Hospital que realizou primeiro transplante de coração em Goiás vai a leilão por R$ 28,2 milhões

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Por Giovanna Campos — Jornal Opção

Hospital que realizou primeiro transplante de coração em Goiás vai a leilão por R$ 28,2 milhões

O imóvel onde funcionou o Hospital Santa Genoveva, em Goiânia, começa a ser leiloado nesta quinta-feira, 1º, com lance mínimo de R$ 28,27 milhões. O complexo hospitalar, localizado na Avenida Concórdia, no Setor Santa Genoveva, ocupa um terreno de 53.321,46 metros quadrados e possui cerca de 11,8 mil metros quadrados de área construída. O leilão ocorre no processo de falência do Grupo Hospital Santa Genoveva.

A primeira etapa do leilão começa às 15h30 desta quinta-feira e recebe propostas até 5 de outubro. Caso não haja arrematação, uma segunda chamada será aberta, com o lance mínimo reduzido para R$ 14,135 milhões, equivalente a 50% do valor de avaliação. Na terceira etapa, prevista para ocorrer até 5 de novembro, serão aceitos lances de qualquer valor, sujeitos à apreciação judicial.

O imóvel será vendido como um único lote. A estrutura ainda reúne características de um complexo hospitalar, com bloco cirúrgico, salas de terapia intensiva, radiologia, apartamentos, laboratório, lactário, banco de sangue e áreas de apoio.

Local é marcado pela história da medicina em Goiás

Apesar de atualmente estar fora de funcionamento, o endereço ocupa um lugar importante na história da medicina goiana. Foi no Santa Genoveva que ocorreu, em 1992, o primeiro transplante de coração realizado em Goiás.

A cirurgia foi realizada em fevereiro daquele ano no paciente Antônio Justo Moya, então com 44 anos. O procedimento começou durante a madrugada e terminou por volta das 6h. Uma equipe formada por cerca de 50 profissionais participou da operação, coordenada pelo cirurgião cardiovascular Aleksander Dobrianskyj.

Moya recebeu o coração de Bernardino Tavares Bezerra, de 22 anos, que havia sofrido um acidente de motocicleta e teve morte cerebral. O órgão foi retirado e transplantado no mesmo dia. Segundo o registro publicado pelo Diário da Manhã na época, a equipe considerou o procedimento tecnicamente bem-sucedido.

O paciente recebeu alta 23 dias depois da cirurgia. Em abril de 1992, dois meses após o transplante, Moya já relatava recuperação e levava uma vida praticamente normal, segundo reportagem do Diário da Manhã.

Hospital também foi pioneiro em cirurgia cardíaca

A importância do Santa Genoveva para a medicina goiana começou antes do transplante.

Em 1970, o hospital realizou a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea em Goiás. O procedimento marcou a implantação de um centro de cirurgia cardíaca na unidade. O serviço de hemodinâmica também foi implantado no hospital em 1974.

O projeto do hospital havia começado ainda na década de 1960, quando o médico Francisco Ludovico de Almeida Neto decidiu criar uma unidade voltada à assistência médica e ao desenvolvimento de serviços especializados.

Ao longo dos anos, o Santa Genoveva ampliou sua estrutura e chegou a reunir mais de 200 médicos, cerca de 300 funcionários e 150 leitos.

De referência médica à falência

Depois de décadas de funcionamento, o hospital enfrentou dificuldades financeiras e deixou de atender pacientes entre 2016 e 2017. O processo de falência do Grupo Hospital Santa Genoveva tramita na 21ª Vara Cível de Goiânia.

É nesse processo que o imóvel está sendo levado à venda judicial. O objetivo é transformar o patrimônio em recursos para o processo de falência, conforme as regras estabelecidas no edital.

O imóvel será alienado livre de ônus e, segundo o edital, o comprador não assumirá as obrigações do devedor, inclusive aquelas de natureza tributária, trabalhista e acidentária, conforme previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências.

Como participar do leilão

O leilão é realizado exclusivamente pela internet, por meio da plataforma do Leilões Brasil, sob responsabilidade do leiloeiro oficial Antônio Brasil II.

A primeira chamada ocorre de 1º a 5 de outubro, com lance mínimo de R$ 28,27 milhões. Se não houver comprador, a segunda etapa segue até 20 de outubro, com valor mínimo de R$ 14,135 milhões. A terceira chamada vai até 5 de novembro e permite a apresentação de lances sem valor mínimo previamente estabelecido, que ficarão sujeitos à análise do Judiciário.

O pagamento pode ser feito à vista ou de forma parcelada, conforme as condições estabelecidas no edital. A comissão do leiloeiro corresponde a 6% do valor da arrematação.

O leilão representa o próximo capítulo de um imóvel que, por décadas, foi associado à assistência médica em Goiás e que, em 1992, entrou para a história da medicina do estado ao sediar o primeiro transplante cardíaco realizado em território goiano.

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Fonte: Jornal Opção

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