Liga de blocos de rua e de lutas de BH lança manifesto em apoio a Lula e Patrus

0

Por Redação — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

No audio source provided.

A Liga dos Blocos de Rua e de Lutas de Belo Horizonte (Liga BRUTA-BH), lançou, durante a semana, um manifesto oficial sobre as eleições de 2026. Na carta, o coletivo declara apoio às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República e de Patrus Ananias (PT) para o governo de Minas Gerais. O documento também apoia Áurea Carolina (Psol) e Marília Campos (PT) para o Senado.

“Estamos vivendo um momento decisivo para o Brasil. Em disputa estão a soberania nacional, os direitos sociais e da natureza, as relações que sustentamos com os territórios e com as demais formas de vida, o trabalho, a cultura e a capacidade do povo brasileiro de decidir coletivamente sobre seu próprio futuro”, aponta o manifesto

A liga articula mais de 70 blocos ‘de rua e de lutas’ da capital mineira e, no texto, busca construir coletivamente uma cidade mais democrática, culturalmente diversa e aberta à participação popular. Segundo a organização, não há projeto de país democrático sem uma política cultural à altura da riqueza cultural brasileira. 

Em outro trecho, o grupo aponta a necessidade urgente de frear os impactos da exploração minerária predatória no estado e assegurar o controle soberano sobre as terras raras. No âmbito dos direitos e da diversidade, o texto destaca o combate estrutural ao racismo, ao machismo e à LGBTfobia, reiterando a defesa intransigente dos territórios indígenas e das expressões culturais de matriz africana e afro-brasileira.

Diante disso, o manifesto estrutura suas diversas reivindicações nos eixos democracia, soberania e participação popular; direitos, diversidade e territórios; cultura como política de Estado; carnaval e culturas populares; direito à cidade e mobilidade. 

Para o movimento, os blocos de rua exercem um papel político e comunitário essencial que exige infraestrutura e políticas públicas contínuas.

“Juntos, mobilizamos milhares de pessoas que, ao longo de todo o ano, ensaiam, costuram, produzem festas, fortalecem vínculos comunitários, formam artistas, compartilham saberes e inventam maneiras de fazer cultura no nosso tempo. Nós, blocos de rua e de lutas, somos experiências concretas de participação popular, construção coletiva e exercício democrático. Organizamos comunidades, ocupamos o espaço público e participamos da construção cotidiana do Carnaval de rua de Belo Horizonte como manifestação cultural, política e popular da cidade”, destaca o manifesto. 

Manifesto Eleições 2026 | Liga dos Blocos de Rua e de Lutas de Belo Horizonte (Liga BRUTA-BH)

Nós, blocos de rua e de lutas que construímos a Liga BRUTA-BH, atuamos nas ruas e nos territórios das diferentes regionais de Belo Horizonte. Juntos, mobilizamos milhares de pessoas que, ao longo de todo o ano, ensaiam, costuram, produzem festas, fortalecem vínculos comunitários, formam artistas, compartilham saberes e inventam maneiras de fazer cultura no nosso tempo.

Estamos vivendo um momento decisivo para o Brasil. Em disputa estão a soberania nacional, os direitos sociais e da Natureza, as relações que sustentamos com os territórios e com as demais formas de vida, o trabalho, a cultura e a capacidade do povo brasileiro de decidir coletivamente sobre seu próprio futuro.

O Brasil abriga uma ampla diversidade de formas de vida e elementos da natureza, entre eles minerais de importância estratégica, como os chamados minerais críticos e os elementos de terras raras. Esses minerais não existem apartados dos territórios, das águas, das florestas, das comunidades e das demais formas de vida com as quais coexistem. Minas Gerais conhece profundamente as consequências de um modelo que transforma a natureza em mercadoria e subordina territórios e populações à lógica da exploração econômica. Os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho permanecem como feridas abertas. Defendemos soberania nacional e popular nas decisões sobre a extração, a transformação e o uso desses minerais, articulada à justiça socioambiental, à proteção dos territórios e das comunidades, à produção de conhecimento e tecnologia e à distribuição social da riqueza econômica gerada.

Nós, blocos de rua e de lutas, somos experiências concretas de participação popular, construção coletiva e exercício democrático. Organizamos comunidades, ocupamos o espaço público e participamos da construção cotidiana do Carnaval de rua de Belo Horizonte como manifestação cultural, política e popular da cidade.

Não existe projeto de país democrático sem uma política cultural à altura da riqueza cultural brasileira. A cultura produz conhecimento, gera trabalho, movimenta a economia, preserva memórias e constrói vínculos.

Sabemos que trabalhadores e trabalhadoras da cultura ainda enfrentam precariedade e desigualdades no acesso às políticas de fomento e que a distribuição dos recursos públicos ainda precisa avançar em descentralização territorial, democratização e equidade.

A partir de 2003, o Brasil ampliou a institucionalização das políticas públicas de cultura, com expansão do fomento, da participação social e da presença da cultura nas políticas de Estado. Em 2016, o governo Temer anunciou a extinção do Ministério da Cultura, medida revertida após intensa mobilização social. Em 2019, o governo Bolsonaro extinguiu novamente o Ministério, e suas atribuições passaram a estruturas subordinadas a outros ministérios. Em 2023, o Ministério da Cultura foi recriado. É preciso consolidar a cultura como política permanente de Estado, fortalecendo o Sistema Nacional de Cultura e garantindo orçamento público, participação social e distribuição democrática dos recursos.

