‘Pela democracia, soberania e justiça social’: manifesto gaúcho declara apoio a Lula e Alckmin

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Por Fabiana Reinholz — Brasil de Fato

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Um grupo de 242 figuras da sociedade civil gaúcha lançou, nesta quinta-feira (1º), no auditório da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Adufrgs-Sindical), em Porto Alegre, um manifesto em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e de Geraldo Alckmin à vice-Presidência.

O documento, intitulado “Com Lula e Alckmin, pela democracia com paz, soberania e justiça social”, reúne nomes de diferentes trajetórias políticas, profissionais e partidárias em torno da defesa da democracia e de um projeto de país baseado em soberania e justiça social.

“Temos ideias e experiências diferentes, mas estamos juntos para defender um valor maior, a democracia com paz, soberania e justiça social”, afirma o manifesto.

Durante o lançamento, o mestre em antropologia social e doutor em ciências sociais Benedito Tadeu César, integrante da organização, lembrou que a iniciativa surgiu em 2022, quando um grupo do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito decidiu ampliar os apoios à chapa Lula e Alckmin no segundo turno.

Segundo Tadeu, 131 pessoas assinaram inicialmente o documento naquele ano. Depois, a iniciativa recebeu outras 596 adesões nas redes sociais. Para as eleições de 2026, o grupo decidiu retomar a mobilização já no primeiro turno. “A gente está entendendo que é uma eleição muito importante para as nossas vidas e para as próximas gerações.”

O manifesto foi disponibilizado em uma plataforma digital para novas adesões. Tadeu informou que, até a tarde de quinta-feira, a mobilização já havia alcançado cerca de 4,9 mil assinaturas.

Segundo ele, os signatários iniciais têm diferentes trajetórias políticas e profissionais. Há pessoas ligadas a MDB, PSDB, PDT e PT, além de nomes sem identificação partidária. Entre os participantes estão vice-governadores, ex-secretários estaduais e municipais, ex-prefeitos, ex-parlamentares, artistas, jornalistas, escritores, cineastas, ex-reitores, professores universitários, desembargadores, juízes, promotores, procuradores, advogados, profissionais da saúde, empresários, lideranças religiosas, indígenas, sindicais e de movimentos sociais.

Presidente da Adufrgs-Sindical, o professor Jairo Bolter destacou a atuação da entidade na defesa da democracia, da liberdade de cátedra e da autonomia universitária. “A Adufrgs nunca arredou passo da luta em defesa da democracia e da liberdade de cátedra dos professores e das professoras do magistério federal.” Conforme frisou Bolter, o manifesto representa, para a entidade, a defesa de um país “democrático, justo e soberano”.

O presidente do Diretório Acadêmico da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da União Estadual dos Estudantes, Carlos Daniel Vieira, destacou a participação da juventude no ato. “A gente tem dito que essa é a eleição das nossas vidas tem um tempo. E mais uma vez nós estamos nesse momento de que mais uma vez essa é a eleição das nossas vidas. (…)É um momento em que a gente precisa se unir em prol de um movimento muito importante pro nosso país, que é defender a nossa soberania.” Ele também defendeu um país com educação e cultura de qualidade e acesso ao transporte público.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ex-reitora da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Maria Beatriz Luce relacionou o manifesto às mobilizações históricas pela democracia e pela educação pública.

Ela lembrou a participação nas campanhas pelas Diretas Já, na Assembleia Constituinte e na construção da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). “Para nós que somos majoritariamente nessa sala professores, nada mais importante do que estarmos ao lado dos estudantes, ouvi-los e nos sentirmos parte da mesma luta”, expôs. Luce também citou a articulação de um grupo de “Reitores pela Democracia” e defendeu a educação como parte de um projeto de país. “É por isso que nós estamos com Lula e Alckmin”, declarou.

O compositor, cantor e escritor Nei Lisboa também participou do lançamento. Ele afirmou que o manifesto expressa a posição de parcela dos agentes culturais de Porto Alegre e relacionou seu apoio à defesa de políticas de cultura, ciência, direitos humanos e políticas sociais. “Os agentes artísticos estão majoritariamente junto conosco nessa campanha”, ressaltou.

