Estudantes franceses retomam as ruas contra os cortes de Macron na Educação
Por Hora do Povo — Hora do Povo

“É o maior movimento popular desde o Maio de 1968”, porta-voz da União dos Estudantes da França
Os estudantes franceses, nesta quinta-feira, 8, na maioria adolescentes, continuam a protestar por melhor investimento para a educação, por mais professores e contra o descaso que deixou as escolas francesas caindo aos pedaços. É a terceira semana que estão protestando e enfrentando a repressão do governo francês.
“Acho que isto é um evento histórico e sem precedentes pela sua dimensão”, disse Alice Cohen-Morzadec, na terça-feira, ela é porta-voz internacional da União dos Estudantes da França. “Alguns dizem que este é o maior movimento desde maio de 1968”.
Os protestos de 1968 foram marcados pela maior greve da história da França, paralisando o país e que quase chegou a derrubar o governo de Charles de Gaulle.
Começou em 2 de maio de 1968, no campos da Universidade de Paris e se espalhou por todo o país e terminou em 23 de junho, com estudantes descontentes com salas superlotadas, currículos defasados e uma reação ao governo autoritário e contra o conservadorismo direitista nas direções das universidades francesas, foi aderido pelos trabalhadores franceses, mais de 11 milhões de trabalhadores se juntaram aos estudantes.
De acordo com os organizadores, somente na terça-feira passada, foram 450 mil nos diversos atos por todo o país, O Ministério do Interior da França, admitiu que mais de 250 mil pessoas foram às ruas para lutar por melhores condições para a educação na França, incluindo 56 mil em Paris.
Nesta quinta, a maioria das manifestações que aconteceram por toda a França foi de forma pacífica, mas em algumas áreas de Paris, Nantes e Rennes houve forte repressão contra os manifestantes por parte da polícia e grupos de estudantes e sindicatos denunciaram o uso desproporcional da força.
Líderes dos sindicatos estudantis convocaram por uma nova mobilização, com comício em Paris e em apoio aos estudantes, os sindicatos nacionais de educadores convocaram uma greve geral.
A presidente da associação estudantil universitária FAGE, disse depois de se encontrar com o ministro francês do Ensino Superior, Philippe Baptiste, que não houve “nem mesmo uma migalha de acordo”.
Ele disse para os estudantes continuarem a protestar em frente às escolas e prédios governamentais na quinta-feira e acrescentou que espera por “manifestações em maior escala na próxima semana”.
FRANÇA SUSPENDE USO DE GRANADAS DE PERCUSSÃO APÓS ESTUDANTE TER A MÃO DECEPADA
O governo francês, sob pressão depois que um estudante de 15 anos, teve a mão decepada por uma granada de perucssão jogada por policiais, anunciou que vão suspender o uso do armamento.
Relatos de uso excessivo da força por policiais franceses contra os estudantes nos protestos levou ao crescente escrutínio sobre a conduta dos policiais nos protestos especialmente sobre o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha. O ministro do Interior da França, Laurent Núñez, comunicou a suspensão na quarta-feira, até que seja investigado o que aconteceu.
O Ministério informou que mais de 6.100 pessoas foram presas desde que as manifestações começaram há três semanas, 85% dos que foram presos eram menores de idade.
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Fonte: Hora do Povo