Minas Gerais abriga uma extraordinária diversidade cultural. Defendemos uma política cultural estadual à altura dessa diversidade, com ampliação do orçamento público, fortalecimento do Sistema Estadual de Cultura e do Fundo Estadual de Cultura, mecanismos de fomento direto e de incentivo à cultura mais democráticos, acessíveis e transparentes e maior descentralização territorial dos recursos.

Defendemos também o reconhecimento e a valorização de mestres, mestras, comunidades e coletivos que mantêm, recriam e compartilham saberes, fazeres e práticas culturais de matrizes africanas e afro-brasileiras — expressões vivas e constitutivas das culturas populares e carnavalescas brasileiras. Defendemos o reconhecimento e a garantia dos direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam, a proteção de seus territórios e o respeito à sua autodeterminação, às suas culturas, línguas, saberes e modos de vida.

O Carnaval é trabalho, cultura e participação popular. Os blocos de rua devem ser reconhecidos como agentes permanentes da cultura e contar com políticas públicas continuadas de fomento e infraestrutura que garantam condições para a continuidade de suas atividades e para o uso democrático do espaço público.

É a partir dessa experiência de organização, participação e construção coletiva que a Liga BRUTA-BH, respeitando a autonomia política dos blocos e coletivos que a integram, declara seu apoio, nas eleições de 2026, às candidaturas:

Lula – Presidente 13

Patrus – Governador 13

Áurea Carolina – Senadora 500

Marília Campos – Senadora 131

Essa posição expressa uma deliberação da Liga como articulação coletiva e não substitui, uniformiza ou condiciona as posições políticas dos blocos e coletivos que a compõem. Reconhecemos a pluralidade de organizações, partidos, movimentos e candidaturas do campo popular e progressista com os quais diferentes integrantes da Liga mantém diálogo e

construção política.

As reivindicações apresentadas a seguir reúnem compromissos que consideramos fundamentais para o próximo período. Elas são dirigidas às candidaturas apoiadas pela Liga e também a todas aquelas que desejem assumir publicamente compromissos com esta agenda.

NOSSAS PRIORIDADES

É das ruas, dos territórios e das experiências que construímos coletivamente que erguemos nossos estandartes. Eles carregam as lutas que nos trouxeram até aqui e anunciam os compromissos que queremos ver avançar no próximo período. São estandartes pela democracia, pela soberania popular, pelos direitos, pela cultura, pelos territórios, pelo Carnaval e pelo direito à cidade. É com eles que seguimos em cortejo, apresentando as prioridades que defendemos:

Democracia, soberania e participação popular

● Fortalecimento da democracia e da participação popular;

● Soberania nacional e popular nas decisões sobre a extração, a transformação e o uso de minerais críticos, terras raras e outros elementos da natureza de importância estratégica, com justiça socioambiental, proteção dos territórios e distribuição social da riqueza econômica gerada;

● Proteção dos territórios, das comunidades, das águas e das demais formas de vida diante dos impactos da mineração;

● Valorização do trabalho e garantia de direitos aos trabalhadores e às trabalhadoras;

● Participação efetiva da sociedade civil na formulação, acompanhamento e fiscalização

das políticas públicas.

Direitos, diversidade e territórios

● Enfrentamento ao racismo, ao machismo, à LGBTfobia, ao capacitismo e a todas as formas de discriminação;

● Reconhecimento, valorização e proteção de mestres, mestras, comunidades e coletivos que mantêm, recriam e compartilham saberes, fazeres e práticas culturais de matrizes africanas e afro-brasileiras;

● Reconhecimento e garantia dos direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam, proteção de seus territórios e respeito à sua autodeterminação, às suas culturas, línguas, saberes e modos de vida;

● Garantia da acessibilidade cultural e comunicacional como parte do direito à cultura.

Cultura como política de Estado

● Ampliação e garantia de recursos públicos permanentes destinados à cultura;

● Fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura e de sua articulação com os sistemas estaduais e municipais de cultura;

● Fortalecimento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com garantia de recursos, regularidade dos repasses, descentralização territorial e participação social;

● Fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura e do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais;

● Mecanismos de fomento direto e de incentivo à cultura mais simples, acessíveis, transparentes e descentralizados;

● Democratização do acesso aos recursos públicos destinados à cultura;

● Valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras da cultura.

Carnaval e culturas populares

● Políticas permanentes de fomento para os blocos de rua, o Carnaval e as culturas populares;

● Reconhecimento dos blocos de rua como agentes permanentes da cultura e da vida comunitária;

● Proteção e valorização das culturas populares e comunitárias em sua diversidade.

Direito à cidade e mobilidade

● Garantia do direito à cidade e ao uso democrático do espaço público;

● Tarifa Zero e políticas de mobilidade que garantam o direito à circulação e ampliem o acesso à cultura.

A Liga BRUTA-BH reúne mais de 70 blocos de rua e de lutas de Belo Horizonte em torno da construção coletiva de uma cidade mais democrática, culturalmente diversa e aberta à participação popular. É da experiência cotidiana desses blocos, das relações que constroem

com suas comunidades e dos territórios em que atuam que formulamos este manifesto e as

reivindicações aqui apresentadas.

Liga dos Blocos de Rua e de Lutas de Belo Horizonte

Liga BRUTA-BH

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *