Governo Lula reage às ameaças de Eduardo Bolsonaro ao Itamaraty
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Marcelo Costa, reagiu às novas ameaças feitas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro contra a atual gestão do Ministério das Relações Exteriores. O diplomata acusou o filho de Jair Bolsonaro de tentar intimidar servidores públicos, disseminar desinformação e defender interesses estrangeiros em detrimento dos brasileiros.
Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, Costa, que ocupa o segundo posto mais importante da pasta responsável pela articulação política do governo Lula, publicou uma manifestação no Instagram em resposta a declarações de Eduardo Bolsonaro sobre mudanças que pretende ver implementadas no Itamaraty a partir de 2027.
“Mais uma vez testemunhamos uma lamentável tentativa de intimidação e ataque ao Itamaraty por parte do ex-deputado Eduardo Bolsonaro”, afirmou o secretário-executivo.
O diplomata também criticou os grupos atingidos pelas manifestações do ex-parlamentar. “Os alvos são sempre os mesmos: os servidores públicos, a sociedade civil (no fundo, a própria essência da democracia) e as mulheres em particular”.
Costa acrescentou que a postura de Eduardo Bolsonaro estaria relacionada à defesa de interesses externos. “Trata-se claramente de mais uma tentativa por parte dele de disseminar desinformação e sorrateiramente defender interesses estrangeiros e não dos brasileiros”.
Eduardo Bolsonaro critica órgãos de diversidade e gênero
A reação ocorreu depois que Eduardo Bolsonaro publicou uma mensagem criticando duas estruturas existentes no Ministério das Relações Exteriores: a Assessoria de Participação Social e Diversidade e a Assessoria Especial para a Transversalização de Gênero.
Na publicação, o ex-deputado questionou a existência desses órgãos e associou seu funcionamento ao uso de recursos públicos.
“Não é piada. É o seu imposto”, escreveu.
Eduardo também afirmou que “isso não é diplomacia, é aparelhamento”, antes de sinalizar a intenção de extinguir essas estruturas caso haja uma mudança de governo.
“Se Deus quiser, em 2027 isso acaba”, declarou.
A referência a 2027 está relacionada à possibilidade de vitória de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na eleição presidencial deste ano. Eduardo, que atualmente vive nos Estados Unidos, é mencionado como possível ministro das Relações Exteriores em uma eventual administração comandada pelo senador.
Diplomatas temem retaliações em eventual governo de Flávio Bolsonaro
As declarações de Eduardo Bolsonaro provocam preocupação entre servidores do Itamaraty, especialmente diante da possibilidade de mudanças na condução da política externa brasileira após as eleições presidenciais.
De acordo com a reportagem, há um clima de apreensão entre integrantes da carreira diplomática em razão das ameaças públicas feitas pelo ex-deputado e da perspectiva de retaliações contra funcionários do ministério em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Eduardo já havia prometido “faxina” no Itamaraty
No final de setembro, Eduardo Bolsonaro divulgou um vídeo no qual prometeu promover uma “faxina” no Ministério das Relações Exteriores.
A declaração foi apresentada como uma ameaça de punição a diplomatas que, na avaliação do ex-deputado, teriam sabotado a administração de seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247