Atletas reagem com raiva e incredulidade a campanha publicitária “hipersexualizada” estrelada por Sydney Sweeney

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – Uma nova campanha publicitária estrelada pela atriz norte-americana Sydney Sweeney deflagrou uma onda de protestos e repúdio por parte de atletas de destaque internacional. A peça, criada para a plataforma de apostas esportivas Novig, dos Estados Unidos, exibe a artista nua ou com vestimentas mínimas manipulando artigos de diversas modalidades, como bolas de futebol americano e basquete, raquete de tênis e taco de beisebol. A repercussão do comercial, divulgado na última quarta-feira, foi imediata: apenas nos reels do Instagram, o conteúdo ultrapassou a marca de 37 milhões de visualizações em quatro dias, impulsionando um intenso debate sobre a objetificação feminina no meio esportivo. A cobertura original e os depoimentos foram reportados pelo jornalista Jack Guy, da CNN.

Esportistas de alto rendimento reagiram com indignação à abordagem do anúncio. A surfista australiana Felicity Palmateer classificou a iniciativa como um retrocesso para a representatividade das mulheres. Em entrevista à CNN, a atleta afirmou: “Foi total incredulidade, incrivelmente decepção, ver o quanto você consegue jogar o esporte feminino para trás em um comercial de 42 segundos”. Palmateer pontuou ainda os impactos dessa exposição para as novas gerações: “é muito prejudicial, especialmente para jovens mulheres que estão entrando no esporte, para mulheres no esporte, para mulheres em geral, um conteúdo simplesmente hipersexualizado. Queremos ser valorizadas pelo que conseguimos fazer, não pela nossa aparência”.

A reação estendeu-se a outras modalidades olímpicas e profissionais. A nadadora australiana Ariarne Titmus, detentora de quatro medalhas olímpicas, utilizou as redes sociais para manifestar sua revolta. “Eu não ia compartilhar isso, porque não queria dar mais atenção ao assunto. Mas não consigo ficar calada”, publicou a nadadora. Titmus desabafou sobre o impacto da peça publicitária nas competidoras: “Não consigo descrever o quanto fico enfurecida quando vejo isso. Isso não é apenas um tapa na cara de toda mulher que dedicou a vida a aperfeiçoar seu ofício, mas de toda mulher que gosta de esporte pelo que ele realmente representa: trabalho em equipe, amizade, dedicação, excelência, união… a lista continua.”

Outras esportistas também produziram conteúdos em contraposição ao anúncio de Sweeney. A nadadora australiana Lani Pallister divulgou um compilado de seus treinos e provas acompanhado do texto: “Não sei o que a Sydney acha que é esporte, mas ISSO é o que é esporte.” No mesmo tom, a boxeadora australiana Skye Nicholson postou material semelhante e cobrou posturas mais éticas do mercado corporativo. “Dando à campanha publicitária exatamente o que eles queriam, mas, sinceramente, essas empresas precisam fazer melhor. Parem de sexualizar mulheres no esporte”, escreveu a pugilista.

Em meio ao desgaste, Sydney Sweeney sinalizou uma resposta indireta nas redes sociais ao resgatar imagens da tradicional “Body Issue”, publicação anual da revista ESPN The Magazine encerrada em 2019, que trazia atletas nus ou seminus. Esta não é a primeira controvérsia comercial envolvendo a atriz. Anteriormente, uma campanha da marca American Eagle estrelada por Sweeney gerou acusações de promover conceitos eugenistas e de supremacia branca devido a frases sobre herança genética. Na ocasião, em entrevista à revista GQ, a atriz declarou surpresa com a reação do público, mas evitou retratações, afirmando: “Acho que, quando eu tiver algo que queira falar, as pessoas vão ouvir.”

Fonte: Brasil 247

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