Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
Por Monique Lima — Seu Dinheiro

O investidor estrangeiro não está comprando ações do Brasil em peso, mas está longe de ignorar as possibilidades locais. Essa é a principal conclusão de uma rodada recente de reuniões realizada pelos analistas do Bradesco BBI com gestores institucionais dos Estados Unidos.
Segundo relatório do banco, os investidores demonstraram interesse pelo país, mas o posicionamento das carteiras continua predominantemente neutro. Muitos gringos estão acompanhando os ativos brasileiros de perto enquanto aguardam um gatilho mais convincente para aumentar as apostas.
Os institucionais chegaram a escolher setores e ações para alocar, mas ainda têm dúvidas sobre o ritmo da desaceleração econômica, da trajetória da inflação e do momento em que o Banco Central cortará os juros de forma mais consistente.
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O que falta ao Brasil?
O principal gatilho, segundo o relatório, é a queda da taxa Selic.
Os investidores tentam entender se a economia brasileira está mesmo entrando em um processo mais consistente de desaceleração, condição necessária para que a inflação perca força e abra espaço para um novo ciclo de corte nos juros.
A projeção do Bradesco BBI é que a Selic encerre 2027 em 11% ao ano.
Mas o mercado ainda não comprou totalmente essa tese.
Os participantes das reuniões citaram inflação, câmbio e preços de petróleo e combustíveis como os principais riscos capazes de adiar ou reduzir o ritmo dos cortes de juros.
Ou seja, a aposta de que a desaceleração da economia permitirá uma Selic menor no futuro existe, mas ainda não há convicção suficiente para justificar um aumento agressivo de exposição às ações.
Por trás dessa cautela está uma preocupação adicional: a desaceleração da atividade será ordenada ou poderá se transformar em uma freada brusca da economia?
Há também uma preocupação entre os gringos de o remédio se tornar veneno.
O relatório afirma que eles demonstram receio com o ritmo de desaceleração diante da redução dos estímulos fiscais e da perda de força da expansão do crédito.
Bancos e instituições financeiras no topo
Os gringos têm suas preferências e elas se restringem quase totalmente às instituições financeiras.
O relatório indica que as discussões foram dominadas pelo setor financeiro e por empresas diretamente ligadas ao ciclo doméstico de juros.
Isso reforça a tese de o gatilho estar centrado no corte da Selic.
Se os juros diminuírem bastante, bancos, corretoras, bolsa de valores e companhias voltadas ao mercado interno tendem a se beneficiar desse alívio.
Por isso, BTG Pactual (BPAC11), B3 (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3) e XP (XPBR31) apareceram entre os nomes mais citados pelos investidores.
Mas, entre todas as empresas mencionadas, uma se destacou, segundo o banco.
O Nubank (ROXO34) concentrou grande parte das conversas dos investidores institucionais.
As perguntas giraram em torno da qualidade da carteira de crédito, do comportamento da inadimplência e da capacidade da companhia de sustentar sua expansão para os Estados Unidos sem deteriorar os resultados.
As ações brasileiras no radar dos gringos
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Fonte: Seu Dinheiro