É falso que Exército disse que não fará nada em caso de interferência externa nas eleições

0

Por Giovanna Massaro — Aos Fatos | Valorize o que é real

Não é verdade que o Exército comunicou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que nada fará caso ocorra interferência externa nas eleições deste ano, como alegam posts nas redes. A Força, o Ministério da Defesa e o Palácio do Planalto desmentiram a veracidade da alegação, que também não encontra respaldo na imprensa ou em canais oficiais.

Postagens com este conteúdo enganoso reuniam ao menos 86 mil interações nas redes da Meta até a manhã deste domingo (4).

Notícia-bomba! Militares avisam ao STF que não vão intervir caso haja crise institucional ou intervenção estrangeira: ‘Olha, não contem conosco pra nada, tá? Não podemos, não queremos, não faremos.

Na parte superior, há um retângulo vermelho na horizontal com a palavra 'URGENTE!' escrita em letras maiúsculas brancas. Ao fundo, uma foto mostra diversos militares de perfil, enfileirados e vestindo fardas de gala em tons de verde e azul-escuro com quepes adornados em dourado e preto. Em primeiro plano, destacam-se homens de pele clara e parda com cabelos curtos escuros. Sobreposta à imagem dos militares, há uma legenda explicativa centralizada em texto branco e amarelo: 'Notícia-bomba! Militares avisam ao STF que não vão intervir caso haja crise institucional ou intervenção estrangeira: ‘Olha, não contem conosco pra nada, tá? Não podemos, não queremos, não faremos.’ 

Postagens nas redes sociais enganam ao afirmar que o Exército avisou ao STF que não vai intervir caso haja crise institucional ou interferência estrangeira nas eleições. O Exército, a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República e o Ministério da Defesa desmentiram ao Aos Fatos a veracidade da alegação.

Segundo a Secom e a Defesa, as peças desinformativas visam “gerar insegurança e desconfiança nas instituições e no processo eleitoral”.

Também não há registros públicos que atestem a alegação dos posts na imprensa profissional ou nos canais oficiais do STF e do Exército, como Aos Fatos constatou após buscas no sábado (3) e no domingo (4).

Após alertas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e de especialistas sobre potenciais riscos de interferência estrangeira no pleito, o Exército coordenou no fim de setembro um treinamento de segurança cibernética para mais de 1.300 participantes, segundo a Agência Brasil.

Neste ano, as Forças Armadas mobilizaram mais de 26 mil militares em ações de Garantia da Votação e da Apuração, a GVA. A operação envolve a atuação de Exército, Marinha e Aeronáutica em 482 municípios de 12 estados, abrangendo 8.827 locais de votação, segundo o TSE.

O emprego dos militares se dá mediante requisição da Justiça Eleitoral e com autorização presidencial para contribuir para a preservação da ordem pública, a normalidade dos trabalhos eleitorais e o livre exercício do voto, de acordo com o tribunal. A atuação é feita em coordenação com as forças de segurança locais e federais.

Entre as ações previstas estão o patrulhamento em áreas previamente definidas pela Justiça Eleitoral, o que, de acordo com o TSE, pode contribuir para “um ambiente seguro para eleitores, mesários e demais profissionais envolvidos no processo eleitoral”.

Além disso, como já ocorreu em pleitos anteriores, as Forças Armadas prestam apoio logístico à Justiça Eleitoral em 121 localidades distribuídas por 44 municípios de oito estados. Esse apoio inclui, segundo o TSE, o transporte de urnas eletrônicas, equipamentos e equipes para regiões de difícil acesso em aeronaves, embarcações e viaturas militares.

Contexto. Essa peça de desinformação tem circulado nas redes na esteira de publicações que sugerem que Trump estaria planejando interferir militarmente nas eleições. Essa narrativa tem crescido desde quarta-feira (30), quando o americano disse estar “acompanhando de perto” o pleito.

Na sexta (2), após o governo dos EUA e da Austrália fecharem suas embaixadas e consulados no Brasil, teorias conspiratórias nas redes passaram a especular que as medidas seriam uma preparação para uma intervenção americana destinada a impedir um suposto golpe do PT e garantir o resultado eleitoral, como Aos Fatos revelou no sábado (3).

O caminho da apuração

Aos Fatos fez buscas por notícias na imprensa e nos canais oficiais do governo e do Judiciário, mas não encontrou notícias que respaldassem a alegação feita pelos posts checados.

A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa do Exército Brasileiro, com o Ministério da Defesa, com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e com o STF. Desses, apenas o Supremo não havia respondido até a publicação da checagem.

A checagem foi complementada com informações do TSE sobre a atuação das Forças Armadas no pleito.

Fonte: Aos Fatos | Valorize o que é real

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *