Imprensa internacional vê eleição apertada no Brasil e resultado que pode mudar os rumos da América Latina
Por otero — Fundação Perseu Abramo
A poucos dias do primeiro turno, a eleição brasileira chama a atenção da imprensa internacional. Além da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, as análises observam o peso das redes sociais na campanha e o que o resultado poderá significar para as relações do Brasil com os Estados Unidos, a China e seus vizinhos.
Na Alemanha, o Amerika21 registra a vantagem de Lula nas pesquisas de primeiro turno e destaca os temas que mobilizam o eleitorado: segurança pública, preços altos e jornada de trabalho.
Para o cientista político Sergio Abranches, em artigo no The Conversation, a campanha está mais fria do que se esperava. Ele aponta a pouca movimentação nas ruas e a concentração da disputa nas plataformas digitais. Nas pesquisas espontâneas que analisou, cerca de 30% dos eleitores ainda não haviam indicado um candidato. Abranches considera a eleição apertada e evita antecipar um resultado de segundo turno.
O peso da eleição para a região
No Le Monde diplomatique, José Natanson pergunta por que a reeleição de Lula está longe de ser certa. O jornalista associa a disputa ao mal-estar com renda, trabalho e endividamento. Em sua avaliação, o resultado também influenciará o rumo político da América Latina nos próximos anos.
A Deutsche Welle olha para a política externa. Após Lula afirmar na ONU que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, a emissora contrapõe sua defesa do multilateralismo à aproximação de Flávio Bolsonaro com Donald Trump. A reportagem lembra que Flávio já propôs rever a permanência do Brasil no Brics, embora a importância comercial da China imponha limites a uma mudança de rumo.
Bets entram na reta final
A proibição das bets também repercutiu fora do país. O uruguaio La Diaria destacou o anúncio feito por Lula na sexta-feira, 25 de setembro, a nove dias da votação. A medida provisória proíbe as apostas esportivas de quota fixa e os jogos online, além da publicidade dessas empresas. Flávio Bolsonaro chamou a decisão de “populista, hipócrita e eleitoreira”.
No argentino La Nación, Eduardo Sincofsky descreve um clima de “ressaca emocional” após anos de polarização. Ele cita o endividamento como uma das preocupações do eleitorado. O índice de 82% mencionado no artigo corresponde às famílias com dívidas a vencer, segundo a Confederação Nacional do Comércio.
Segundo o TSE, 918.876 brasileiros residentes no exterior estão aptos a votar em 2026, exclusivamente para presidente e vice-presidente. O TRE-DF prevê 1.310 seções fora do país, das quais 1.282 usarão urnas eletrônicas. As mulheres representam 57% desse eleitorado.
Fonte: Fundação Perseu Abramo