Indiciado por fraudes no INSS negocia cargos no governo Cleitinho para voltar à Câmara

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), indiciado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi flagrado oferecendo cargos no futuro governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais, em uma articulação para garantir sua permanência na Câmara dos Deputados.

Segundo a coluna Brasília Hoje, da Folha de São Paulo, a negociação ocorreu na quarta-feira (7), durante um evento em que o Republicanos anunciou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A reportagem presenciou Pettersen abordar o deputado federal reeleito Gilberto Abramo (Republicanos-MG) e oferecer a ele a possibilidade de assumir uma secretaria estadual.

Pettersen, que preside o Republicanos em Minas Gerais, disputou a reeleição para a Câmara, mas não conseguiu conquistar um novo mandato e ficou na primeira suplência da legenda. Sua estratégia seria viabilizar a nomeação de Abramo para o primeiro escalão do governo estadual, abrindo uma vaga na bancada federal que permitiria seu retorno ao Congresso Nacional.

Durante a conversa, realizada no estacionamento do evento, Pettersen afirmou que Abramo poderia escolher qualquer pasta do futuro governo mineiro. “Escolhe qualquer uma, qualquer uma”, disse o parlamentar, conforme relato da Folha.

O deputado também explicou que poderia assumir pessoalmente uma secretaria estadual, mas que sua preferência era permanecer em Brasília, exercendo o mandato de deputado federal.

Abramo respondeu que os dois poderiam discutir a proposta posteriormente. Pettersen, no entanto, reiterou a oferta e insistiu na possibilidade de escolha de qualquer secretaria.

Ainda de acordo com a reportagem, ao perceber que Cleitinho Azevedo entrava em um veículo, Pettersen chamou o governador eleito e conduziu Abramo até ele.

Procurado pela Folha de S.Paulo, Pettersen negou estar negociando cargos no futuro governo estadual. “Não procede essa informação, quem tem legitimidade de indicar alguém é o Governador eleito”, declarou.

A eventual saída de Gilberto Abramo da Câmara para integrar o governo de Minas Gerais permitiria que Pettersen, na condição de primeiro suplente, assumisse uma cadeira na Casa. Além de Abramo, o Republicanos elegeu Bruno Farias e Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho.

Polícia Federal aponta recebimento de R$ 14,7 milhões em propinas

A articulação política ocorre enquanto Pettersen enfrenta acusações relacionadas ao esquema de descontos associativos fraudulentos em benefícios previdenciários, investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto.

Em julho, o parlamentar foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, responsável por avaliar a apresentação de denúncia à Justiça.

De acordo com o relatório da PF, Pettersen teria recebido pelo menos R$ 14,7 milhões em pagamentos ilícitos realizados de maneira fracionada. Os valores teriam circulado por contas utilizadas como intermediárias, vinculadas a estabelecimentos lotéricos e empresas de fachada.

Os investigadores também atribuem ao deputado uma função central na sustentação política do grupo suspeito de operar as fraudes previdenciárias.

Segundo a apuração policial, Pettersen teria atuado como um dos principais articuladores da organização no Congresso Nacional e no próprio INSS, dando respaldo à indicação de procuradores e diretores envolvidos no esquema.

A influência política exercida pelo parlamentar teria contribuído para assegurar a permanência de integrantes do grupo em posições estratégicas, permitindo a continuidade das irregularidades investigadas.

Documentos recolhidos pela Polícia Federal também apontam que Pettersen era identificado como “herói” em planilhas utilizadas pelos investigados, expressão que, segundo a investigação, evidencia a importância atribuída ao deputado dentro do esquema.

Investigação aponta lavagem de dinheiro na pecuária e ocultação de aeronaves

Além das suspeitas de corrupção e participação em organização criminosa, a Polícia Federal identificou possíveis mecanismos utilizados para ocultar a origem dos recursos obtidos ilegalmente.

Conforme o relatório policial, parte do dinheiro teria sido direcionada a atividades pecuárias no município de Aripuanã, em Mato Grosso.

A investigação menciona operações relacionadas a propriedades rurais, incluindo desmatamento químico de fazendas, como parte das movimentações suspeitas de lavagem de dinheiro.

Outro ponto identificado pelos investigadores envolve a suposta ocultação de aeronaves, que também teriam sido utilizadas para dissimular patrimônio associado aos recursos ilícitos.

As conclusões integram o conjunto de elementos reunidos pela Polícia Federal para fundamentar o indiciamento do parlamentar.

Deputado nega participação no esquema do INSS

Após o indiciamento, em julho, Euclydes Pettersen divulgou uma nota em que rejeitou as acusações e afirmou não ter cometido irregularidades.

Na manifestação, o deputado sustentou que o indiciamento policial não representa uma condenação judicial e criticou a condução da investigação, alegando que a Polícia Federal não teria “examinado uma única linha da defesa” antes de apresentar suas conclusões.

“Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para o cargo no INSS”, afirmou Pettersen.

O parlamentar permanece na condição de investigado, e as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal ainda dependem da avaliação do Ministério Público e de eventual apreciação judicial.

Fonte: Brasil 247

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