Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
Por Camille Lima — Seu Dinheiro

Na peneira do Bank of America (BofA), nem todo bancão brasileiro passou de fase. Em um cenário de inadimplência mais pressionada, economia perdendo fôlego, eleições presidenciais no horizonte e incertezas sobre os juros, o banco norte-americano prefere separar as ações do setor em vez de comprar o pacote completo.
O Itaú Unibanco (ITUB4) largou na frente, eleito ao topo da seleção. Já Bradesco (BBDC4) também encontrou espaço entre os escolhidos, apoiado em uma relação de risco e retorno considerada atraente e no potencial de recuperação da operação.
Enquanto isso, o Banco do Brasil (BBAS3) ficou mais perto do escanteio, com os analistas recomendando cautela diante das pressões sobre a qualidade dos ativos.
Essa seletividade faz parte de uma tese maior do BofA para a América Latina. Para os próximos 12 meses, o banco espera que as diferenças nos cenários macroeconômicos e políticos dos países da região tenham papel importante no desempenho das ações.
Por que o Itaú é banco o favorito do BofA?
O Itaú aparece no topo da lista do BofA por reunir três características que os analistas consideram importantes para atravessar um cenário macroeconômico mais difícil: elevada rentabilidade, balanço sólido e uma execução considerada consistente.
A leitura do banco é que esses atributos dão ao Itaú maior capacidade de navegar por um ambiente de crescimento mais moderado sem depender exclusivamente de uma melhora rápida da economia.
O Bradesco também aparece entre as preferências brasileiras. Nesse caso, porém, o que chama a atenção é o potencial de recuperação da operação e uma relação de risco e retorno que o BofA considera atraente.
O caso do Banco do Brasil é mais cauteloso. Os analistas apontam que as pressões sobre a qualidade dos ativos continuam pesando sobre a tese de investimento, com incertezas em relação à recuperação da carteira agrícola.
Há ainda visibilidade limitada sobre os benefícios das medidas recentes do governo federal para reestruturação de dívidas.
“Permanecemos cautelosos devido às pressões contínuas sobre a qualidade dos ativos, a incerteza em torno da recuperação da carteira agrícola e a visibilidade limitada sobre os benefícios das recentes medidas de reestruturação da dívida”, afirmam os analistas.
Lucros, valuation e dividendos entram na conta
O banco espera que o Brasil registre crescimento dos lucros na casa de um dígito alto, ou seja, algo próximo de 10%. Ao mesmo tempo, vê uma combinação de valuation e remuneração aos acionistas que ajuda a sustentar a tese para o setor.
Na comparação com os demais mercados latino-americanos, os bancos brasileiros e mexicanos estão entre os que apresentam maior desconto pelo múltiplo preço/lucro (P/L), afirma o BofA.
Pelo múltiplo preço/valor patrimonial (P/VP), por outro lado, são os bancos chilenos que aparecem com as avaliações mais exigentes da região.
Outro ponto que joga a favor dos bancos brasileiros é a distribuição de proventos. Segundo o BofA, as instituições do Brasil oferecem uma das melhores perspectivas de rendimento de dividendos da América Latina, com dividend yield em torno de 7%. No México, a estimativa fica próxima de 6%.
De forma geral, o banco observa que os bancos latino-americanos apresentam retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) acima do custo do capital próprio, indicando que a rentabilidade continua sendo um dos principais pontos de sustentação do setor na região.
Ainda assim, o cenário doméstico exige alguma cautela. O BofA vê uma perspectiva de crescimento mais moderada para o Brasil antes das eleições presidenciais.
Uma eventual queda dos juros, por outro lado, pode ajudar a reverter parte dessa desaceleração e dar suporte à atividade econômica e aos resultados das empresas.
E os bancos fora do Brasil?
A mesma lógica de seleção aparece quando o BofA amplia o mapa para o restante da América Latina. O Peru aparece como o país com a oportunidade de crescimento bancário estrutural mais forte.
Por sua vez, Chile e Colômbia continuam sendo mercados em que a escolha individual das ações é mais importante.
No México, o BofA vê a melhor combinação regional de rentabilidade, capital e crescimento dos empréstimos. O principal ponto de atenção é a revisão do USMCA — acordo de livre-comércio entre Estados Unidos, México e Canadá —, que ainda representa uma fonte relevante de incerteza para a economia mexicana.
“Os bancos argentinos parecem estar com a avaliação mais atrativa da região, embora as lembranças da volatilidade pré-eleitoral do ano passado ainda estejam frescas e possam manter o sentimento dos investidores cauteloso no curto prazo”, afirma o banco.
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Fonte: Seu Dinheiro