Mabel sai fortalecido das eleições, amplia aliados e vê adversários perderem espaço

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Por João Paulo Alexandre — Jornal Opção

Mabel sai fortalecido das eleições, amplia aliados e vê adversários perderem espaço

A eleição de Thialu Guiotti (Avante) para a presidência da Câmara de Goiânia, neste sábado, 10, pode ser considerada uma vitória política do prefeito Sandro Mabel (União Brasil). Com o apoio do chefe do Executivo, Thialu conseguiu reunir os votos dos 37 vereadores e foi eleito por unanimidade para comandar o Legislativo no biênio 2027-2028.

O resultado também revela a influência de Mabel nas articulações políticas da capital. Embora a escolha tenha ocorrido por consenso, a construção da candidatura envolveu negociações entre diferentes grupos da Câmara, incluindo parlamentares que nem sempre seguem as orientações do Paço Municipal.

O Jornal Opção revelou, com exclusividade, o apoio de Mabel à candidatura de Thialu. O prefeito também participou das articulações que antecederam a votação. A eleição de um nome próximo ao Executivo pode facilitar a interlocução com os vereadores, embora não represente, necessariamente, apoio automático às propostas da Prefeitura.

Afinal, uma coisa é conseguir eleger um aliado para a presidência da Câmara. Outra é garantir uma base parlamentar disposta a acompanhar o governo em votações que envolvam temas controversos ou medidas impopulares.

Aliados conquistam espaço na Assembleia

O resultado na Câmara não foi o único movimento favorável ao grupo político de Mabel. A eleição de Wellington Bessa, atual líder do governo municipal, e de Lucas Kitão, ex-secretário da gestão, para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) amplia a presença de nomes ligados ao prefeito na política estadual.

A chegada dos dois à Alego pode criar novos canais de articulação para Mabel, especialmente em discussões que envolvam interesses da capital e negociações com o governo estadual.

Há, porém, diferenças entre os dois movimentos. Enquanto Thialu estará à frente de um Legislativo com influência direta sobre a administração municipal, Bessa e Kitão passarão a atuar em uma esfera política mais ampla, na qual as alianças nem sempre seguem os mesmos interesses do cenário municipal.

Ainda assim, a presença de dois interlocutores do prefeito na Assembleia representa um ativo político que poderá ser utilizado nas articulações dos próximos anos.

Derrotas de adversários mudam cenário para 2028

Outro fator que chama a atenção é o desempenho eleitoral de nomes que fazem oposição ou mantêm divergências com Mabel. O deputado estadual Clécio Alves (PSDB) não conseguiu a reeleição, enquanto Delegado Waldir (União Brasil) e Igor Franco (Podemos) tiveram votações pouco expressivas na disputa por vagas na Câmara dos Deputados.

Os resultados enfraquecem as pretensões políticas desses adversários e podem alterar a correlação de forças em Goiânia. Isso não significa, entretanto, que estejam fora do jogo político ou que tenham perdido a capacidade de mobilização.

A ausência de mandato pode dificultar a manutenção de estruturas políticas e reduzir a visibilidade de algumas lideranças, mas não elimina a possibilidade de reorganização para as eleições municipais de 2028.

Nesse cenário, Mabel termina o período eleitoral com um saldo favorável nas articulações políticas: conseguiu emplacar um aliado na presidência da Câmara, viu dois nomes ligados à sua gestão conquistarem cadeiras na Assembleia e acompanhou derrotas eleitorais de adversários.

O quadro, porém, não deve ser confundido com uma antecipação do resultado de 2028. O prefeito ainda terá pela frente dois anos de administração, período em que questões como a qualidade dos serviços públicos, a execução de obras e a relação com o funcionalismo poderão pesar mais na avaliação do eleitorado do que as alianças construídas nos bastidores.

Além disso, a unanimidade que garantiu a eleição de Thialu não significa que Mabel terá os 37 vereadores ao seu lado durante os próximos dois anos. A Câmara reúne interesses distintos, e a formação de maiorias continuará dependendo de negociações.

O fato é que Mabel sai das movimentações políticas de outubro com mais espaço para articular seu grupo e organizar uma eventual candidatura à reeleição. Resta saber se conseguirá transformar esse fortalecimento nos bastidores em resultados administrativos capazes de convencer o eleitorado.

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Fonte: Jornal Opção

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