Lula discursa na Assembleia Geral da ONU; acompanhe ao vivo

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Cumprindo a tradicional diplomacia atribuída ao Brasil desde 1947, o presidente Lula (PT) ocupa a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) na manhã desta terça-feira (22) e realiza o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

As diretrizes do pronunciamento do chefe de Estado brasileiro foram adiantadas em uma entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, da rede CNN. Diante de representantes de quase 200 nações, o líder brasileiro centraliza sua mensagem na superação da subserviência global e na demanda por uma nova arquitetura de governança planetária, formulada para deter a escalada militarista, o uso de sanções e chantagens comerciais, além da corrosão das instituições internacionais.

A coalizão P4M e a resistência ao unilateralismo

No plenário das Nações Unidas, o presidente brasileiro apresenta formalmente a coalizão Partners for Multilateralism (Parceiros pelo Multilateralismo — P4M). Articulada pela diplomacia brasileira ao lado de governos como os do Canadá, Quênia e integrantes da União Europeia, a iniciativa visa construir uma salvaguarda institucional contra ações unilateralistas impostas por potências globais, em especial frente às ameaças bélicas e à política de tarifas promovida por Donald Trump.

Durante a entrevista que antecipou as linhas centrais de sua fala, Lula sintetizou a avaliação que fundamenta a postura diplomática de seu governo:

“O multilateralismo foi a coisa que mais deu certo para manter o mundo em harmonia. O que estamos vendo hoje é a tentativa de impor a lei do mais forte: ‘eu sou maior, sou mais rico, tenho mais armas e o resto tem que obedecer’. Não aceitamos imperadores. O comércio e a diplomacia têm que ser uma via de duas mãos, equilibrada e soberana”.

Como demonstração prática de resistência a pressões externas, o mandatário destaca a conduta do próprio Brasil após ser alvo de medidas protecionistas vindas de Washington que afetaram o comércio bilateral. O país respondeu expandindo e diversificando suas parcerias internacionais: registrou um aumento de 20% no intercâmbio comercial com a China, 23% com a União Europeia e 18% com o Japão, além de alcançar uma expansão média superior a 10% nas trocas com 57 nações localizadas no Sul Global e na Eurásia.

Críticas ao Conselho de Segurança e à inação em conflitos

O segmento de maior peso político no discurso mira a paralisia do Conselho de Segurança da ONU e o mecanismo do direito de veto retido por seus cinco membros permanentes. Lula expressa repúdio ao impasse das grandes potências perante o massacre de dezenas de milhares de mulheres e crianças no conflito em Gaza, além da ineficácia para conter a guerra de atrito na Europa Oriental e os confrontos no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz, cujos impactos na cadeia petrolífera mundial agravam a inflação e a fome entre populações desfavorecidas.

Em tom de cobrança à comunidade internacional, o presidente ressalta o contraste entre o volume de recursos destinados a conflitos armados e a escassez de financiamento para demandas sociais básicas:

“O mundo vive hoje a maior quantidade de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. Para que serve um Conselho de Segurança onde cinco membros que mandam e têm direito de veto simplesmente não se reúnem para selar a paz? Enquanto se torram trilhões de dólares em bombas e destruição, falta dinheiro para o combate à fome, para a educação, para a saúde e para a emergência climática. Até quando a humanidade ficará refém de mentiras e da guerra?”.

Frente a esse cenário, a reformulação da estrutura da ONU e a inclusão de assentos permanentes com representação efetiva para a América Latina, a África e a Ásia são apontadas pelo mandatário como medidas indispensáveis para evitar o esvaziamento definitivo da organização, prevenindo que tenha o mesmo desfecho da Liga das Nações.

Defesa da soberania e do processo democrático

Em agenda oficial nos Estados Unidos, o presidente brasileiro fixa limites claros contra ingerências externas em assuntos regionais da América Latina. O discurso reafirma o princípio da autodeterminação dos povos e repudia qualquer tentativa de transformação de países vizinhos, a exemplo da Venezuela, em protetorados sujeitos a tutelas econômicas ou militares de nações estrangeiras, defendendo o voto soberano e a negociação sem bloqueios como os únicos meios legítimos de resolução.

Ademais, às vésperas do processo eleitoral no Brasil, Lula leva à Assembleia Geral o compromisso da sociedade brasileira com a institucionalidade democrática. O chefe do Executivo enfatiza que o país enfrenta uma escolha determinante entre a civilização e a barbárie, contrapondo a conservação de biomas estratégicos à exploração predatória, e a promoção da inclusão social às disparidades da desigualdade. Dirigindo-se às delegações presentes, ao Sul Global e aos trabalhadores, a abertura dos trabalhos em Nova York reforça que a governança no século XXI requer a preservação da vida e do meio ambiente, sem submissão a pressões bélicas ou ao capital desregulamentado.

Fonte: Brasil 247

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