Laudo do MPGO diverge da Amma e recomenda retirada imediata de gameleira em Goiânia
Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

Um laudo do Centro de Apoio Técnico Pericial (Catep), do Ministério Público de Goiás (MP-GO), recomenda a retirada imediata de uma das quatro gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste, em Goiânia. A avaliação técnica concluiu que a árvore apresenta risco elevado. Para os outros três exemplares, o documento indica a possibilidade de preservação, desde que sejam realizados cuidados específicos e acompanhamento periódico.
O caso é alvo de divergências entre avaliações técnicas. Em abril deste ano, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) informou que as árvores estavam saudáveis. No entanto, em agosto, a autarquia autorizou o corte de exemplares e a realização de podas. O parecer do Ministério Público representa a quarta avaliação sobre a situação das gameleiras e a primeira realizada pelo órgão.
As quatro árvores estão localizadas lado a lado, na calçada em frente a uma padaria e a um restaurante. De acordo com o Catep, a primeira gameleira, situada na Rua 4, no sentido da Rua 3 para a Rua 5, deve ser suprimida (retirada) imediatamente, e a área precisa ser isolada.
Já as outras três podem ser mantidas, desde que recebam manejo adequado e sejam submetidas a monitoramento periódico.
O Jornal Opção entrou em contato com a Amma para saber quais serão os próximos passos em relação às gameleiras da Praça da Cirrose. Até o fechamento desta reportagem, porém, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
MP-GO cobra posicionamento da Amma
O promotor de Justiça Marcelo Fernandes de Melo, da 81ª Promotoria de Justiça, encaminhou o laudo à Amma e solicitou que a agência informe se concorda com a conclusão técnica sobre a preservação das três árvores restantes. Caso discorde, a autarquia deverá apresentar justificativa técnica.
O Ministério Público também pediu informações sobre as medidas previstas para o manejo de cada gameleira, especialmente em relação à poda seletiva, à redução controlada das copas e à ampliação das áreas permeáveis no passeio público.
Para as árvores que podem ser preservadas, o relatório recomenda a retirada de galhos comprometidos, a avaliação das condições estruturais, a poda seletiva e o controle do tamanho das copas. O documento também estabelece a necessidade de monitoramento com frequência mínima semestral.
Entre as medidas específicas indicadas estão o controle de insetos, a adoção de procedimentos fitossanitários e a ampliação dos espaços permeáveis ao redor das árvores. Em dois exemplares, a perícia recomenda retirar muretas de alvenaria para aumentar a área permeável. Também foi indicada a remoção de uma luminária instalada no tronco de uma das gameleiras.
Laudo questiona avaliação anterior
Com 42 páginas, o parecer do Catep apresenta ressalvas à avaliação realizada pela Amma em agosto. Segundo o documento, as conclusões da agência não estavam acompanhadas de dados quantitativos e de procedimentos de avaliação que permitissem demonstrar objetivamente as condições estruturais das árvores.
O relatório afirma que a ausência de investigação instrumental dificultou a identificação da extensão e da distribuição da deterioração interna dos troncos. Entre os métodos não destrutivos que poderiam contribuir para uma análise mais precisa, o Catep cita a tomografia por impulso mecânico, a ultrassonografia de impulso e a resistografia.
A perícia também identificou galhos e partes das copas avançando sobre áreas próximas a estabelecimentos comerciais e de saúde, incluindo um pronto-socorro de queimaduras, um instituto médico, uma padaria e um bar.
Além das edificações, o documento destaca a projeção de galhos sobre calçadas, vias de circulação, a rede de energia elétrica e áreas internas da praça. Esses elementos foram considerados na análise dos riscos associados às árvores.
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Fonte: Jornal Opção