Lisboa também mencionou as políticas desenvolvidas durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro e disse que, em sua avaliação, áreas como cultura, ciência, direitos humanos e políticas sociais foram tratadas como inimigas.

Já o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul Sérgio Gischkow Pereira abordou os três eixos do manifesto: democracia, soberania e justiça social. Em sua fala, lembrou declarações feitas por Jair Bolsonaro em 1999 e tratou do debate sobre a defesa das instituições democráticas. Também criticou a política externa dos Estados Unidos e falou sobre desigualdade de renda no Brasil. “São estes aspectos e tantos outros que nos fazem torcer desesperadamente pela vitória do Lula e do Alckmin.”

Ex-secretária de Educação de Caxias do Sul e ex-secretária de Estado da Educação, Marisa Vasquez Abreu destacou a presença de pessoas que estiveram em campos partidários diferentes ao longo da trajetória política brasileira. “Apesar de posições diferentes, partidos diferentes, votos diferentes ao longo desse período da retomada das eleições no Brasil, a gente sempre teve um ponto em comum que foi a questão da democracia.”

 Abreu defendeu ainda que a mobilização ultrapasse o período eleitoral e seja acompanhada de uma reflexão sobre a polarização política e o aprimoramento das políticas públicas.

Ex-secretário de Coordenação e Planejamento do governo do Rio Grande do Sul, João Carlos Brum Torres abordou a questão social e econômica. Segundo ele, houve redução das desigualdades nos últimos anos e as administrações petistas tiveram importância nesse processo.

Ele também apontou ameaças à democracia e criticou o que considera uma política de influência dos Estados Unidos sobre a América Latina.

O deputado federal e coordenador da campanha no RS Henrique Fontana (PT) centrou sua fala na desigualdade econômica e na necessidade de construir um projeto nacional de desenvolvimento.

Para Fontana, um dos desafios atuais é enfrentar um sistema econômico que concentra poder no capital especulativo em detrimento do mundo do trabalho e do setor produtivo. Ele também falou sobre o impacto das redes digitais na disputa política e na circulação de desinformação. “Não há como derrotar um avanço do fascismo se aqueles que defendem a democracia, as ideias de centro-esquerda, de esquerda, não forem para a ofensiva na política, disputar esses valores”, afirmou.

Fontana defendeu ainda reformas estruturais, entre elas uma reforma política, além da reindustrialização do país e investimentos em ciência, tecnologia, educação e saúde pública.

Abaixo o manifesto completo:

Com Lula e Alckmin, pela democracia com paz, soberania e justiça social.

Temos ideias e experiências diferentes, mas estamos juntos para defender um valor maior – a democracia com paz, soberania e justiça social.

Ela hoje está em perigo no mundo e no Brasil e, mais uma vez, só a vitória de Lula e Alckmin pode garanti-la e impedir retrocessos.

Queremos um Brasil soberano, respeitado pelas demais nações, que gere oportunidades de trabalho e renda para uma vida digna e apoie aqueles que precisam de incentivos para se desenvolver.

Um país que garanta segurança pública para todos, especialmente crianças, adolescentes e mulheres.

Que assegure oportunidades à população negra, respeite as culturas indígenas e combata todas as formas de discriminação.

Queremos um país que abra oportunidades para os jovens, ampare os idosos e promova a justiça social.

Queremos um país que respeite a diversidade religiosa e defenda o estado laico.

Queremos um país que invista em educação e atendimento à saúde de boa qualidade, em cultura, ciência e tecnologia e que lute para preservar a natureza sob risco crescente de destruição.

Queremos um país com liberdade de expressão, que respeite a Constituição e as instituições democráticas.

Sabemos que, desde a eleição de 2022, Lula e Alckmin trabalharam muito para recolocar o Brasil neste caminho, mas sabemos também que há muito mais a ser feito e que, na eleição de 2026, são eles que têm as condições necessárias para enfrentar esse desafio.

A vitória da democracia com paz, soberania e justiça social depende da capacidade de os democratas brasileiros participarem (da forma que puderem) da campanha para eleger Lula e Alckmin para a Presidência da República, além de senadores e deputados federais que apoiem o Executivo federal.

A vitória da democracia no Brasil depende hoje do engajamento de cada um e de cada uma de nós.

Porto Alegre, RS, setembro/outubro de 2026.

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

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