José Genoino aponta o caminho da virada no 2º turno: ‘É hora de combate’
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Em um momento crucial da disputa eleitoral, o ex-deputado federal e histórico militante do PT José Genoino deu uma verdadeira demonstração de energia e lucidez política em entrevista à TV 247. Durante a conversa, ele rejeitou qualquer clima de desânimo ou paralisia pós-primeiro turno e convocou a militância progressista para entrar em “estado de emergência” na reta final da campanha.
Genoino sustentou que o momento exige canalizar toda a energia para a ação prática no meio do povo. “Não é hora de ficar no divã fazendo análise, não é hora de autocrítica. É hora de luta, é hora de combate”, cravou o dirigente, que cumpre uma intensa agenda diária de plenárias, encontros com militantes e organização de pontos de apoio populares.
O mapa da virada: Abstenções, brancos e nulos
Para Genoino, a virada no segundo turno é plenamente viável, mas depende de uma tática precisa e cirúrgica. O alvo principal não deve ser o núcleo duro do fascismo raiz, mas sim a enorme massa de eleitores que se abstiveram ou votaram em branco e nulo no primeiro turno.
“A pesquisa indica que é possível virar voto focando nos abstencionistas, no voto nulo e no voto em branco. Para isso, nós temos que fazer uma campanha ofensiva, de corte pedagógico, dialogando com o eleitorado que não está votando em ninguém.”
— José Genoino
O ex-deputado reforça que o convencimento desses setores passa por expor de forma pedagógica e direta o desmonte social e o risco real que a extrema-direita representa para os direitos fundamentais. “É desconstrução e futuro. Mostrar como a vida do povo vai piorar com o corte de recursos no salário mínimo, no BPC, na saúde, na educação e no meio ambiente”, explicou.
Aliança com a sociedade civil e a força das ruas
Diferente do arranjo institucional de cúpula, Genoino enfatiza que a verdadeira “frente ampla” deste segundo turno precisa ser construída diretamente com a sociedade civil organizada: estudantes, professores, acadêmicos, artistas e lideranças comunitárias.
Ele destacou as recentes mobilizações estudantis e de jovens que têm ocupado as ruas, praças e transportes públicos pelo país como o grande motor de atração de corações e mentes.
A esperança contra a política do pavor
Ao analisar as provocações e episódios de violência promovidos por setores radicais durante o processo eleitoral, Genoino lembrou que o medo é a principal arma histórica do fascismo para imobilizar a sociedade.
“O medo paralisa, imobiliza. Por isso a tática deles é provocar medo com ameaças, misoginia e homofobia. A gente vence o medo com a luta, com a esperança e se somando aos outros. Não vá sozinho: chame o vizinho, os amigos, faça ações em grupo”, orientou.
Para o ex-presidente do PT, as pesquisas eleitorais devem ser encaradas com maturidade política — nem como verdade absoluta, nem com desprezo —, mas sim como um incentivo a mais para buscar o voto de ponta a ponta. Ele recordou viradas históricas, como a de 2014, para reforçar que a vontade política e o engajamento de rua têm poder decisivo na reta final.
Ao encerrar a conversa, José Genoino deixou uma mensagem que sintetiza não apenas a sua trajetória pessoal, mas o espírito necessário para os dias decisivos que virão:
“A razão de ser da minha vida é lutar. A luta para mim é alimento, é alegria. Sem lutar, a gente morre de morte civil, que é a pior delas. Quando a gente luta, corre o risco de viver com dignidade. A vontade decide, a vontade muda e abre caminhos.”
Fonte: Brasil 247