Itamaraty teme ‘caça às bruxas’ em eventual governo Flávio Bolsonaro e mudança da embaixada em Israel

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – A apreensão toma conta do Ministério das Relações Exteriores diante da possibilidade de uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A diplomacia brasileira manifesta forte receio não apenas com uma possível “caça às bruxas” e guinadas ideológicas na pasta, mas também com a retomada de uma promessa do governo Jair Bolsonaro (PL): a alteração da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, informa Lauro Jardim, do O Globo.

A eventual transferência da sede diplomática carrega um peso geopolítico significativo, pois simboliza o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado israelense. A iniciativa é rejeitada pelos palestinos, que pleiteiam a cidade sagrada — de grande relevância espiritual para cristãos, judeus e muçulmanos — como capital de um futuro Estado autônomo.

Integrantes do Itamaraty enxergam a medida como um desgaste desnecessário. A avaliação de um diplomata de alto escalão traduz o sentimento predominante no órgão: “é uma provocação desnecessária”.

A ideia de mudar o posto representativo reproduz a diretriz adotada pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump. Em 2018, antes de assumir o Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro declarou que seguiria o movimento norte-americano, mas recuou posteriormente diante das pressões e repercussões negativas. Em vez da embaixada, o governo anterior optou por inaugurar apenas um escritório comercial sem atributos diplomáticos, ato que contou com a presença do agora ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

Embora o nome de Eduardo seja defendido por setores ideológicos para assumir o comando da política externa, a hipótese de sua indicação para o cargo foi descartada por Flávio Bolsonaro em sabatina à TV Globo. Nos bastidores do ministério, defende-se que o comando do Itamaraty continue sob a responsabilidade de um diplomata de carreira. Entre as alternativas comentadas nos corredores está o nome de Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Fonte: Brasil 247

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