Rodoviários do DF aprovam greve por reajuste salarial e acordo coletivo
Por Ana Gonçalves — Brasil de Fato
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
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Os rodoviários do Distrito Federal aprovaram, em assembleia realizada no domingo (20), uma greve geral a partir da próxima segunda-feira (28). A categoria reivindica reajuste salarial e a renovação do acordo coletivo de trabalho, vencido em 30 de julho. As negociações com as empresas ocorrem desde julho, mas ainda não resultaram em um acordo.
Entre as reivindicações estão a recomposição salarial da categoria, com possibilidade de ganho real, e a manutenção de cláusulas do acordo coletivo anterior. A pauta inclui jornada de seis horas corridas, tíquete e cesta-alimentação, planos de saúde e odontológico, quinquênio e garantia de emprego para cobradores.
De acordo com informações divulgadas após a assembleia, as negociações com as empresas ainda não avançaram. A categoria cobra a atualização dos salários referente ao período de um ano desde o último reajuste e reivindica também ganho real.
O acordo coletivo reúne outras condições de trabalho e benefícios que os rodoviários querem manter. Entre elas está a garantia de emprego para cobradores, mesmo após a retirada da circulação de dinheiro nos ônibus.
A aprovação da greve não encerra, porém, as negociações. Caso trabalhadores e empresas cheguem a um acordo antes, a paralisação pode ser suspensa.
Uma eventual paralisação pode atingir diferentes regiões do Distrito Federal porque o Serviço Básico de Transporte Público Coletivo é operado por diferentes empresas concessionárias. Até o momento, não há confirmação sobre quais linhas ou empresas terão a operação afetada com a greve a partir da próxima segunda (28).
O sistema é dividido em cinco bacias de operação. A Bacia 1 é atendida pela Piracicabana e reúne regiões como Brasília, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão, Sobradinho e Planaltina. A Bacia 2, operada pela Pioneira, atende áreas como Paranoá, Itapoã, São Sebastião, Gama e Santa Maria.
A Bacia 3 é operada pela HP-ITA/Urbi e abrange regiões como Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Recanto das Emas e Samambaia. A Bacia 4, da Marechal, inclui Guará, Águas Claras, Taguatinga e Ceilândia. Já a Bacia 5, operada pela Bsbus Mobilidade, atende regiões como Estrutural, Vicente Pires, Taguatinga, Ceilândia e Brazlândia.
Além das concessionárias privadas, o sistema conta com a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), empresa pública, e a cooperativa Cobrataete.
Ao Brasil de Fato DF, a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) e a Secretaria de Economia (SEEC) afirmaram estar monitorando as tratativas entre as concessionárias e o Sindicato dos Rodoviários do DF.
“É importante destacar que trata-se de uma relação empregatícia, onde é necessário o diálogo permanente entre as partes para assegurar a continuidade e a qualidade do transporte público coletivo à população”, diz a nota.
A aprovação da greve provocou reação do Governo do Distrito Federal. A governadora em exercício, Celina Leão (PP), afirmou que o GDF não pretende admitir pressão por reajuste durante o período eleitoral e informou que o governo solicitou uma auditoria dos contratos do sistema de transporte público.
Celina também afirmou que não considera este o momento adequado para discutir um reajuste da tarifa de transporte.
A declaração ocorre em meio a um sistema que envolve contratos de concessão com empresas privadas e recursos públicos destinados à operação do transporte coletivo. A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) mantém dados sobre passageiros pagantes, gratuidades e valores repassados pelo governo às concessionárias por meio da tarifa-técnica.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) também acompanha questões relacionadas ao financiamento do sistema. Entre os pedidos de informação apresentados na Casa estão dados sobre a metodologia de cálculo da tarifa-técnica, auditorias e os valores de subsídios pagos às empresas privadas em 2025 e previstos para 2026.
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Fonte: Brasil de Fato