Lula aciona TSE contra distorção de posts sobre fala de “toque” em mulheres

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, acionou nesta terça-feira (29) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a retirada de publicações que, segundo sua equipe jurídica, descontextualizaram uma declaração do petista sobre exames médicos preventivos e atribuíram conotação sexual à fala.Na ação encaminhada à Justiça Eleitoral, a campanha de Lula pede a remoção das publicações questionadas e a responsabilização de seus autores.

De acordo com o SBT News, a representação sustenta que trechos de um discurso feito por Lula durante um comício em Belém (PA) passaram a circular nas redes sociais sem o contexto em que foram pronunciados. O presidente falava sobre a resistência de homens à realização de exames destinados à prevenção e à detecção precoce do câncer de próstata quando fez uma comparação com os cuidados de saúde das mulheres.

“O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta, ele não gosta de toque. Sabe, as mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem não. Ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele”, disse Lula durante um ato de campanha em Belém (PA) na segunda-feira (28).

Campanha denuncia mudança de contexto

Segundo a campanha de Lula, recortes da declaração começaram a circular acompanhados de interpretações que associavam a referência a mulheres e meninas a conteúdo de natureza sexual.

A equipe jurídica argumenta que essas publicações omitiram o contexto no qual a palavra “toque” foi utilizada pelo presidente: uma discussão sobre exames médicos, prevenção e a resistência masculina aos cuidados com a própria saúde.

O episódio ganhou repercussão política na reta final do primeiro turno das eleições de 2026, depois que adversários de Lula passaram a explorar a declaração nas redes sociais.

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial, também utilizou a fala para produzir conteúdo eleitoral. Reportagens publicadas nesta terça-feira registraram que peças divulgadas por opositores associaram a declaração a abuso sexual, interpretação contestada pela campanha petista.

Advogada critica sexualização da declaração

Maíra Recchia, integrante da equipe jurídica da campanha de Lula, afirmou que a ação apresentada ao TSE busca impedir a circulação de conteúdos que, segundo a defesa do presidente, atribuem outro significado às suas palavras.

“Quando se falou de homens, o toque foi imediatamente compreendido no campo da saúde, da prevenção. Já quando a referência passou a ser as mulheres e as meninas, tentou-se deslocar com o olhar machista e deturpado a mesma palavra para o campo sexual”, disse.

A advogada sustenta, portanto, que houve tratamento diferente para as duas partes de uma mesma comparação: enquanto a referência aos homens foi relacionada ao exame de próstata, a menção às mulheres teria sido deslocada, por críticos do presidente, para uma interpretação de caráter sexual.

Na argumentação divulgada pela campanha, Maíra Recchia afirmou ainda que a interpretação sexual atribuída ao discurso pode, em sua avaliação, reforçar tabus relacionados à saúde feminina.

“Existe também um enorme perigo nessa narrativa, porque ela transforma justamente o cuidado com a saúde de meninas, adolescentes e mulheres em motivo de escândalo. Sexualizar esse debate presta um desserviço à própria sociedade, porque reforça tabus que historicamente dificultam o acesso das mulheres à informação e aos serviços de saúde”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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