Livro usa Vale Tudo e O Clone para explicar como funciona o vício

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Por Márcio Diniz — Catraca Livre

O alcoolismo de Heleninha Roitman, em “Vale Tudo”, e a dependência de cocaína de Mel, em “O Clone”, marcaram a história da televisão brasileira. Mas por que essas personagens não conseguiam abandonar o vício, mesmo diante das consequências para suas vidas e famílias? A resposta passa por mecanismos do cérebro que ajudam a explicar por que superar uma dependência vai muito além da força de vontade.

Essas histórias são o ponto de partida do livro “Luz, Câmera… Compulsão: como filmes, séries e novelas explicam as dependências humanas”, escrito pela psiquiatra Analice Gigliotti e pelas psicólogas Elizabeth Carneiro e Sabrina Presman. A obra será lançada na próxima terça-feira (13), às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, com sessão de autógrafos aberta ao público.

A atriz Renata Sorrah viveu Heleninha Roitman, em “Vale Tudo”

Publicado pela editora Máquina de Livros, o livro utiliza situações conhecidas do cinema e da televisão para explicar como a dependência se desenvolve, seus impactos nas relações familiares e os desafios enfrentados por quem tenta interromper comportamentos compulsivos.

Ao longo de 208 páginas, as especialistas recorrem a produções como Breaking Bad, Euphoria, Mulheres Apaixonadas e Réquiem para um Sonho para discutir diferentes formas de dependência. A obra também aborda casos reais de artistas como Amy Winehouse, Whitney Houston e Michael Jackson, cujas mortes estiveram relacionadas ao uso de substâncias.

A proposta é transformar histórias que o público já conhece em ferramentas para compreender questões normalmente abordadas em linguagem médica. Os conflitos vividos pelos personagens ajudam a mostrar por que uma pessoa pode continuar consumindo determinada substância ou repetindo um comportamento mesmo quando percebe os prejuízos provocados por ele.

Dependência não se resume ao álcool e às drogas

Embora o alcoolismo e o consumo de drogas estejam entre os exemplos mais conhecidos, o livro também explora comportamentos compulsivos que fazem parte do cotidiano e podem comprometer a saúde e as relações pessoais.

Entre os temas abordados estão os jogos de azar, o uso problemático de tecnologia e games, as compras compulsivas, os transtornos alimentares e o amor patológico. As autoras discutem as particularidades dessas condições, seus efeitos na vida cotidiana e as diferentes abordagens de tratamento.

A obra também dedica atenção ao papel da família, aos sinais que podem indicar a existência de um problema e à importância de reconhecer precocemente comportamentos que exigem acompanhamento profissional.

“O propósito deste livro é se valer da capacidade de comunicação e empatia que oferecem o cinema, as séries e a arte de modo geral para esclarecer como os comportamentos aditivos acontecem, como preveni-los e tratá-los”, escrevem as autoras na apresentação.

Especialistas unem ciência e dramaturgia

As três autoras atuam na área de saúde mental e são diretoras da Clínica Espaço Clif, especializada em psiquiatria e dependências químicas e comportamentais, no Rio de Janeiro.

Analice Gigliotti é médica psiquiatra, professora da PUC-Rio, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) e integrante da Comissão de Psiquiatria das Adicções da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Elizabeth Carneiro é especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com formação em Terapia Familiar Sistêmica, Terapia Comportamental Dialética e EMDR.

Sabrina Presman é psicóloga, especialista em Dependência Química pela Uniad/Unifesp, e já coordenou o Programa de Controle de Tabagismo do Rio de Janeiro.

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Fonte: Catraca Livre

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