Editora Abril nega envolvimento de publisher com Flávio Bolsonaro após denúncia; entenda o caso

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Por João Reynol — Jornal Opção

Editora Abril nega envolvimento de publisher com Flávio Bolsonaro após denúncia; entenda o caso

A Editora Abril negou, neste sábado, 10, que seu chairman e publisher, Fábio Carvalho, tenha participado de um jantar com empresários em apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorre em meio à repercussão da reportagem de capa da revista Veja, que atribuiu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatos sobre supostos repasses relacionados a um documentário sobre o presidente Lula da Silva (PT).

A informação sobre a presença de Carvalho em um encontro com Flávio foi publicada originalmente em artigo de João Moreira Salles na revista Piauí. No texto “O que esses brasileiros sabem”, publicado em 1º de outubro, o empresário aparece em uma lista de nomes que, segundo o autor, participaram de encontros e jantares com o candidato do PL.

Na relação, Moreira Salles cita “Fabio Carvalho (varejo e mídia)” ao lado de empresários e executivos de diferentes setores. Na sequência, o artigo afirma que os nomes mencionados participaram de encontros e jantares com Flávio Bolsonaro, alguns deles como anfitriões.

A Editora Abril, no entanto, afirma que a informação sobre seu publisher é falsa. Segundo a empresa, Carvalho não estava em São Paulo em 27 de agosto, data do jantar ao qual teria sido associado.

De acordo com a versão divulgada pela Veja, Carvalho deixou São Paulo pelo Aeroporto de Congonhas às 11h daquele dia e somente retornou à capital paulista em 30 de agosto, por volta das 14h.

A revista atribuiu a origem da informação ao artigo da Piauí e afirmou que a publicação não havia corrigido a menção até este sábado, 10. A negativa ocorre em meio a uma disputa envolvendo a última capa da Veja, publicada às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro.

Reportagem sobre Vorcaro e Lula

Na sexta-feira, 9, a revista Veja publicou reportagem afirmando ter obtido áudios e documentos nos quais Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relata supostos pagamentos relacionados a interesses da instituição financeira no governo federal.

Entre as alegações publicadas pela revista está a de que Vorcaro teria destinado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar uma produção cinematográfica sobre o presidente. Em um dos áudios publicados, uma voz atribuída a Vorcaro afirma ter colocado dinheiro em um filme sobre Lula e compara o caso ao financiamento de uma produção sobre Jair Bolsonaro (PL).

A revista também afirmou que Vorcaro teria reunido informações sobre o episódio em um anexo levado à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas que o caso não teria avançado por falta de provas dos pagamentos em dinheiro vivo.

A publicação ainda relaciona as supostas operações a negociações para que o Banco Master tivesse acesso a recursos de fundos de pensão de servidores de estatais.

PF contesta

Após a publicação, a Polícia Federal divulgou uma nota negando que Vorcaro tenha prestado à corporação depoimento com o conteúdo apresentado pela revista.

“A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada ‘Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo’, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira, 9, que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, informou a corporação.

O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, também disse à Agência Brasil não ter conhecimento do suposto financiamento. Segundo ele, não houve novo depoimento de seu cliente à PF ou a outro órgão sobre o assunto. O advogado afirmou ainda não ter tido acesso a documentos que comprovassem o financiamento e disse que Vorcaro nunca havia conversado com ele sobre o episódio.

A Advocacia-Geral da União (AGU), por sua vez, anunciou que pediria direito de resposta e correção à revista neste sábado, 10, junto ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representado por integrantes da AGU.

A notificação sustenta que as acusações que tentam relacionar Lula e Padilha aos supostos recursos são falsas e sem fundamentação probatória. A reação ocorre a cerca de duas semanas do segundo turno da eleição presidencial.

O grupo Prerrogativas também pediu à Polícia Federal uma perícia no áudio divulgado pela Veja. O grupo de juristas levantou suspeitas de eventual edição, montagem ou emprego de inteligência artificial na gravação e apontou a ausência de informações públicas sobre data, local e circunstâncias em que ela teria sido produzida. Até o momento, não há conclusão pericial apresentada nas fontes consultadas que confirme adulteração.

Leia também: Lula acusa Flávio Bolsonaro de planejar cortes no Bolsa Família e em outros programas sociais

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Fonte: Jornal Opção

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