JBS vê fim do ciclo puxado pela China e defende mais valor ao agro brasileiro

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – O agronegócio brasileiro deve entrar em uma nova fase de crescimento, menos dependente da exportação de commodities e mais voltada à agregação de valor dentro do país, segundo avaliação de Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. As informações são do Brazil Stock Guide.

Em participação no Agro Summit, evento promovido pelo Bradesco BBI, Tomazoni afirmou que o Brasil não deve contar nos próximos anos com um choque de demanda semelhante ao provocado pela China nas últimas décadas. Para ele, mudanças demográficas, novos padrões de consumo e o avanço dos medicamentos GLP-1 devem alterar a dinâmica global do mercado de alimentos.

“Não existe outra China”, disse o executivo, ao tratar das perspectivas para o setor agropecuário brasileiro.

A avaliação de Tomazoni aponta para uma mudança relevante no modelo que sustentou parte da expansão do agro nacional nos últimos 25 anos. A ascensão chinesa, marcada por urbanização acelerada, aumento de renda e maior consumo de proteína animal, impulsionou fortemente a demanda por produtos agrícolas brasileiros, especialmente grãos usados na alimentação de animais.

Segundo o CEO da JBS, um movimento dessa dimensão dificilmente se repetirá. Por isso, o crescimento futuro do setor deverá depender menos da simples ampliação das exportações de commodities e mais da capacidade de transformar a produção agrícola em itens de maior valor agregado no próprio Brasil.

“Vamos ter que buscar cada vez mais agregar valor aqui”, afirmou Tomazoni.

Entre as cadeias que podem ganhar espaço nesse novo cenário, o executivo citou milho, frango e ovos. A lógica, segundo a análise apresentada, é que uma parcela maior da produção brasileira de grãos seja processada dentro do país, convertida em proteína animal, biocombustíveis e outros produtos antes de chegar ao consumidor final.

Essa mudança permitiria elevar o valor gerado por tonelada produzida no Brasil e reduzir parte da dependência de um grande vetor externo de crescimento, como ocorreu com a China no ciclo anterior.

A avaliação ocorre em meio a um movimento da própria JBS para ampliar sua exposição a alimentos processados, produtos de marca e proteínas de maior valor agregado. A estratégia também busca reduzir a vulnerabilidade da companhia aos ciclos tradicionais das commodities.

Tomazoni também chamou atenção para o impacto dos medicamentos GLP-1, classe que inclui tratamentos usados contra diabetes e obesidade, sobre os hábitos alimentares globais. O avanço desses remédios, que podem reduzir o apetite e modificar padrões de consumo, passou a ser acompanhado de perto por grandes empresas de alimentos.

Segundo o executivo, a combinação entre envelhecimento populacional, mudanças demográficas e uso crescente dessas medicações deve tornar o cenário dos próximos cinco, dez ou vinte anos diferente daquele que sustentou a expansão recente do agronegócio brasileiro.

Para empresas produtoras de proteína, essa transformação não significa necessariamente uma queda direta da demanda. O movimento pode aumentar a importância de alimentos com maior densidade nutricional, teor elevado de proteína e maior valor agregado, ainda que altere o volume total de calorias consumidas.

A JBS já vem apontando a nutrição funcional e os alimentos de maior valor nutricional como áreas relevantes para o desenvolvimento do setor.

Tomazoni afirmou esperar que essa transformação comece a ficar mais clara nos próximos anos. Segundo ele, o processo deve estar em andamento dentro de cinco anos, com aceleração das mudanças já a partir dos próximos dois anos.

O executivo permanecerá como CEO global da JBS até janeiro de 2027, quando Wesley Batista Filho assumirá o comando executivo da companhia. Depois disso, Tomazoni passará a atuar como vice-chairman do conselho de administração e senior advisor da empresa.

Fonte: Brasil 247

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