de Janeiro, 700 mil, correspondentes a 7,65%.

Proporcionalmente, Goiás foi o estado com maior votação nos candidatos que ficaram fora do segundo turno: 13,83%. Governado por Caiado nos últimos dois mandatos, o estado deu 53% dos votos a Flávio e 31% a Lula. A avaliação apresentada pela reportagem é que os votos dos demais concorrentes tendem a favorecer o candidato do PL.

No Distrito Federal, os presidenciáveis eliminados somaram 10,59%, enquanto Flávio alcançou 51%. No Sul, onde o senador também superou Lula, os demais candidatos reuniram cerca de 1,5 milhão de votos, ou 8% do total de votos válidos de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Maiores colégios também lideram em abstenções

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro terão peso na disputa tanto pelos votos dos candidatos derrotados quanto pela mobilização de quem não votou. Flávio venceu Lula nos três estados, que também registraram os maiores contingentes de ausentes.

Entre os paulistas, mais de 7,6 milhões deixaram de comparecer, uma taxa de 22,5%. Em Minas Gerais, foram 3,7 milhões, ou 22,8%. No Rio de Janeiro, a abstenção atingiu 2,9 milhões de pessoas, equivalentes a 23,3%.

A resolução das disputas estaduais na primeira votação pode dificultar a redução dessas ausências no segundo turno presidencial. São Paulo e Minas Gerais já definiram seus governadores.

No Rio, o desfecho depende da situação da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos). Caso ela seja rejeitada, Douglas Ruas (PL) será considerado eleito governador.

Disputas apertadas no Norte e ausência elevada no exterior

No Amapá, Lula e Flávio receberam aproximadamente 45% dos votos cada um, com vantagem de apenas 0,04 ponto percentual para o presidente. Os candidatos eliminados somaram 40 mil votos, ou 8,6%, enquanto 100 mil eleitores não compareceram, uma abstenção de 17,4%.

No Amazonas, Lula terminou à frente por 3 pontos percentuais. Os demais presidenciáveis obtiveram 6,79% dos votos, e o estado registrou 564 mil ausentes.

Entre os brasileiros aptos a votar no exterior, a abstenção alcançou 62%, equivalente a 574 mil pessoas. Dos votos depositados nas urnas, Lula recebeu 47%, Flávio ficou com 43% e os candidatos que não avançaram à etapa final reuniram cerca de 9%.

Fonte: Brasil 247

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