Maioria dos eleitores não se importa com Brasília, mas com sua família e sua fé, avalia especialista

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Por José Bernardes — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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A campanha presidencial vinha se apresentando morna, com a opinião pública focada no embate do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o aspecto moral fez o jogo virar. O imbróglio envolvendo Nossa Senhora Aparecida impactou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e também serviu de oportunidade para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmasse sua posição. Na noite de segunda-feira (28), Lula defendeu a liberdade religiosa em uma agenda em Belém (PA) e disse que “ninguém vai avacalhar Nossa Senhora Aparecida”.

O especialista em comunicação política Amauri Chamorro avalia que existe uma certa cegueira em achar que a população em geral está preocupada com grandes debates políticos, restritos à engrenagem de Brasília (DF). “A população, no dia a dia, está preocupada com sua família, sua cultura, seu entorno, sua comunidade. Ou seja, o grande Brasil, que representa a maioria que vota e que representa a força de trabalho, tem um outro tipo de preocupação. E estudos indicam que a questão da família, sua fé, sua comunidade são muito importantes”, explica em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Chamorro destaca que a postura de bolsonaristas evangélicos não surpreende e recorda o episódio em que um pastor chutou a imagem da santa em um programa de TV. “São diversos atentados que se repetem. Invasões de alguns evangélicos a centros de religiões de matriz afro ou mesmo no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Para uma parcela da população, nem é uma defesa da santa, mas uma posição a respeito da atitude daqueles que atacam”, avalia. “A gente tem uma pessoa vinculada com miliciano, com pessoas que assassinaram a Marielle Franco. E o votante evangélico radical, não importa o que Flávio fizer, eles vão votar nele”, continua.

Amauri Chamorro observa que a construção narrativa feita na época da Lava Jato, vinculando a corrupção ao PT, não foi superada por quem apoia a família Bolsonaro e impacta o eleitor do centro nessa disputa. “Essa pecha da corrupção na esquerda foi lapidária, e isso não é só para o presidente Lula, mas para diversos governos da América Latina. Então é um governo que é inclusivo, que trabalhou pelos mais pobres, mas também se encontra com essas questões morais que também têm a ver com a corrupção. Mas você também tem um discurso violento [do outro lado], de frases do tipo ‘Não te estupro porque você é feia‘, e que tudo isso precisa ser falado. Eu acho que, no Brasil, a gente normalizou e aprendeu a conviver com essa barbaridade”, afirma.

A frase mencionada pelo especialista foi dita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, quando ainda era deputado, à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

Nesta terça-feira (29), uma reportagem publicada pelo site PlatôBR indica que o ex-sócio e antigo amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL), Alexandre Ferreira Dias Santini, pagou por despesas pessoais do parlamentar em troca de favores políticos. Entre os registros está a compra de um relógio Rolex de ouro branco avaliado em R$ 305 mil e uma mensagem em que Santini cita uma suposta atuação de Flávio com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas divulgadas pelo portal também mencionam festas com garotas de programa.

Para Amauri, o potencial impacto das revelações tem ligação direta com a confirmação dos fatos e com a forma como a imprensa em geral vai repercutir o caso. “Há sempre um tempo entre o anúncio e o impacto. Vamos ver se, de alguma maneira, há uma viralização do conteúdo nas redes sociais e se isso chega ao cotidiano das pessoas até o dia da eleição. Se isso acontecer, poderia ajudar sensivelmente. Acho que Lula está chegando muito próximo de uma vitória no primeiro turno, e isso se dá também pela decisão das bets”, pondera.

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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