Foragido por tráfico e abandonado por comparsas em rio, piloto brasileiro morre com ‘bactéria devodora de carne’

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – O piloto brasileiro Márcio Uebel Hübner, de 49 anos, procurado por suspeita de envolvimento com o tráfico internacional de drogas, morreu sob custódia após desenvolver uma grave infecção na Colômbia. Ele era apontado pelas autoridades brasileiras como o piloto de uma aeronave que transportava 656 quilos de cocaína e fez um pouso forçado no interior de São Paulo em 2022.

Segundo informações do jornal colombiano El Tiempo, Hübner foi abandonado ferido por comparsas nas proximidades de um rio antes de ser levado para atendimento médico. Durante a internação, a infecção avançou rapidamente e provocou necrose em partes de suas extremidades, quadro associado à chamada “bactéria comedora de carne”.

Ao chegar ao hospital, a identidade do brasileiro foi verificada pelas autoridades. Uma consulta aos sistemas migratórios mostrou que havia contra ele um alerta internacional ligado à Interpol. A partir da confirmação, Hübner permaneceu sob custódia da Polícia Nacional da Colômbia.

O caso foi encaminhado à Direção de Assuntos Internacionais da Procuradoria-Geral da Nação colombiana, que passou a tratar dos procedimentos relacionados ao pedido apresentado pelo Brasil. Enquanto isso, médicos avaliavam a possibilidade de uma intervenção cirúrgica para conter a infecção.

O estado de saúde, porém, continuou a piorar. Além da necrose nas extremidades, o brasileiro apresentou falência múltipla de órgãos. Hübner morreu em 20 de agosto de 2026, cinco dias depois de ter sido identificado e colocado sob custódia, no Hospital Renacer Intercultural.

Durante o período em que permaneceu foragido, Hübner teria circulado entre Brasil, Venezuela e Colômbia. De acordo com as informações obtidas pelo El Tiempo, sua experiência como piloto teria sido utilizada no transporte de carregamentos de cocaína entre os três países.

As investigações também apontavam uma possível ligação do brasileiro com estruturas associadas a Iván “Mordisco”, um dos principais líderes das dissidências das antigas Farc e um dos homens mais procurados pelas autoridades colombianas. A apuração buscava ainda esclarecer a relação de Hübner com uma empresa de aeronaves e identificar aviões, matrículas e trajetos que poderiam ter sido utilizados nas operações.

A origem do processo contra Hübner no Brasil remonta a julho de 2022. Na ocasião, autoridades detectaram uma aeronave que transportava cerca de 656 quilos de cocaína com destino ao interior paulista. O avião acabou realizando um pouso forçado em Jales, no noroeste do estado, e a droga foi apreendida.

A investigação posterior identificou Hübner como o piloto da aeronave e atribuiu a ele participação na logística e na execução do transporte da carga. O processo envolvia acusações de tráfico de drogas e associação criminosa, e os registros do pedido internacional indicavam que ele poderia receber pena de até 40 anos de prisão.

Em 16 de junho de 2026, o Primeiro Juizado Federal de Jales expediu um mandado de prisão contra Hübner. No dia seguinte, as autoridades brasileiras formalizaram o pedido internacional para que países integrantes da Interpol localizassem e prendessem provisoriamente o brasileiro com objetivo de extradição.

A morte na Colômbia impediu que o procedimento de extradição fosse concluído e que Hübner comparecesse à Justiça brasileira para responder ao processo relacionado ao carregamento apreendido em 2022. As investigações ainda mantinham linhas abertas sobre os voos realizados durante o período em que ele permaneceu fora do alcance das autoridades e sobre a extensão de seus contatos com redes criminosas atuantes na região amazônica.

Fonte: Brasil 247

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