Dino mantém PF com provas de Dark Horse após produtora recorrer a Mendonça
Por Schirlei Alves — ICL Notícias
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Por Cleber Lourenço
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, preservou o acesso da PF às provas de uma investigação sobre o financiamento de Dark Horse que a produtora do filme, Karina Ferreira da Gama, tentou suspender no STF. Em 26 de agosto, ela pediu ao ministro André Mendonça que interrompesse a apuração da Polícia Civil de São Paulo e levasse o caso ao Supremo.
O pedido foi apresentado no mesmo dia em que a Polícia Civil começou a compartilhar com a PF documentos apreendidos na Operação Wi-Fi. A investigação atingiu a Go Up Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil e alcançou o financiamento do filme sobre a família Bolsonaro pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao derrubar nesta quarta-feira (9) o afastamento de Andrei determinado por Mendonça, Dino destacou que a troca no comando da PF poderia prejudicar justamente o trabalho sobre esse material.
Na decisão, Dino registra que a PF havia sido autorizada, em 24 de agosto, a acessar “a íntegra do material apreendido” pela Polícia Civil. Andrei argumentou que seu afastamento desorganizaria a equipe responsável pela investigação e poderia retardar o acesso às provas disponibilizadas em São Paulo.
Pedido a Mendonça ocorreu no dia do envio das provas
A Polícia Civil começou a encaminhar documentos da Operação Wi-Fi à PF durante o dia 26 de agosto. Às 20h53, a defesa de Karina protocolou no STF o pedido para que Mendonça suspendesse a investigação paulista.
A produtora argumentou que a apuração avançava sobre o financiamento de Dark Horse por Vorcaro, tema relacionado às investigações do Banco Master que estão sob a relatoria de Mendonça.
A defesa pediu a transferência da investigação para o Supremo e sua concentração nos procedimentos conduzidos pelo ministro.
O movimento ocorreu dois dias depois de Dino autorizar o acesso da PF à íntegra das provas apreendidas em São Paulo.
Em 4 de setembro, Karina também entregou diretamente ao gabinete de Mendonça cerca de 21 mil páginas de documentos relacionados a Dark Horse. O material, segundo a defesa, não continha todos os dados referentes aos gastos da estrutura americana da produção.
Dino mantém Andrei e preserva trabalho da PF
Mendonça determinou na segunda-feira (8) o afastamento de Andrei do comando da PF. Ao recorrer da decisão, o diretor-geral apontou o impacto da medida sobre investigações em andamento e citou especificamente o acesso ao material produzido pela Polícia Civil paulista.
Dino suspendeu o afastamento nesta quarta e manteve Andrei no cargo.
A decisão também elevou o confronto dentro do Supremo. Dino questionou a atuação de Mendonça sobre relatórios da PF que mencionam o próprio ministro e que já estão sob análise do presidente da Corte, Edson Fachin.
Para Dino, questões dessa natureza devem ser tratadas por Fachin ou pelo Plenário do STF.
Com Andrei de volta ao cargo, a PF mantém a estrutura que vinha trabalhando no recebimento e na análise das provas apreendidas em São Paulo.
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Fonte: ICL Notícias




