E agora, PT?
Por Emir Sader — Brasil 247
Uma derrota dessas proporções não pode ser encarada em um prazo curto. Tanto o balanço dos erros que a tornaram possível quanto as vias de superação dos seus erros.
Agora se trata de que esses erros não permitam que o Brasil retorne para a extrema direita, com as graves consequências que pagariam o povo e o próprio país.
Trata-se de elaborar, rapidamente, um plano de ação que permita se valer destas três semanas para tentar reverter a situação, impor uma derrota à extrema direita e resgatar o país e o governo.
Mas algumas correções são indispensáveis. Soubemos que os jovens são os menos interessados na política. Provavelmente são parte importante dos 19 milhões que se abstiveram.
O D2 já tinha chamado a atenção do PT sobre essa questão. De como as coisas que nos ocupam, que nós privilegiamos, com razão, como a reeleição do Lula, não têm sentido nenhum para eles. Fazem parte da “velha política”. Dá ideia da distância entre nós e eles.
É indispensável e urgente conversar com o D2, que tem contato com os jovens, que tem sensibilidade para o problema e que pode ajudar-nos a encarar, mesmo em prazos curtos, propostas e iniciativas que possam ajudar-nos.
Uma breve análise dos resultados eleitorais demonstra como há um setor conservador forte na sociedade brasileira. Assim como os jovens, nosso discurso não chega a eles. Nossa propaganda reiterou muito um discurso para quem já está conosco.
Temos que sair dessa bolha, como se costuma dizer. Nossa política de massas não tem sido eficiente nesse sentido. A massa à qual se dirige a extrema direita é profundamente alienada. A ponto de que políticas como as do governo, com sucesso econômico e social, que provavelmente beneficiariam uma parte grande dos que votaram no candidato da extrema direita ou se abstiveram, não são percebidas por eles dessa maneira.
De tal forma que terminam atuando contra os seus próprios interesses. Nisso não temos sido capazes de chegar até eles, falar sua linguagem.
Por exemplo, ajudar esses jovens a entender que só na democracia eles podem exercer plenamente sua liberdade, em todas as suas dimensões. Eles são, normalmente, individualistas, o que os faz se desinteressarem da política, como ela existe atualmente.
O próprio PT provavelmente envelheceu na média de idade dos seus membros. Dá essa impressão ao participar de atos de massa do partido, nos quais os jovens, que deveriam ser uma parte importante, são minoria. Em condições em que nós queremos construir uma sociedade melhor, menos injusta, mais democrática, justamente tendo a eles como os que poderiam viver nesse mundo melhor.
Em suma, não estamos discutindo aqui todas as dimensões da crise atual do PT. Mas somente os aspectos que podem nos fazer aproveitar estas três semanas para reverter a situação e impedir que, por erros nossos, o país volte a cair nas mãos da extrema direita.
Fonte: Brasil 247