Ex-delegado da Lava Jato é investigado por fraude no INSS e nega blindagem

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O ex-delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo, conhecido por ter liderado as investigações da Operação Lava Jato no Paraná, tornou-se alvo de investigação no inquérito que apura um esquema de fraudes no INSS. A inclusão de seu nome na apuração ocorreu após a compra de um imóvel comercial em Curitiba (PR) que pertenceu anteriormente a Antônio Camilo Antunes, apontado como o “Careca do INSS”. Em resposta às suspeitas, Moscardi refutou qualquer irregularidade ou favorecimento, criticando a exposição gerada por um relatório de inteligência não assinado e divulgado de forma irregular, segundo o Metrópoles.

O documento apócrifo, utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em manifestação direcionada ao ministro André Mendonça, critica uma alegada blindagem em favor do ex-delegado no inquérito. Moscardi deixou a Polícia Federal em 2024 para atuar na advocacia privada e hoje integra a defesa de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-chefe do INSS, que havia sido preso e foi solto recentemente por decisão de Mendonça, relator do caso.

Diante do cenário, a Polícia Federal chegou a solicitar o bloqueio de R$ 400 mil em bens de Moscardi, mas o pedido foi rejeitado pelo relator no STF. O ex-delegado questiona a forma como vem sendo tratado e alega que não teve a oportunidade de prestar esclarecimentos oficiais. “Desde o ano passado, não teve nenhum tipo de autuação, não sei se sigo como investigado. Me coloquei de prontidão para ser ouvido e ainda nem fui chamado para poder prestar algum depoimento”, afirmou.

Negociação imobiliária e justificativa do desconto

A transação que deu origem à apuração envolve uma laje comercial na capital paranaense. Segundo o ex-delegado, o imóvel havia sido adquirido inicialmente pelo “Careca do INSS” direto com a incorporadora BF 01. Com o avanço das investigações sobre as fraudes na previdência, o negócio original foi desfeito. Na sequência, Moscardi — que já atuava na defesa do ex-procurador-chefe do INSS — comprou o espaço para instalar o futuro escritório de advocacia em sociedade com outros advogados.

A aquisição foi efetuada com um desconto de R$ 400 mil em relação ao valor original, quantia exata que a Polícia Federal tentou bloquear de suas contas. Moscardi justifica que a redução no preço ocorreu porque a própria incorporadora já havia retido valores e sido bonificada com o cancelamento do contrato anterior.

“A compra foi realizada, salvo engano, em agosto ou setembro de 2024. Fiz a transferência bancária da minha conta para a conta da incorporadora. Meu risco foi ser o máximo transparente. Deixei exposto meu nome”, declarou o advogado, ressaltando ter exigido que o bem não estivesse mais vinculado ao nome do antigo comprador antes de fechar o negócio.

Citação em relatório apócrifo e divergências de critérios

O nome de Moscardi aparece em um trecho do relatório da Polícia Federal que discute supostas inconsistências na gradação das medidas cautelares adotadas pela corporação. O documento compara a situação do ex-delegado à da empresária e lobista Roberta Luchsinger, argumentando que condutas semelhantes teriam recebido tratamentos distintos.

De acordo com o texto citado no relatório, a petição 15.041/DF sustenta que Moscardi “não apenas intermediou, mas atuou de forma consciente e funcional na lavagem de capitais”, possuindo “plena ciência da origem criminosa do bem e da natureza ilícita dos recursos”. O documento acrescenta que sua atitude configuraria “participação consciente e voluntária no processo de lavagem de capitais”. A crítica central do relatório apócrifo é que, apesar de tais apontamentos, a equipe de investigação optou por “não representar por medidas cautelares pessoais em seu desfavor”, sem apresentar uma justificativa para a distinção.

Além de Moscardi, o relatório aponta tratamento inconsistente em relação a outros investigados, como Leonardo Soares Araújo — que teria recebido R$ 4,7 milhões do “Careca do INSS” — e Cléber Ribas de Oliveira. Como recomendação final, a peça sugere a padronização dos critérios sobre simulação contratual: “ou requerer medida quanto a Maurício Moscardi, Leonardo Soares e Cleber Ribas, ou consignar expressamente o fundamento distintivo que os afasta”.

Histórico na Lava Jato

Maurício Moscardi Grillo ganhou notoriedade nacional ao coordenar as ações de campo da Polícia Federal no Paraná durante o auge da Operação Lava Jato. Na época, deu declarações controversas, incluindo uma entrevista em que afirmou que a PF havia “perdido o momento adequado” para prender o então ex-presidente Lula (PT). Com trajetória também marcada por sanções internas, o ex-delegado chegou a sofrer punição administrativa dentro da corporação devido ao seu envolvimento na instalação de uma escuta ilegal na cela ocupada pelo doleiro Alberto Youssef na superintendência da PF em Curitiba.

Fonte: Brasil 247

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