Desaprovação de Kast chega a 64% no Chile em meio à rejeição a cortes sociais
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O presidente do Chile, José Antonio Kast, registra 64% de desaprovação após sete meses de governo, em um cenário de resistência à redução de programas sociais para equilibrar as contas públicas.
Segundo reportagem da teleSUR publicada neste domingo (11), o levantamento Agenda Criteria também mostra que 82% dos entrevistados consideram o desempenho da administração inferior às expectativas que tinham no início do mandato.
O resultado representa uma deterioração do apoio ao presidente desde sua posse, em 11 de março de 2026, quando a aprovação era de 57% e a desaprovação estava abaixo de 30%. A teleSUR informa que pesquisas da empresa Cadem também apontam desgaste, com índices de aprovação entre 27% e 32%.
A resistência aos cortes sociais ocupa lugar central no debate sobre o Orçamento de 2027, atualmente em discussão no Congresso chileno. Apenas 19% dos participantes do levantamento aceitam abrir mão de programas sociais existentes para ajustar os gastos fiscais. A redução gradual de bônus e subsídios estatais encontra apoio ainda menor: 8%.
Os dados mostram que o apoio à diminuição da estrutura administrativa não se estende, na mesma proporção, à retirada de benefícios. Embora 52% defendam a proposta governamental de reduzir o número de funcionários públicos, a disposição para sacrificar políticas sociais permanece minoritária.
A avaliação sobre a gestão dos recursos também é negativa. Para 58% dos entrevistados, o governo administra o dinheiro público de maneira ineficiente. Esse resultado acompanha a discussão parlamentar sobre as prioridades de gasto da administração Kast para o próximo ano.
A proposta orçamentária enviada pelo presidente prevê crescimento de 1,5% nos gastos públicos, apresentado pela teleSUR como o menor aumento em duas décadas. O projeto inclui cortes em programas sociais e em áreas de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental.
O governo também pede autorização para contratar empréstimos fiscais de até US$ 26,5 bilhões. A solicitação integra a proposta submetida ao Congresso, onde as medidas de contenção de despesas enfrentam críticas da oposição.
Parlamentares oposicionistas e organizações sociais alertam que a política de austeridade poderá ampliar as mobilizações nas próximas semanas. A contestação se concentra nos efeitos das restrições orçamentárias sobre a assistência pública e os programas sociais.
O desgaste político ocorre em um quadro de dificuldades econômicas. De acordo com a reportagem, o Banco Central reduziu as projeções de indicadores econômicos para 2026, enquanto o desemprego alcançou 9,6% no trimestre de junho a agosto, o maior nível em cinco anos.
A teleSUR relata ainda que emergências climáticas associadas ao fenômeno El Niño atingiram dez regiões chilenas e contribuíram para agravar a situação econômica. A combinação de desemprego elevado, expectativas frustradas e resistência aos cortes acompanha a tramitação do primeiro orçamento de Kast para um ano completo de governo.
Fonte: Brasil 247