Desfaçatez de um sujeito
Por Maria Luiza Franco Busse — Brasil 247
Terminou com pedido de vista a sessão especial do Supremo Tribunal Federal convocada para decidir sobre a abertura de investigação solicitada por um membro da tribuna contra um dos colegas. O resultado foi a primeira derrota dos fascistas na frente de batalha jurídica da guerra do golpe para implantar o regime teocrático-rentista-militarizado em curso desde 2018.
Duas posições antagônicas foram fundamentais para o fracasso do intento nesse enfrentamento inicial: a atuação do ministro terrivelmente desqualificado representante da causa fascista, por um lado, e de outro o qualificado conhecimento e saber dos magistrados que garantem o cumprimento da Constituição e dos ritos processuais, ofício para o qual foram investidos no cargo.
A pauta da plenária extraordinária era a análise do relatório da Polícia Federal que justificaria o pedido de investigação. Por si só a questão já estava fora da ordem por não ser prerrogativa de ministro pedir, decidir e controlar investigação. No atual sistema democrático isso é assunto de Ministério Público e Procuradoria Geral da República.
Entretanto, foi realizada a corte presidida nos moldes do estado de exceção. A plenária expôs o acinte da desfaçatez de um sujeito togado que acabou por reconhecer que no relatório não havia nenhuma prova concreta para sustentar o pedido de investigação, que não lhe cabia, e ainda admitiu não ter qualquer fundamento fático envolver a pessoa do Procurador Geral da União no caso em questão.
Diante do patético exposto, a resistência no pedido de vista. Dia 23 haverá outra sessão especial.
Os ministros zelosos da Constituição democrática cidadã de 1988 seguirão combatendo o avanço fascista sobre as instituições. Não bastasse a violência do escopo geral, ainda terão que suportar a agressiva estupidez da ignorância do comando da tropa inimiga.
Dura assimetria, que cabe na piada do Zé da Galinha. Noite alta, o ladrão famoso pulou o muro de uma residência e caiu no galinheiro. A casa era do delegado que o procurava há muito tempo. Descoberto, o delegado surpreso perguntou o que ele fazia ali, na casa dele e naquela situação entre galinhas alvoroçadas. “Foi mal feito”, respondeu. Assim o terrivelmente bandido ficou conhecido como Zé da Galinha. Confúcio assinaria essa anedota.
Fonte: Brasil 247