Dino vê conexões entre Banco Master, Vorcaro e irmão de André Mendonça

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Por Vinícius NunesCarta Capital

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Relatório sobre ação sobre cemitérios de São Paulo cita Alexandre Mendonça, encontro do ministro com Daniel Vorcaro e contratos do Instituto Iter com a Prefeitura

O ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal, citou nesta terça-feira 15 a atuação de Alexandre de Almeida Mendonça , irmão do ministro André Mendonça , na agência responsável pela fiscalização dos cemitérios privatizados de São Paulo. A informação consta de uma nova decisão em que Dino amplia a busca por esclarecimentos sobre possíveis conexões entre concessionárias do setor funerário e o Banco Master .

Alexandre Mendonça integra a SP Regula (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo), responsável por fiscalizar as concessões. Segundo Dino, ele atua justamente na área funerária e de cemitérios. Foi nomeado superintendente da agência em julho de 2024 e promovido a secretário-executivo em 26 de maio deste ano, quando ainda estava em andamento no Supremo o julgamento sobre as regras aplicáveis aos cemitérios concedidos à iniciativa privada.

A menção aparece em meio a uma sequência de fatos que Dino considera necessário esclarecer. O ministro ressalta, porém, que não está estabelecendo relação causal entre eles nem afirmando que decisões judiciais tenham sido influenciadas por interesses externos . Para o relator, há um conjunto de pontos de contato que, “em tese”, forma um “quadro indiciário suficientemente relevante” para ser apurado pelas autoridades competentes.

Dino já havia determinado um teto para os preços cobrados pelos serviços diante de indícios de valores abusivos, além de medidas para ampliar a transparência e a fiscalização das concessionárias.

O julgamento dessas determinações pelo plenário do STF foi interrompido em março de 2025 por um pedido de vista de André Mendonça. Dino registra agora que, um dia antes do pedido, Mendonça se encontrou com Daniel Vorcaro , então controlador do Banco Master, na sede de uma empresa privada em São Paulo.

O próprio Mendonça confirmou posteriormente o encontro. Dino afirma que a reunião ocorreu a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha e foi intermediada pelo deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). O relator também menciona que Fabiano Zettel , cunhado de Vorcaro e ligado à igreja, ocupava cargo diretivo na Cortel, concessionária de cemitérios na capital paulista.

Quando o julgamento foi retomado, em abril de 2025, André Mendonça abriu divergência e votou contra o referendo das medidas determinadas por Dino, posição que atendia aos pedidos apresentados pelos cemitérios privados.

Dino acrescentou outro elemento à cronologia. O Instituto Iter , fundado por André Mendonça e em cuja sede ocorreu o encontro com Vorcaro, firmou em setembro de 2025 um contrato de 380 mil reais, sem licitação, com a Prefeitura de São Paulo para treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos.

Dino não atribui a Alexandre Mendonça qualquer irregularidade. A decisão cita sua posição na agência como mais uma circunstância que, na avaliação do relator, deve ser esclarecida diante das demais conexões identificadas durante a tramitação da ação.

A possível ligação do Banco Master com as concessionárias já vinha sendo examinada por Dino desde abril. O principal ponto envolve Fabiano Zettel. Cinco atas da Cortel produzidas entre 2022 e 2025 teriam sido assinadas por ele, quando era conselheiro da empresa, com endereços eletrônicos institucionais vinculados ao Banco Master e ao antigo Banco Máxima. A Cortel nega vínculo financeiro ou societário com o banco.

A Prefeitura informou ao Supremo que a SP Regula havia cobrado explicações da concessionária em fevereiro. Segundo a resposta apresentada pelo município, a empresa afirmou que Zettel deixou seu conselho em outubro de 2025 e não era acionista, além de negar vínculo financeiro ou societário com o Master. O Ministério Público de São Paulo também instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades na concessão e eventual relação entre a Cortel e o banco.

No despacho desta terça, Dino determinou que a Prefeitura e a SP Regula entreguem, em até dez dias, documentos sobre a concessão à Cortel, sua composição societária, alterações contratuais, fiscalização e eventuais procedimentos instaurados para verificar vínculo societário, econômico ou financeiro com o Master.

O ministro também requisitou ao Ministério Público paulista informações sobre o inquérito que trata do assunto e deu 15 dias para que a CVM apresente dados sobre relações entre fundos de investimento e todas as concessionárias de cemitérios de São Paulo, com prioridade para a Cortel.

Por fim, Dino determinou que uma cópia de sua decisão seja enviada ao presidente do STF, Edson Fachin , para ser juntada aos autos em que são apuradas condutas de André Mendonça. Segundo Dino, os fatos devem ser esclarecidos, com direito ao contraditório e à ampla defesa e após autorização do plenário, porque podem interferir no próprio desfecho da ação sobre os cemitérios.

A decisão acrescenta um novo elemento à tensão interna no Supremo justamente no dia em que a Corte se volta ao julgamento histórico envolvendo André Mendonça . Dino tem figurado entre os principais contrapontos ao ministro na crise que chegou ao plenário.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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