CNBB defende Constituição e pede intercessão de Nossa Senhora após embate com Flávio Bolsonaro

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Publicado em 22 de Outubro de 2026 às 11:01

Agência FolhaPress

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São Paulo –  A cúpula da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) formulou nesta quarta (21) uma mensagem ao povo brasileiro que começa clamando por proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos e termina pedindo que Nossa Senhora Aparecida interceda pelo país.

O texto dos bispos católicos defende ainda a Constituição e a preservação do Estado Democrático de Direito, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.

Não há, como nunca houve em mensagens anteriores da CNBB, quaisquer menções a candidatos ou partidos. A manifestação, porém, ocorre semanas depois de o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ter acusado integrantes da entidade de colaborar com o PT na disseminação de uma notícia falsa envolvendo justamente Nossa Senhora Aparecida — a de que Flávio recuperaria um projeto de lei que a destitui do posto de padroeira do Brasil.

O senador classificou a informação como fake news. A proposta legislativa que serviu de referência para parte das publicações foi apresentada em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que 12 anos depois viraria assessor da Presidência de Jair Bolsonaro (PL).

O PL previa alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Não prosperou e acabou arquivado em 2008.

Não há nenhuma evidência sólida de que Flávio planejasse algo assim. A desconfiança de que o filho evangélico do católico Jair adotaria uma postura de viés teocrático, alinhada aos interesses evangélicos, ganhou força após a retomada de uma declaração feita por ele em agosto. Na ocasião, afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Caso vença Lula neste domingo (25), ele será o primeiro presidente pentecostal do Brasil.

Inspirada no versículo bíblico “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça”, a mensagem da CNBB enumera compromissos que os bispos esperam dos eleitos, como a garantia de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança, além da proteção ambiental e da defesa dos direitos humanos.

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Em texto assinado por seu conselho permanente, a entidade reafirma a importância da Constituição e do “respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam”.

Passado o primeiro turno, Flávio chegou a dizer que mudaria a Carta Magna brasileira — depois afirmou que o que planeja fazer é usar a maioria de direita no Congresso para propor, via PEC (proposta de emenda à Constituição), reformar o STF (Supremo Tribunal Federal), reduzir a maioridade penal, instituir a castração química para estupradores e acabar com a reeleição.

O documento católico incentiva a participação consciente dos eleitores e classifica como inadmissível “ameaçar ou pressionar eleitores, bem como negociar votos”.

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Também destaca a responsabilidade dos cidadãos para além do momento da votação. Segundo os bispos, cabe à população fiscalizar os governantes, reivindicar direitos e exercer a crítica responsável.

Para isso, acrescentam, são necessárias informação confiável, liberdade de expressão e proteção a quem denuncia injustiças. “Atentos aos pobres, aos ameaçados e aos que trabalham pela justiça, continuemos responsáveis uns pelos outros e pelo nosso país.”

O documento termina com um apelo à superação da indiferença e à construção de uma convivência “fundada na verdade, na fraternidade e na paz”, sob a intercessão de Aparecida.

A dias do primeiro turno, Flávio afirmou que o PT teria conseguido disseminar a notícia falsa sobre a padroeira “com a ajuda de gente dentro da CNBB”.

Presidida por dom Jaime Spengler, a entidade reagiu no dia seguinte, negando ter autorizado a divulgação de qualquer fake news que fosse. Disse ainda que não integra estruturas político-partidárias e que manifestações eleitorais decorrem de sua missão pastoral. “A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou.

A uma semana do primeiro turno, durante agenda em São Paulo, Flávio agradeceu publicamente à entidade pela manifestação, dizendo que ela esclarecia que a história sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida era uma mentira.

No 12 de outubro, data dedicada à padroeira, ele participou de uma missa em homenagem à santa na Catedral de Brasília. Lula fez o mesmo, numa capela do Palácio da Alvorada.

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