Multinacional australiana avança com saque de terras raras no Sul de MG e busca parceria com EUA
Por Abayomi Abebe — Esquerda Diário

Na última semana, a multinacional Power Minerals, da Austrália, divulgou que avançou em estudos para avançar com seu projeto “Morro do Ferro” para explorar os elementos de terras raras na região sul de Minas Gerais.
Esse é o terceiro projeto encabeçado por multinacionais australianas que busca avançar na extração de minérios no Sul de Minas, já havendo o “Projeto Colossus” pela Viriding Mining and Minerals e o “Projeto Caldeira” pela Meteoric Resources, empresa ligada diretamente ao Donald Trump Jr.
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A Power Minerals declarou em agosto que vem buscando financiamento de diversos países imperialistas, mas especialmente dos EUA, após terem sido recebidos em Washington por Donald Trump. Em entrevista, declaram que não têm interesses em negociar com a China e que buscam preferencialmente comercializar com os norte-americanos frente a disputa geopolítica em curso.
O avanço desses projetos, que somam dezenas de milhões de toneladas de minérios críticos tanto para a transição energética quanto para a confecção de materiais de guerra de última geração, vem junto com um avanço feroz do imperialismo yankee na América Latina em embate direto com a China.
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A Power Minerals já estava em terras latinoamericanas extraindo recursos de salmoura de lítio na Argentina e na exploração e desenvolvimento de ativos de elementos de terras raras, nióbio e outros minerais críticos no Brasil.
O projeto “Morro do Ferro” foi adquirido definitivamente em abril deste ano, por míseros 80 milhões de reais, quando a multinacional australiana comprou a empresa Mineração Terras Raras S.A. Somente nesse projeto, estima-se inicialmente a concentração de 9,2 a 10,7 milhões de toneladas de elementos terras raras a serem exploradas.
No “Projeto Caldeira”, que acontece ao lado, a estimativa de preço por quilo é de 32,80 a 60 dólares, o que significaria um lucro multibilionário (de 2 a 5 bilhões de dólares já considerando deduções). Se transpormos os preços para o Projeto Morro do Ferro, seria um projeto ainda mais lucrativo.
Os projetos estão sendo negociados diretamente com o governo do Zema, que serve como um capacho do imperialismo e autoriza que saqueiem nossos recursos, deixando para trás apenas os rejeitos, os danos ambientais e cicatrizes incuráveis, como Mariana e Brumadinho. É inaceitável que empresas imperialistas venham avançando com seus projetos de retornos multibilionários em pleno território brasileiro enquanto a população tem que engolir a seco os cortes de gastos públicos sob o Arcabouço Fiscal, a manutenção da 6×1 e a inflação avançando e corroendo o nosso poder de compra. Não podemos permitir que nossos bens comuns naturais sejam saqueados para o esforço bélico dos países imperialistas, que vão usar as tecnologias para oprimir ainda mais diversos povos, para estraçalhar gerações inteiras de trabalhadores, para gerar ainda mais exploração e degradação ambiental!
Não é à toa que vemos Trump buscando intervir nas eleições em favor de seu cachorrinho Flávio Bolsonaro. Ele o faz assim por saber que seu vassalo não só estenderá tapete vermelho para que o imperialismo saqueie o Brasil, mas o fará lambendo orgulhosamente suas botas. Os EUA acabaram de sofrer uma derrota estratégica no Irã, onde ficou provado que os seus gastos trilionários em equipamentos de guerra não significa um passe livre para derrubar regimes e modelar o mundo a bel prazer. Por isso vêm buscando aprofundar a dependência dos países da América Latina, por bem ou por mal, e isso exige uma resposta à altura.
Até agora, o que vimos foi uma frente ampla liderada por Lula que busca atuar entregando moderadamente o que o imperialismo quer, fazendo a entrega ora com momentos de retórica forte e ora com momentos de afago com o imperialismo. O próprio governo federal nunca levou à frente sequer a ideia de uma estatal para as Terras Raras, algo elementar, dizendo, ao contrário, que abriria as portas para “qualquer um vir explorar”, se limitando a dizer que não seria apenas os EUA como se fosse alguma resposta ao trumpismo.
Não podemos normalizar que a resposta aos vassalos entreguistas seja um entreguismo moderado! Não podemos aceitar que nossos bens comuns naturais estejam a serviço da máquina bélica do imperialismo, que atua somente ao interesse da burguesia, como foi e está sendo no genocídio do povo palestino. As terras raras e o petróleo têm que ser nossos, explorados com empresas de financiamento estatal sob gestão operária junto a especialistas e com controle social. Precisamos impor soberania sob nossos bens comuns naturais a partir da luta, com a nacionalização das nossas terras e do petróleo, reivindicando o controle estatal sob o comércio internacional. É só assim que poderemos utilizar os nossos recursos para o nosso benefício, e não do imperialismo, que tem que ser extirpado de toda a América Latina!
Fonte: Esquerda Diário