Flávio Bolsonaro embarcou em viagens com Willer Tomaz e Weverton Rocha, investigados no escândalo do INSS

0

Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Registros obtidos pela Polícia Federal (PF) revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, realizou ao menos cinco viagens internacionais no primeiro semestre de 2025 em companhia do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de integrar um esquema de fraudes e desvios de recursos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), informa o jornal O Globo. A aproximação entre ambos envolve ainda o compartilhamento de imóveis, voos em jatinhos particulares e atuação conjunta em processos judiciais.

A identificação dos deslocamentos internacionais ocorreu após a PF analisar o celular e a caixa de e-mails de Tomaz, apreendidos durante mandados de busca e apreensão cumpridos em seu escritório, em Brasília, no mês passado. O acervo de provas reúne fotografias, bilhetes aéreos, comprovantes de reservas e contratos de aluguel de veículos. Entre os arquivos, destaca-se uma viagem de uma semana realizada em março de 2025 à África do Sul — nove meses antes de o parlamentar se lançar à corrida presidencial —, que incluiu um safári e contou com a presença do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado no escândalo do INSS. Uma das fotos encontradas pelos agentes mostra Flávio, Weverton e Tomaz acompanhados de crianças na savana, todos vestindo camisetas padronizadas com a inscrição “Big Five”, termo utilizado no turismo de safári para designar os cinco grandes animais locais (elefante, leão, leopardo, rinoceronte e búfalo).

A apuração da PF demonstra que a rotina de voos para fora do país teve sequência nos meses seguintes. Em abril de 2025, Flávio e Tomaz embarcaram juntos com destino a Portugal, retornando no mesmo voo poucos dias depois. No mês posterior, em maio, os dois voltaram ao continente europeu acompanhados por suas famílias, em um roteiro que contemplou passagens por Portugal e pela França. Mensagens de e-mail analisadas pela polícia indicam que, antes do embarque, uma representante da agência de viagens contratada pelo escritório de Tomaz alinhou com uma funcionária do advogado o aluguel de veículos para traslados executivos em Lisboa, capital portuguesa, e em Nice, no sul da França.

Além das passagens pela Europa e pela África, os investigadores mapearam viagens aos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump, Flávio, sua esposa e suas duas filhas embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília, ao lado do advogado e de seus familiares. O grupo voou em um jatinho particular pertencente à empresa Prime You, que teve como sócio Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, até setembro de 2025. Meses antes da posse, em janeiro, Flávio e Tomaz também haviam passado parte de um fim de semana juntos no hotel Hard Rock Hotel e Casino, na região de Miami. Em maio do mesmo ano, o senador e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, voltaram à Flórida com o advogado a bordo de uma aeronave emprestada por um empresário representado juridicamente por Tomaz.

No âmbito da investigação sobre as fraudes no INSS, o relatório da Polícia Federal aponta que Willer Tomaz atuava como um centralizador estratégico (“hub financeiro, patrimonial e logístico”) para dar sustentação a envolvidos no esquema. A estrutura contava com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros para lavar ou ocultar valores desviados das aposentadorias. Entre os elementos citados na representação policial está o repasse de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado para a esposa do senador Weverton Rocha, apontado pela PF como liderança política do grupo.

As revelações sobre a convivência de Flávio com Tomaz expõem também o uso compartilhado de bens imobiliários. No mês passado, o advogado cedeu um apartamento localizado na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para utilização do senador durante compromissos políticos. O uso do imóvel virou alvo de questionamento por adversários no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o argumento de que a cessão deveria ter sido declarada como doação de campanha. A propriedade também se vincula ao ecossistema do Banco Master: antes de pertencer a Tomaz, o apartamento estava em nome de Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela PF como principal operador financeiro de Vorcaro, banqueiro preso sob suspeita de comandar fraudes no sistema financeiro nacional.

A relação entre o parlamentar e o advogado antecede os fatos investigados e inclui compromissos profissionais e de lazer. Em julho, levantamentos mostraram que Flávio e Tomaz advogam juntos em processos judiciais, incluindo uma disputa empresarial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que envolve a execução de R$ 159 milhões. O senador também costuma frequentar propriedades do advogado, como uma casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), e o “Rancho Tomaz”, localizado em Planaltina (DF), local utilizado para encontros políticos.

Procurado para comentar o teor das investigações e das imagens apreendidas, Flávio Bolsonaro declarou que mantém uma “relação de amizade” “legítima” com Tomaz e afirmou que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. O parlamentar não respondeu se teve despesas custeadas pelo advogado. Em nota, Willer Tomaz afirmou que as viagens “são de caráter estritamente privado”, decorrentes de uma “relação de amizade pessoal de longa data”, e que foram “custeadas com recursos próprios”. Ele declarou ainda que “jamais manteve” relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro, e não respondeu sobre a cessão do apartamento. Já o senador Weverton Rocha afirmou que sua ligação com o advogado é de compadrio e amizade antiga, tratando-se de relações privadas sem uso de verbas públicas.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *