Fachin suspende procedimento de Gonet para investigar policiais por relatório sobre mensagens de Vorcaro a Moraes
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) o procedimento instaurado para apurar a conduta de delegados e agentes da Polícia Federal responsáveis por elaborar um relatório com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
A decisão interrompeu o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob comando do procurador-geral Paulo Gonet, na última sexta-feira. A apuração buscava verificar a atuação dos policiais envolvidos na produção do documento.
“Determino a suspensão do Procedimento de Controle Externo objeto de comunicação pelo Ofício nº 696/2026 – ASSCRIM/PGR, instaurado pela Procuradoria-Geral da República, até ulterior deliberação desta Corte”, escreveu Fachin.
O procedimento havia sido instaurado após a divulgação de um relatório produzido pela Polícia Federal a pedido do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF.
Relatório reúne mensagens enviadas a Moraes
Mendonça solicitou à PF informações para esclarecer quem eram os interlocutores de Daniel Vorcaro em conversas encontradas no celular do banqueiro.
Como resposta, a Polícia Federal elaborou um documento de 218 páginas que reúne uma série de mensagens encaminhadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes. Algumas das conversas também fazem referência a outras autoridades, entre elas o próprio Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A abertura da apuração pela PGR ocorreu após a revelação do conteúdo do relatório produzido pelos policiais federais.
Gonet questionou atuação da Polícia Federal
Paulo Gonet argumentou que a Procuradoria-Geral da República não havia sido consultada durante a elaboração do documento. Para o procurador-geral, a ausência de consulta impediu a PGR de “realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”.
Em um ofício encaminhado a Fachin, Gonet informou que havia determinado a abertura da apuração para verificar uma possível interferência. O procurador-geral também mencionou o dispositivo legal que estabelece a necessidade de autorização do STF para investigações envolvendo magistrados.
Fonte: Brasil 247