Esquema de fraudes contra aposentados em São Paulo é alvo de operação do Ministério Público e da PM

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Uma ofensiva promovida em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Militar (PM) deflagrou, nesta terça-feira (20), a Operação Garateia para desmantelar um complexo esquema de fraudes processuais voltado ao prejuízo de aposentados e pensionistas. A apuração culminou no cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão no município de Franca, no interior do estado, onde materiais foram recolhidos para fundamentar desdobramentos futuros. Além disso, o Judiciário acolheu o pedido das autoridades e determinou o congelamento de até R$ 3,1 milhões em patrimônio dos envolvidos, informa o Metrópoles.

As apurações policiais e do órgão ministerial tiveram início ainda em 2024, após a identificação de comportamentos suspeitos por parte de bancas de advocacia sediadas em Franca. O modus operandi baseava-se na utilização sistemática de procurações desatualizadas ou de amplo espectro para protocolar milhares de litígios no Poder Judiciário em nome de idosos que, em diversas situações, sequer tinham conhecimento sobre o ingresso dessas medidas advocatícias. Dados tabulados pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) revelam uma enxurrada de pedidos: no intervalo compreendido entre 2022 e 2025, o grupo foi responsável pelo ajuizamento de mais de 12 mil demandas judiciais.

O faturamento obtido por meio da prática criminosa movimentou cifras milionárias ao longo dos últimos anos. Com base nos exames bancários e financeiros realizados na apuração, constatou-se que contas associadas aos alvos receberam o equivalente a R$ 10,9 milhões originados de 3.812 saques e resgates de montantes depositados em juízo entre janeiro de 2021 e junho de 2025. Os investigadores trabalham com a hipótese de que um quarto da quantia global tenha sido repassado para indivíduos que não integram diretamente o núcleo principal da organização.

O raio-X financeiro expôs ainda outras frentes de arrecadação e movimentação atípica de recursos. Um empreendimento vinculado ao grupo logrou obter aproximadamente R$ 770 mil por meio da cobrança de taxas aplicadas a um contingente superior a 2,7 mil cidadãos. Ademais, chamou a atenção dos investigadores o saque em dinheiro vivo de cerca de R$ 1,38 milhão efetuado entre os meses de dezembro de 2024 e março de 2025, montante que não foi encontrado até o momento pelas forças de segurança.

Os fatos apurados no âmbito da Operação Garateia envolvem acusações de condutas relativas aos crimes de organização criminosa, estelionato, apropriação indébita e lavagem de capitais. O nome batizado para a ação remete a um artefato de pesca composto por três ganchos, utilizado com a finalidade de maximizar as chances de captura. “O nome faz referência ao método investigado, no qual uma única procuração era aproveitada para propor várias ações em nome do mesmo cliente, multiplicando os processos a partir de uma só autorização”, explicou o MPSP.

Fonte: Brasil 247

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