Flávio Bolsonaro quer privatizar praias, afirma Freixo

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O plano de governo do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) representa um risco direto ao livre acesso da população às praias com propostas de privatização de espaços públicos, além de ameaçar o recorde de mais de 9 milhões de turistas estrangeiros atingido pelo Brasil em 2025. O alerta foi feito por Marcelo Freixo (PT), ex-presidente da Embratur durante o governo Lula e deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, em entrevista à Folha de São Paulo.

Freixo ressaltou que as parcerias público-privadas no setor de turismo são naturais e benéficas quando aplicadas corretamente, mas criticou severamente as intenções da candidatura adversária. “Apresentamos os nossos números à AirFrance e hoje temos voos [de Paris] para Fortaleza, para Salvador… Também tivemos parcerias público-privadas que viabilizaram investimentos em aeroportos por todo o país”, exemplificou. “Esses são exemplos concretos de boas relações público-privada. O problema é que eles querem, fundamentalmente, a privatização de espaços públicos, como as praias”.

A preocupação com o segundo turno das eleições é grande em todo o setor turístico, segundo o ex-presidente da Embratur, devido aos resultados inéditos alcançados durante o governo Lula (PT). “Quando eu assumi a Embratur, nós tínhamos 3,5 milhões de turistas visitando o Brasil. Hoje temos 9,3 milhões – aumentamos em 3 vezes, sendo que o Brasil nunca tinha passado de 6,5 milhões. Nós construímos uma política pública de promoção do Brasil no mundo que deu muito certo, que está gerando emprego e renda. É todo um trabalho feito, e há um temor muito grande que se acabe”, afirmou.

Para atingir esses patamares, Freixo explicou que foi necessário profissionalizar o órgão, que no governo de Jair Bolsonaro (PL) funcionava como “cabide de emprego”. “Nós cortamos isso e construímos uma equipe técnica muito reconhecida, que criou um centro de inteligência de dados que nunca existiu antes”, disse ele. “Temos uma experiência muito concreta do que foi feito em um governo, e do que foi feito no outro, né? É incomparável”.

O ex-presidente da agência destacou que a criação do centro de inteligência de dados é uma inovação exclusiva do atual governo que direciona as políticas públicas do setor. “A Embratur criou um centro de inteligência de dados que hoje nos permite saber qual país mais vem para cá, quando vem, quanto gasta, para que lugar do Brasil o turista vai, quando ele procura e quando ele compra passagem, o dinheiro que ele gasta aqui, uma média por cada país. Isso nunca existiu antes”, pontuou.

A recuperação da imagem internacional do país e as relações diplomáticas também foram decisivas para o crescimento no número de visitantes. Freixo lembrou dos retrocessos ocorridos na gestão anterior, destacando que “no governo Bolsonaro, tivemos um problema diplomático grave entre o governo Bolsonaro e a França, inclusive com ofensas pessoais à primeira-dama, sendo que a França é um dos países da Europa que mais manda turistas para cá”.

Ele acrescentou que o negacionismo ambiental da gestão passada afetou gravemente a atração de viajantes. “Na Europa hoje há um consenso que os turistas se deslocam para países que têm responsabilidade climática, responsabilidade ambiental. Então, um país que reduz desmatamento da Amazônia atrai turistas”, explicou, mencionando ainda episódios constrangedores promovidos por gestores anteriores: “o ex-presidente da Embratur no governo Bolsonaro foi o Gilson Sanfoneiro, uma pessoa que foi numa conferência internacional na Europa falar mal do presidente da França. É inimaginável, mas isso aconteceu. Foi um constrangimento absurdo no mercado do turismo internacional. Dependendo de quem está à frente, há um impacto no número de turistas que vêm para cá”.

Ao ser questionado sobre a indicação de cargos do Ministério do Turismo a partidos do centrão, Freixo avaliou a medida como parte da governabilidade. “O governo tem sempre que compor, todos os governos compõem. Ainda assim, tivemos uma parceria muito grande com o Ministério do Turismo. Não deixamos de trabalhar juntos, mesmo sendo de um outro campo político. Isso é normal nos governos”, afirmou.

Visando resguardar a estrutura construída, Freixo destacou a realização de concurso público para a agência, embora reconheça riscos dependendo de quem assuma a gestão. Em caso de reeleição do presidente Lula, o objetivo é consolidar o Brasil como o principal destino da América do Sul — posto já alcançado após superar Colômbia, Argentina e Peru —, além de expandir a atração de turistas chineses e aumentar a oferta de voos.

Na avaliação de Freixo, o turismo deve desempenhar papel central na reta final da campanha eleitoral por dialogar diretamente com a geração de renda e a economia popular. “O turismo é o primeiro emprego de muita gente, num hotel, num restaurante. Ele fala com o sonho de quem quer consumir, e com o sonho de quem quer trabalhar. Falei com presidente que não adianta a gente ficar falando do passado. É verdade que nós fizemos muita coisa, mas essa campanha será ganha por quem apresentar o melhor futuro. Eu acho que o turismo que nós construímos apresenta o melhor futuro”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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