Carlos Minc projeta resistência no RJ e aponta caminhos para a virada progressista

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – Em participação ao vivo na TV 247, o deputado estadual, ex-ministro do Meio Ambiente e histórico militante ambientalista Carlos Minc (PSB-RJ) analisou a complexa conjuntura política do Rio de Janeiro após os desdobramentos das últimas decisões da Justiça Eleitoral. Em conversa marcada por denúncias sobre o desmonte de políticas públicas no estado e uma reflexão autocrítica sobre o avanço do conservadorismo no país, Minc convocou a militância progressista a ocupar as ruas, ampliar o diálogo e resistir com “luta e dignidade”.

A entrevista ganhou tom de urgência após a confirmação da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que indeferiu a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho, anulando mais de 274 mil votos. Com o recálculo dos votos válidos, o candidato Douglas Ruas (PL), aliado de Jair Bolsonaro, superou a marca dos 50% dos votos e garantiu a vitória para o Governo do Estado do Rio de Janeiro ainda em primeiro turno.

Minc lamentou a insegurança jurídica promovida pela demora em decisões eleitorais, ressaltando que o eleitor acaba penalizado por um processo que invalida a vontade popular após as urnas já terem sido apuradas:

“O eleitor fica com cara de otário. O sujeito sai candidato, tem o voto anulado depois da eleição e isso muda drasticamente o resultado final, entregando o Estado para a extrema-direita sem o segundo turno.”

Retrato do caos: o fantasma da gestão Cláudio Castro

Durante a transmissão, Minc traçou um diagnóstico severo sobre a administração de Cláudio Castro (PL), definindo-a como um “desastre ecológico, social e financeiro”. O parlamentar enfatizou que a área ambiental, historicamente capitaneada por ele no estado, transformou-se nos últimos anos em um balcão de negócios e loteamento político.

O deputado enumerou os principais gargalos deixados pelo grupo político que se consolida no poder fluminense:

Meio Ambiente: sucateamento dos órgãos de fiscalização e desvio de verbas do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAN).

Educação: índices entre os piores do país nas avaliações nacionais de desempenho escolar, mesmo com o expressivo aporte dos royalties do petróleo, somados a denúncias de obras superfaturadas.

Previdência Estadual: a polêmica e bilionária transferência de recursos do Rio Previdência direcionada a operações financeiras e bancos privados em detrimento dos aposentados e pensionistas.

Minc elogiou as medidas corretivas que vinham sendo tomadas recentemente pelo governo em exercício na gestão das finanças e na exoneração de cargos fantasmas, mas demonstrou profunda apreensão com o cenário futuro sob o comando do PL:

“O nosso temor é a volta ao passado recente: o meio ambiente transformado em balcão de loteamento, a educação na lanterninha do desempenho e a farra com os recursos públicos. Vamos ter que atuar como uma oposição extremamente atenta e combativa.”

A onda conservadora, a milícia e os erros da esquerda

Ao ser questionado sobre a frustração com o desempenho da candidatura de Eduardo Paes (PSD) e de outros nomes do campo progressista pelo país, Minc abordou a existência de uma “onda reacionária global”, comparável ao fenômeno bolsonarista e trumpista.

O parlamentar explicou que essa movimentação não foi captada com precisão pelos institutos de pesquisa antes das urnas e apontou fatores determinantes no cenário local:

Geografia do Voto e Apelo Popular: o distanciamento entre as pautas da capital e as demandas do interior e da Baixada Fluminense. Minc observou que a tentativa de colar no eleitorado do interior nem sempre se traduz em votos quando não há um alinhamento direto com o cotidiano da população trabalhadora.

Pressão Territorial do Crime Organizado: o impacto do “voto de cabresto” exercido por milícias e facções criminosas na Baixada e na periferia da capital. O deputado relatou episódios graves de violência política em que candidatos da esquerda foram coagidos e impedidos de realizar reuniões comunitárias em territórios conurbados.

Comunicação e Linguagem: Minc defendeu uma reflexão autocrítica sobre a forma como o campo progressista conversa com o povo brasileiro.

“Nós precisamos ajustar a nossa linguagem. Enquanto a gente fala de pautas complexas como terras raras, a extrema-direita vai no mercado com o carrinho e fala diretamente da inflação do dia a dia. Temos que reaprender a traduzir os projetos e as conquistas para a vida prática das pessoas.”

Estratégia de virada: romper a bolha e mobilizar os indecisos

Mirando as disputas nacionais e o fortalecimento das bancadas de oposição, Carlos Minc destacou que o caminho para reverter o avanço conservador não passa por discursos voltados para a própria base engajada, mas sim pelo convencimento dos setores moderados e não alinhados ideologicamente.

Entre as frentes estratégicas apontadas por Minc, destacam-se:

Pauta Ambiental Transversal: demonstrar a médicos, profissionais liberais e comerciantes como a crise climática e a privatização de bens públicos — como as praias e reservas naturais — afetam diretamente a economia, o turismo e a qualidade de vida.

Defesa da Saúde e da Ciência: dialogar com a classe média e trabalhadores da saúde reforçando os riscos do negacionismo científico e da retórica antivacina sustentada pela extrema-direita.

Juventude e Ruas: exaltar a força das manifestações estudantis recentes no centro do Rio de Janeiro, classificando a nova geração como a “vacina contra o autoritarismo”.

“Já vencemos a ditadura e vamos resistir outra vez”

Veterano das lutas democráticas no Brasil, Minc concluiu sua participação na TV 247 com uma mensagem de otimismo e engajamento, exortando a militância a não se deixar abater pelos reveses eleitorais locais e a apoiar a comunicação popular e independente.

“Eu sou um sobrevivente da ditadura militar. Enfrentamos a repressão, enfrentamos a ditadura, enfrentamos os piores momentos da crise ambiental no governo Bolsonaro e resistimos. Não é agora que vamos abaixar a cabeça. A resposta será dada nas ruas, no debate com a população e com o apoio à mídia alternativa e independente que leva a verdade ao povo brasileiro.”

Fonte: Brasil 247

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