Ex-pesquisador do Google alerta para risco de IA matar toda a humanidade
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – Bilal Chughtai, ex-pesquisador do Google DeepMind, fez um novo alerta sobre os riscos associados ao avanço acelerado da inteligência artificial e afirmou acreditar que a tecnologia tem potencial para provocar a extinção da humanidade caso seu desenvolvimento não seja conduzido com maior controle e coordenação.
Segundo reportagem da CNN Brasil, Chughtai deixou o Google DeepMind em julho de 2026, depois de atuar como engenheiro de pesquisa e participar da elaboração de trabalhos acadêmicos ligados à área de inteligência artificial.
“Recentemente, pedi demissão do Google DeepMind, onde trabalhava com pesquisa em segurança e alinhamento de Inteligência Artificial Geral”, escreveu Chughtai no X. “Acredito sinceramente que a IA tem o potencial de nos matar a todos e que talvez estejamos ficando sem tempo para evitar esse desfecho”.
A manifestação se soma a uma série de advertências públicas feitas nas últimas semanas por pesquisadores e executivos diretamente envolvidos no desenvolvimento dos sistemas de IA mais avançados.
Pesquisadores estimam risco de catástrofe
O debate ganhou força depois que Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, anunciou sua saída da empresa e afirmou que uma das razões para a decisão era a percepção de riscos extremos relacionados à tecnologia.
Segundo Coxon, “as pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela pode nos matar a todos até o final da década”.
Outro pesquisador da Anthropic, Evan Hubinger, concordou publicamente com a avaliação e disse acreditar que existe uma probabilidade superior a 10% de que sistemas avançados de inteligência artificial possam provocar a morte de todos os seres humanos na próxima década.
As declarações refletem uma preocupação existente em setores da indústria com a possibilidade de sistemas futuros adquirirem capacidades difíceis de controlar ou desenvolverem comportamentos incompatíveis com os interesses humanos.
Ex-Google critica corrida entre empresas
Apesar do cenário apresentado, Chughtai afirmou que ainda considera possível desenvolver inteligência artificial de maneira segura. Para isso, porém, defendeu maior coordenação entre empresas, governos e sociedade.
Segundo ele, será necessário agir “para evitar essa corrida frenética entre as empresas de IA”.
“Precisamos acelerar o desenvolvimento da IA a um ritmo que a sociedade possa suportar, onde os riscos emergentes possam ser abordados antes que danos extremos se concretizem”, acrescentou.
A avaliação mira especialmente a competição entre grandes empresas de tecnologia para desenvolver modelos cada vez mais sofisticados e com maior capacidade de raciocínio, automação e tomada de decisão.
A preocupação dos pesquisadores é que a disputa comercial leve companhias a priorizarem velocidade e desempenho em detrimento de mecanismos de segurança capazes de acompanhar o aumento da capacidade desses sistemas.
CEO da Anthropic pede desaceleração
O alerta de Chughtai ocorreu em meio a uma discussão mais ampla sobre o ritmo do desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu uma desaceleração no avanço da tecnologia para que empresas e governos tenham mais tempo para avaliar e reduzir os riscos associados a modelos cada vez mais poderosos.
A posição recebeu apoio pouco comum de figuras que frequentemente divergem publicamente sobre os rumos do setor, entre elas Elon Musk, ligado à SpaceXAI, e Sam Altman, CEO da OpenAI.
As manifestações reacenderam o debate dentro da indústria entre especialistas que defendem medidas preventivas mais duras e aqueles que classificam previsões de extinção humana como uma forma de “catastrofismo” tecnológico.
Trump rejeita apelos por maior regulação
Enquanto pesquisadores e executivos defendem mais cautela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou uma posição contrária aos pedidos de maior controle sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.
Trump afirmou nas redes sociais que os pedidos de regulamentação feitos por integrantes da própria indústria de IA seriam uma “farsa”.
A divergência evidencia uma disputa que tende a ganhar importância política à medida que os sistemas de inteligência artificial se tornam mais capazes e passam a ocupar espaço crescente em setores como mercado de trabalho, defesa, produção de informação, ciência e infraestrutura.
Os novos alertas mostram também que o debate sobre segurança deixou de ficar restrito a pesquisadores externos à indústria. Parte das advertências mais duras parte agora justamente de profissionais que trabalharam diretamente em algumas das empresas responsáveis pelos modelos mais avançados do mundo.
Fonte: Brasil 247